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Além de Corumbá e Ladário, queimadas também atingem cidades bolivianas

Leonardo Cabral em 29 de Setembro de 2021

Divulgação/3ºGBM

Fogo sendo contido na noite de ontem (28) na região do Morro do Urucum

Há pelo menos cinco dias, Corumbá e Ladário estão encobertas por uma densa camada de fumaça devido aos focos de incêndios que atingem o Pantanal e áreas próximas às cidades. Porém, a fumaça na área urbana, ocorre também devido aos focos registrados na cidade boliviana de Puerto Suárez, que juntamente com Puerto Quijarro, enfrentam o mesmo problema: muita fumaça e queimadas em vegetação. 

Os municípios fronteiriços desapareceram em meio a fumaça. A paisagem foi modificada e ao invés de cinzenta, a fumaça "amarelada" tomou conta da região na terça-feira (28). 

Do lado de Corumbá, há registros de focos de queimadas em diversos pontos na região pantaneira e também em morrarias. Na terça, incêndio que preocupava autoridades que integram a operação Hefesto, foi combatido no morro do Urucum. 

Nessa área, os focos, conforme o comandante da Operação Hefesto, tenente-coronel Meirelles, estão sendo controlados pelas equipes dos bombeiros. Os incêndios, que eram mais intensos até a noite de terça, estão sendo contidos hoje e já foi possível verificar as chamas bem mais baixas, porém com muita fumaça ainda no local. 

Ainda segundo relatos do tenente-coronel, durante à noite o combate foi intenso, as guarnições ficam na área até que o fogo seja totalmente controlado. “É um fogo de baixo para cima, dificulta muito o combate direto, a utilização de assopradores, bomba costal e abafadores. Hoje, nossa prioridade é verificar a possibilidade de mandar aeronaves, mas dependemos da visibilidade do Aeroporto estar aberto e avaliação do comandante das aeronaves devido o local ser bem alto”, explicou o tenente-coronel Meirelles.

Para Porto Esperança, mais homens foram deslocados nesta manhã para reforçar a frente de combate ao incêndio que iniciou na segunda-feira. São mais de 20 militares, além do apoio da comunidade e 12 brigadistas locais. 

Lado boliviano 

São pelo menos 10 municípios atingidos pelos incêndios na Bolívia, mas as frentes que mais preocupam são em Puerto Suárez, que fica a poucos quilômetros da fronteira com Corumbá. Nessa área, há preocupação do Governo de Santa Cruz. Já são 12 mil hectares queimados neste município da fronteira com o Brasil.

Adita Montaño, diretora de Recursos Naturais do Governo, informou que um dos incêndios em Puerto Suárez, precisamente na Laguna de Cáceres (região do Pimiento), tem duas frentes: uma de 10 e outra de 08 quilômetros. 

Reprodução/El Deber

Fogo no Parque Otuquis, do lado boliviano, em Puerto Suárez

Neste local, o fogo se alastrou e ficou incontrolável para os bombeiros que estão solicitando ajuda com maquinários pesados, para poderem fazer as linhas de contenção de fogo. Além disso, estão pedindo combustível para os veículos de emergência e comida para os voluntários. 

Por sua vez, o comandante dos bombeiros do Resgate Urbano, Hugo Vargas, comentou que o segundo incêndio em Puerto Suárez, que fica em Otuquis, havia sido controlado há uma semana, mas no domingo, vários focos de calor voltaram devido ao intenso calor e os fortes ventos. 

“A brigada de nossa unidade, formada por oito bombeiros voluntários, voltou a Puerto Suárez porque o fogo foi reativado e no fim de semana foi feito um sobrevoo para ver a área afetada e posteriormente foi realizada a estratégia de contenção”, comentou em entrevista ao jornal El Deber.

Queimada no Pantanal brasileiro

Conforme dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais - LASA/UFRJ, já foram queimados 1.313.825 hectares no Pantanal de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A maior área alagada do planeta está localizada entre os dois Estados, com a maior parte na cidade sul-mato-grossense de Corumbá. 

Divulgação/Bombeiros

Com fogo baixo na manhã de hoje (29), combate segue, mas há muita fumaça

Só na área que corresponde ao Pantanal de Mato Grosso do Sul, já foram consumidos pelas chamas 965.150 hectares. No Estado vizinho, a área queimada chega a 347.850 hectares. 

Nas últimas 48h, conforme dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Corumbá registrou 221 focos de queimadas. A cidade pantaneira tem mais da metade dos focos contabilizados em todo o Mato Grosso do Sul neste mesmo período de tempo: foram 249 registros. Em setembro, o número de focos de calor é de 1.814.

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