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Recursos federais podem bancar obras e remodelar Ladário, planeja prefeito reeleito

Nelson Urt - Especial para o Diário Corumbaense em 29 de Dezembro de 2020

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Orla portuária, pavimentação, assentamento e saúde são os focos de Iranil Soares

Os 329 votos que separaram o prefeito reeleito Iranil Soares do segundo colocado nas eleições de novembro podem parecer pouco, mas significaram quase uma eternidade por se tratar de um município em que os votos são disputados palmo a palmo. Mais que isso, asseguraram a manutenção de um projeto de saneamento econômico e restauração política, já que Iranil, que era vice, assumiu em meio ao caos estabelecido após o então prefeito, Carlos Anibal Ruso, ser preso e cassado. Pesou também favoravelmente o fato de Iranil ter adotado medidas de biossegurança eficazes dentro do Município, com barreiras sanitárias, toque de recolher e Centro de Enfrentamento da Covid-19 no auge da pandemia.

Passadas as duas tempestades e consciente de que 2021 será o ano de “pagar as contas” da covid-19 que ainda não se foi, ainda assim, Iranil aposta na superação e fala em “fé, amor e esperança” e “melhores dias” para o município até 2024. Investir na infraestrutura e na saúde de Ladário é sua principal meta, e para isso pretende continuar buscando recursos em Brasília, como já fez em duas viagens neste ano, mantendo contatos com senadores e deputados como Nelsinho Trad e Bia Cavassa.

O objetivo dele é asfaltar e lajotar ruas nos bairros, reconfigurar o solo e levar água para o Assentamento 72. Mas, sem dúvida, seus planos mais ambiciosos são reativar o Porto de Cargas (Portobras) e iniciar as obras do Porto Ecológico de Ladário, que daria nova cara à orla portuária ladarense e criaria uma área de lazer e turismo referência na região do Pantanal. Nesta entrevista ao Diário Corumbaense, o prefeito reeleito faz um balanço da sua gestão e conta detalhes dos seus planos para os próximos anos.

DC: No balanço de 2020 da sua administração o saldo foi positivo?

Iranil Soares:  Os dois anos finais de gestão não foram tão fáceis. Um deles com problemas reais, tivemos de montar uma equipe rapidamente, elaborar projetos e sanar problemas emergentes, conseguimos colocar a Prefeitura no rumo certo. E nesta gestão enfrentamos a pandemia e tivemos uma luta intensa, como outras cidades, o país, o mundo, mas conseguimos superar este momento por meio do empenho de cada funcionário e do apoio da população. É uma luta conjunta, o poder público com a comunidade. Tivemos um saldo razoável em 2020, graças a Deus conseguimos manter o controle, apesar das perdas de vidas humanas. Honramos com todos os compromissos. A saúde melhorou consideravelmente, a população reconheceu nas ruas. A infraestrutura foi melhorada com as lâmpadas de led. Tivemos a reconformação das ruas, principalmente na parte alta da cidade.  Além disso, conseguimos verbas por meio de emendas parlamentares para pavimentação de ruas, como a Riachuelo. Também investimos no Assentamento 72, onde foram reconformados mais de 25 quilômetros de vias e, além disso, com a disponibilidade da patrulha agrícola que ficou disponível para que pudessem ter apoio para iniciar o plantio que quisessem. O somatório de tudo foi muito bom, saldo positivo no ano.

DC:  O funcionário público teve perdas?

Iranil: Não, pelo contrário, observamos uma grande satisfação do funcionalismo público. Procuramos ouvir, atender dentro da legalidade e realidade financeira, aquilo que o funcionário estava almejando. Conseguimos dar dois reajustes, em 2019 e 2020, e implantar o tão sonhado Plano Cassems. Então, foi um ano bastante produtivo quando se pesa na balança, da forma como encontramos a Prefeitura, e os problemas provocados pela pandemia. Estamos conseguindo atender muitas demandas, sabendo que ainda temos muitas pela frente. Procuramos fazer de maneira coerente, dentro da legalidade e das condições econômicas, administrando bem, e assim conseguimos fazer alguma coisa útil para a sociedade ladarense.

DC: Como Ladário se organizou diante da pandemia?

Iranil:  Infelizmente tivemos perdas nas famílias, o que foi inevitável em todas as cidades. Às vezes não é falta de estrutura. Todos foram atendidos e acompanhados, a questão foi mesmo a resistência do ser humano. O que coube à Prefeitura foi feito. Primeiramente implantamos o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, o toque de recolher, as restrições necessárias, as barreiras sanitárias para controlar a entrada das pessoas, para identificar aqueles que estavam infectados. Controle pontual, e para isso tivemos de contratar mais 20 agentes sanitários por meio de um processo seletivo específico. Também organizamos as Patrulhas das 08h às 22h, rodando os bairros, divididos em áreas, cada uma tinha um carro disponível mais um agente sanitário para fazer esse controle. Depois iniciamos a busca de casa em casa, aferindo temperatura e oxímetro para ver se havia alguma anormalidade. O Centro de Enfrentamento à Covid-19, com uma equipe preparada, foi um marco na região. Ladário foi a princípio uma das sete cidades que conseguiram, através do cadastramento, trazer o Centro de Atendimento à Covid-19, e isso ajudou e tem ajudado bastante a população.

DC: Uma das maiores queixas no País foi que a covid-19 ajudou a desestruturar os outros setores da Saúde. Como Ladário trata da questão?

Iranil: Com relação a outras áreas da Saúde, medicação, atendimento, hoje podemos afirmar que acabaram as filas. Facilitamos o atendimento à população, ouvimos isso bastante durante a campanha. Ninguém precisa mais levantar de madrugada para ser atendido. Hoje, também temos a disponibilidade de especialidades na Policlínica. Queremos aperfeiçoar ainda mais a Saúde. Tivemos reformas na Policlínica e na Unidade Básica de Saúde Érico Valle. Pretendemos trabalhar com o funcionário público, capacitando-o para que ele entenda que deve atender da melhor maneira possível o cidadão, esse será um dos nossos alvos na Saúde. Atendimento mais humanizado. Vamos implantar alguns controles como a ficha eletrônica, cadastrada no sistema online.

DC: A rede pública de ensino teve perdas com a paralisação?

Iranil: Não. As aulas foram desenvolvidas em plataforma online. Todos os professores desempenharam muito bem seus papeis. Com relação ao ano letivo 2021 ainda não temos nada certo, mesmo porque a contaminação por covid-19 tem aumentado no Estado. Existe a possibilidade de continuar a plataforma online, mas sempre seguindo as recomendações do Estado, se vamos retornar com espaço físico ou virtual. Mas queremos fazer o que for mais seguro para nossas crianças e nossas famílias. O que for seguro é o que o Município vai seguir.  Vamos seguir a orientação do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Ladário juntamente com os técnicos da Educação.

DC: A pandemia paralisou os investimentos em obras na Educação? O foco saiu do espaço físico das escolas?

Iranil: Não, o maior investimento na Educação está sendo na Escola João Baptista. A obra está em andamento. Queremos entregar a escola antes da volta às aulas, se retornarem presencialmente de fato. É uma questão que não depende só da Prefeitura, mas da empresa que presta serviços, estamos com todos os pagamentos em dia e acompanhando a execução das obras.  O PSCIP (Processo de Segurança contra Incêndio e Pânico), aprovado pelo Corpo de Bombeiros, que era um problema sério de segurança, foi implantado em todas as escolas. Além disso, hoje a Secretaria de Educação licitou uma empresa para fazer a manutenção de pequenos reparos nas escolas e não há mais o inconveniente da espera de longo tempo para se fazer um conserto rápido.  Assim damos mais celeridade na realização das coisas.

DC: O Porto de Cargas é apontado como ponto chave na sua administração. Como está o processo de reativação?

Iranil: De fato, é um empreendimento de grande porte. Desde que assumi, em 2019, tenho empenhado para que possamos reativar o Porto de Cargas de Ladário, o Portobras. Até então temos lidado com a questão da burocracia. Para se ter uma ideia, ninguém sabia nem onde estava a matrícula desse porto, então teve-se que ir atrás. Hoje, temos a cessão provisória do Portobras, temos o projeto Mangueiro, o recurso também temos, para embarque e desembarque dos bovinos, e estamos trabalhando para conseguirmos a cessão definitiva do porto, e aí envolve também o licenciamento ambiental, outro processo.

DC: Como serão feitos os investimentos no Porto de Cargas?

Iranil: Avançando nessa parte de recursos e licenciamento, aí vamos começar a tratativa para atrair empresários, porque pensamos em montar uma PPP (Participação Pública e Privada) para que possam investir no porto. Trata-se de um potencial grande porque Mato Grosso do Sul cresceu bastante. Há uma necessidade de consumo e de mandar o produto para fora também. Reabrir um porto que estava parado há mais de vinte anos é um trabalho árduo, mas não vamos desistir, vamos continuar nos empenhando para que esse sonho ladarense se torne realidade, para que o porto volte a gerar emprego e o empresariado seja atraído para que Ladário seja um entreposto de grandes empresas.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Prefeito reeleito acredita que, principalmente, o primeiro semestre de 2021, vai ser difícil para os gestores públicos

DC: Como está o projeto para execução das obras do Porto Ecológico?

Iranil: É um projeto antigo, doado pela Vale a Ladário. Desde que assumi busco torná-lo realidade. O senador Nelsinho Trad se propôs a nos ajudar no processo. Nada é garantido. São questões e tratativas políticas, depende de recursos federais, mas estamos trabalhando para viabilizar esses recursos. Acho aquele projeto muito bonito. A gente vai fazer de tudo para não modificar o original, vai depender muito da questão ambiental. A proposta é fazer do nosso porto uma atração turística da região. Está orçado em 18 milhões e 251 mil reais, é o que Nelsinho Trad está tentando viabilizar para Ladário por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional. Hoje mesmo estive em contato com Brasília e a resposta foi favorável, espero que esse recurso se concretize.

DC: – E a busca por recursos federais em Brasília continua, envolve mais representantes?

Iranil: Exato, estive com o secretário de administração Luciano Jara em Brasília, no final de novembro, e conversamos com deputados e senadores. Estivemos com Simone Tebet, Soraya Thronicke, Nelsinho Trad, Bia Cavassa. Além do recurso que já havia destinado ao bairro Nova Aliança, de 1 milhão e 345 mil reais, para asfaltar ruas, asseguramos com a deputada Bia em torno de 1,4 milhão de reais para asfalto no Seac. Da senadora Soraya, mais 2 milhões de reais para fabricação de lajotas para pavimentação. Do deputado dr. Luiz Ovando, 800 mil reais para o projeto da rua Mestre Ary, um trecho de rua que traz bastante preocupação porque toda vez que chove há alagamento, no bairro Seac. Para este caso, fizemos um projeto para colocar manilhas maiores ali e drenar essa água fluvial toda. O recurso já está empenhado e provavelmente em janeiro estaremos licitando essa obra, que foi uma promessa de campanha.

DC: Como estão os planos para o Assentamento 72?

Iranil: Das duas vezes que estive em Brasília fui muito bem recebido pela Tereza Cristina, ministra da Agricultura. Ela destinou para Ladário 470 mil reais para aquisição de equipamentos agrícolas, para adquirir um trator, para puxar o arado, puxar o tombador, porque o solo do Assentamento 72 é muito compactado por ter sido uma área de fazenda. Precisávamos tombar e despertar a terra para que ficasse melhor para o trabalho. Queremos colocar o assentamento para produzir mais e dar um retorno para as famílias, para que queiram se fixar lá. Além disso vai ser adquirido plantadora de mandioca para colocar à disposição dos assentados, para que tenham uma qualidade de vida melhor.

DC: Quais são as outras propostas?

Iranil:  Outro projeto para o Assentamento 72 é a captação de água. Pretendemos construir essa captação na antiga pedreira, mas enviar água tanto para o Assentamento 72 quanto para a Codrasa (Baía Negra). Estamos tentando viabilizar recursos. Temos também o projeto da revitalização da avenida 14 de Março e do Mirante, que requerem mais recursos, mas estão sendo trabalhados. Além disso recebemos neste ano recursos para a Saúde em torno de 400 mil reais.

DC: Outro processo utilizado agora são os lajotamentos de ruas. Quais as prioridades?

Iranil: Existe a proposta de lajotamento de ruas do bairro Santo Antônio, entre elas a rua Dom Aquino, onde há um tráfego grande de veículos por ser uma extensão da avenida que corta o bairro corumbaense do conjunto Padre Ernesto Sassida, e a poeira por ali é muito grande. Esse trecho da rua Dom Aquino vai ser pavimentado com a lajota que estamos fabricando, já temos uma quantidade para umas quatro quadras. Sou bem claro: vamos sempre dar prioridade aos locais que tenham mais casas.

DC: O senhor planeja uma reforma administrativa em 2021?

Iranil: Na verdade, não temos nada projetado com relação a uma reforma administrativa. Mas vamos fazer a contenção, principalmente de gastos com pessoal. É o que tem gerado mais consumo no Município, então vamos dar uma revisada nessa situação a fim de adequar a Prefeitura à realidade econômica. Não temos intenção de prejudicar ninguém, de diminuir salário de ninguém, de tirar emprego, mas temos como gestor a responsabilidade de fazer com que a Prefeitura fique dentro das leis de gestão pública e da economia, porque senão a coisa começa a complicar. A Secretaria de Finanças está fazendo um estudo de como podemos lidar com essa situação, de maneira que tenha menos impacto na vida das pessoas. 2021 será um ano difícil. Porque é um ano em que a conta vai chegar. Principalmente o primeiro semestre vai ser mais difícil para os gestores públicos. É o momento em que a economia vai ter de se recuperar, mas vai precisar de um start.

DC: Qual a sua mensagem de final de ano?

Iranil: Nesse momento, que possam continuar observando as medidas de biossegurança, e que não deixem a fé, a esperança e o amor morrerem. A pandemia pode ter-nos retirado muitas coisas, mas nunca deixemos que ela retire de nossos corações o amor, a esperança e a fé, de que dias melhores virão, não só na nossa vida pessoal, mas também para nossa cidade, para o Brasil e o mundo. Desejo um ano de prosperidade, um ano em que as pessoas possam agir com sabedoria, possam refletir sobre tudo o que está acontecendo, que nunca deixem de se importar e se preocupar com o seu próximo. 

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