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"Mensalinho" rendia até R$ 3,5 mil para vereadores apoiarem prefeito, diz procurador

Rosana Nunes em 26 de Novembro de 2018

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Procurador-geral Paulo Passos diz que provas contra políticos são contundentes

A prisão do prefeito de Ladário, Carlos Ruso (PSDB), de sete dos onze vereadores e do secretário de Educação do Município, Helder Botelho, é resultado de investigação iniciada pela Promotoria do Patrimônio Público de Corumbá que recebeu denúncia da existência do pagamento de "mensalinho" para que os parlamentares garantissem apoio político ao prefeito. Indicação de cargos na Secretaria de Educação, pelos vereadores acusados, também fazia parte do "acordo". 

"O caso foi compartilhado com a Procuradoria-Geral de Justiça, uma vez que compete ao procurador a investigação de crimes praticados por prefeitos. Fizemos a apuração, a investigação, solicitamos medidas cautelares ao Tribunal de Justiça que foram concedidas e em razão disso ajuizei uma denúncia em desfavor do prefeito municipal de Ladário e diversos políticos. Denúncia essa onde eu pedi algumas medidas, dentre elas, a prisão preventiva dele e vários outros agentes políticos, o que foi deferido pelo desembargador Emerson Cafure da seção criminal e foram cumpridas essas medidas pelo Gaeco por minha determinação", explicou o Procurador-Geral de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul, Paulo Cezar dos Passos, que veio a Corumbá acompanhar o desenrolar da operação no município vizinho.

Segundo ele, o "mensalinho" vinha sendo pago há pelo menos um ano, mas ainda não há o montante do acerto político. "Eram pagos valores de R$ 3.500, R$ 1.500, R$ 2.500, para membros da Câmara Municipal darem o apoio político ao prefeito de Ladário, segundo foi desvelado pelas investigações do Ministério Público", frisou. O salário mensal de um vereador é de R$ 6 mil. Os parlamentares acusados de participar do "conluio", teriam até mesmo barrado uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que averiguava denúncias de irregularidades na Saúde. 

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Prefeito Carlos Ruso é acusado de pagar para ter apoio político de vereadores

O procurador ressaltou que pediu a prisão preventiva (por tempo indeterminado) e o afastamento do cargo dos acusados, porque as provas obtidas durante a investigação são "contundentes" e muito graves. "Havia a necessidade do afastamento dessas pessoas do comando do município de Ladário e do Legislativo e também havia necessidade da prisão preventiva para evitar que esses crimes continuem a ser cometidos. Essa foi a argumentação que levei ao TJ e foi atendida pelo desembargador e expedidos esses mandados de prisão. Na visão do Ministério Público essas provas são contundentes, os fatos são graves e não é possível mais que pessoas que detêm o poder político tratem a coisa pública como se particular fosse, a sociedade não tolera mais atos de corrupção e o Ministério Público vai agir sempre com independência, rigor, com bom senso, mas principalmente cumprindo o que determina a Constituição e a Lei".

O Gaeco vinha acompanhando a movimentação dos acusados e segundo o procurador apreendeu pagamentos do mensalinho. "Os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo. Foram apreendidos vários desses pagamentos, porque já existiam medidas cautelares do Ministério Público em andamento, há comprovação, há apreensão desse dinheiro. Tínhamos o conhecimento do que vinha acontecendo e ao longo do tempo fomos investigando, apurando e conseguimos na visão do Ministério Público, comprovar a prática desses atos. O mensalinho era para aprovar o projeto político e atender aos interesses, principalmente do titular do Poder Executivo", reforçou Paulo Passos.

O Gaeco ainda apreendeu documentos na Prefeitura de Ladário e também esteve na Câmara Municipal, mas de acordo com o procurador tudo está sendo levado para Campo Grande, onde a investigação está concentrada. "Ainda não tive acesso aos autos de apreensão, então não posso esclarecer o que foi apreendido, mesmo porque depois da apreensão, temos que fazer toda uma perícia nesse material e concluir o laudo", afirmou.

Levados para Campo Grande

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Ação do Gaeco se concentrou na Delegacia de Ladário, de onde os presos foram levados para Campo Grande

Além do prefeito de Ladário e do secretário de Educação, Helder Botelho, os vereadores que tiveram a prisão preventiva decretada (por tempo indeterminado) e foram levados para o Centro de Triagem Anízio Lima, em Campo Grande são: Vagner Gonçalves, Agnaldo dos Santos Silva Junior, André Franco Caffaro, Augusto de Campos, Lilia Maria Villalva de Moraes, Paulo Rogério Feliciano Barbosa e Osvalmir Nunes da Silva.

Eles são acusados de crimes de associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, previstos no Código Penal. Os advogados de defesa que estiveram na Delegacia de Ladário, disseram que ainda estavam se inteirando da situação. 

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