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Queimadas seguem devastando o Pantanal; Corumbá ultrapassa os 3 mil focos e não há previsão de chuva

Leonardo Cabral em 05 de Agosto de 2020

Foto enviada ao Diário Corumbaense

Focos seguem devastando boa parte do Pantanal, em Corumbá

As queimadas seguem devastando o Pantanal de Corumbá. Na noite de terça-feira, 04 de agosto, mais uma vez, a cidade ficou encoberta pela fumaça. O município pantaneiro já ultrapassou os 3 mil focos de incêndios florestais.

Um dos focos está na região da Serra do Amolar. O Diário Corumbaense apurou que brigadistas do Ibama/PrevFogo estão na região há dias contendo as chamas, que de acordo com Ângelo Rabelo, do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), correm o risco de chegar àquela localidade.

“Os brigadistas estão na Serra Negra, que fica dentro da comunidade do Amolar, onde tem uma base do IHP. O fogo chegou à parede da divisa das reservas, mas até então, os focos foram controlados na margem oposta do rio, porém a nossa expectativa é manter o controle rigoroso para que as chamas não cheguem dentro das reservas”, explicou Rabelo.

O gestor do IHP informou que um sobrevoo junto com os bombeiros será feito. “Vamos percorrer essa região, para uma avaliação e ver a possibilidade e necessidade de envio de mais apoio, como militares dos bombeiros, no combate aos focos nessa área”, disse.

Foto enviada ao Diário Corumbaense

Brigadistas estão na Serra do Amolar contendo as chamas

De acordo com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Corumbá segue liderando o ranking de queimadas por cidades no Brasil. O município pantaneiro já totaliza 3.161 focos de queimadas. Nos cinco primeiros dias de agosto, a cidade tem um registro de 426 focos. Já nas últimas 24h, Corumbá contabilizou 242 focos de incêndios. 

O Pantanal, conforme o Inpe, já chega a quase 5 mil focos. Essa é a maior queimada das últimas duas décadas na maior área alagada do Planeta, com um total de 4.977 focos de incêndios florestais.

Clima não ajuda

Mesmo com o intenso trabalho para conter as chamas, o que ajudaria a aliviar a situação é a chuva. Mas, conforme a meteorologia, não há previsão para a região de Corumbá até o dia 21 de agosto. A cidade já está há mais de 40 dias sem chuva. Por conta disso, o solo está 22% mais seco que o esperado, somado ao fato de não ocorrer cheia na bacia do rio Paraguai este ano.

Foto enviada ao Diário Corumbaense

Meteorologista diz que queimadas continuam e chuva só após o dia 21

Segundo informações do meteorologista da Uniderp, Natálio Abraão, a seca na bacia pantaneira não se repete desde 1999. “Corumbá está há dias sem chuva. O solo está com 1% de água a 50 centímetros de profundidade, portanto, o risco de queimadas é de 100% e os focos devem voltar. Além da falta de chuvas na região, as temperaturas vão aumentar mais e devem ultrapassar os 35 graus nas próximas semanas. A umidade não entrará em níveis críticos, mas haverá a volta da fumaça e da névoa seca”, explica.

Mudança da coordenação para MT

Após mais de 40 anos de separação, os Estados de Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, voltam a se unir, para atuar por um bem comum, o Pantanal. Isso ocorre por conta dos combates às queimadas que seguem devastando o bioma.

O Centro de Coordenação da Operação Pantanal, que estava instalado no  6° Distrito Naval de Ladário, foi transferido para o estado do Mato Grosso. Agora, é a partir de lá que os trabalhos são coordenados.

Com a mudança de local, o Comando do 6º DN informou, por meio de nota, que as decisões tomadas são frutos da extensão da área de abrangência da operação e da constatação de que os focos de incêndio mais intensos são registrados na porção sul de Mato Grosso e norte de Mato Grosso do Sul. O objetivo é garantir os esforços no combate aos focos de incêndios em ambos os estados.

“Assim sendo, as ações desencadeadas pelas Forças Armadas e demais agências envolvidas serão ampliadas e a decisão de alterar o local dos Centros de Coordenação tem o propósito de buscar a economicidade no emprego dos meios, haja vista a proximidade da região do Sesc Pantanal com os pontos considerados mais críticos: Sul de Poconé (MT) e região de Mato Grosso do Sul ao sul de Porto Jofre. O 6º DN ressalta, ainda, que aeronaves e equipes mantidas em Corumbá e Ladário poderão ser empregadas de acordo com as necessidades”, menciona a nota.

Os meios e as ações da Operação Pantanal, deflagrada pelo Ministério da Defesa, serão empregados ao Sul de Poconé (MT) e ao sul de Porto Jofre. As ações de combate aos focos de incêndio em Corumbá são realizadas por equipe de brigadistas, bombeiros militares e apoio da aeronave Pantera, do Exército Brasileiro, que permanece na região.

Comentários:

Gilberto Guimarães: Uma solução que poderia ser adotada como forma de punição aos que fizeram isso, seria o boicote à carne do gado criado nessas áreas. Todos sabem que esses incêndios são criminosos. Alguns bandidos, travestidos de pecuaristas, que colocar fogo para limpar a área para pastagem. Agora é simples. É só proibir os frigorificos de comprar o gado dessas áreas, por um prazo de pelo menos 5 anos.

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