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“Mensalinho”: PF encontrou R$ 8 mil com vereadores em caminhonete

Campo Grande News em 06 de Dezembro de 2018

A PF (Polícia Federal) encontrou R$ 8 mil em dinheiro numa caminhonete Toyota Hilux onde viajavam três vereadores e o então prefeito de Ladário, Carlos Anibal Ruso Pedrozo (PSDB). Do total, R$ 5 mil estavam com o vereador Augusto de Campos (MDB), o Gugu; e R$ 3 mil com André Franco Cáffaro (PPS), o Dedé. Também estava no veículo o vereador Vagner Gonçalves (PPS). Todos foram presos em 26 de novembro pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e foram levados para Campo Grande, onde a investigação está concentrada.

Ruso e os vereadores viajavam da Capital para Ladário e já eram alvos de uma ação controlada dos investigadores. O deslocamento na Capital teve registro com fotos. A abordagem foi da PF de Corumbá, antes de chegar em Ladário, cidade vizinha, em 06 de setembro deste ano. No mesmo dia, numa ligação telefônica, André Cáffaro, que conduzia a caminhonete, reclama da ação da polícia e que “alguém dedou”.

Do outro lado da linha, a pessoa, que não foi identificada, questiona se o prefeito não falou nada. André respondeu: “Não! Os caras já vieram em cima, pô, entendeu? Barreira lá, pô! Entendeu? Aí os caras já vieram batendo, mandando nós descer do carro, revistou, revirou aqui essa p... eu estava com três conto na minha mala né, p...! 'E esse dinheiro aí? Não tem banco, não? Que não sei o que”.

Honra

De acordo com a denúncia do MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que resultou na prisão do prefeito, secretários e sete vereadores, o receio de ser flagrado foi confidenciado por Carlos Ruso ao vereador Fábio Peixoto Araújo Gomes, que registrou o diálogo em áudio e entregou o valor da propina para a promotoria.

Anderson Gallo/Arquivo Diário Corumbaense

Gaeco e MPE prenderam prefeito e vereadores durante ação no dia 26 de novembro

Na conversa, o prefeito ainda destacou que cumpre seus compromissos. “Eu sempre ensinei pros meus filhos: até o negócio mais escuso, se honra”.

Conforme o MP, o grupo se uniu para prática de crimes contra a administração pública. O chefe do Poder Executivo passou a subornar os vereadores para comprar apoio político, aprovação de projetos de seu interesse e arquivamento de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar irregularidades na saúde.

As moedas de troca eram nomeação de pessoas indicadas em cargos em comissão no município ou pagamento de propina mediante “mensalinho” de R$ 3 mil. A possibilidade de abertura da CPI, que poderia resultar em cassação, passou a ser discutida em 6 de novembro do ano passado.

Nesta data, a ex-secretária de Saúde de Ladário, Ana Lúcia de Vasconcellos Pereira, foi ouvida na Câmara Municipal. Ela relatou irregularidades, como lançamento, em folha de pagamento, de gratificações consideradas indevidas, escala de plantão não cumprida, ausência de atendimento médico e falta de medicamentos.

Conforme a denúncia, o pagamento foi entre dezembro de 2017 a setembro deste ano. Também foram presos os vereadores Agnaldo dos Santos Silva Junior (PTB), Paulo Rogério Feliciano Barbosa, Lilia Maria Villalva de Moraes (MDB) e Osvalmir Nunes da Silva (PSDB).

A defesa de Lilia, que está no presídio feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande, pediu a revogação da prisão. “Fiz o pedido de revogação da prisão na segunda-feira. Se porventura negar, entro com pedido de habeas corpus”, afirma o advogado Luciano Caldas dos Santos. A defesa também pode solicitar prisão domiciliar.

Segundo o advogado Valdecir Balbino da Silva, que atua na defesa de Vagner Gonçalves, o vereador nunca teve prerrogativa de indicar pessoas para ocuparem cargos na prefeitura e nem há comprovação de que tenha recebido vantagem econômica, o “mensalinho”. “Não se fotografou o investigado recebendo dinheiro, não se interceptou qualquer conversa do mesmo ou de outrem comprovando o recebimento de qualquer quantia ou vantagem”, afirma a defesa, por meio de nota.

Sobre a abordagem, o advogado afirma que não houve apreensão de dinheiro com Vagner e que ele acompanhava o prefeito, na época de eleição, por ser de sua base aliada. “A denúncia não pode ser uma mera criação mental do Ministério Público e não pode decorrer de simples suposição ou conjectura”, informa o advogado. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos demais denunciados.

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