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Boliviana investigada em desastre aéreo com time da Chapecoense permanecerá presa

Leonardo Cabral em 24 de Setembro de 2021

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Os advogados de defesa, Rafael Vilagra e José Carlos dos Santos

Celia Castedo Monasterio, ex-funcionária da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea da Bolívia, permanecerá presa preventivamente. Foi o que informaram os advogados da estrangeria, em Corumbá, José Carlos dos Santos e Rafael Vilagra. Ela passou por audiência de custódia,  nesta sexta-feira, 24 de setembro.

Em entrevista no final da tarde desta sexta, eles explicaram que mesmo mantida presa, não  significa que haja culpabilidade dela no caso do desastre aéreo.

“O próprio juiz que presidiu a audiência de custódia não tinha atribuição para poder analisar o pedido de relaxamento de prisão em flagrante, na verdade, a determinação veio do ministro do Supremo (Gilmar Mendes). Qualquer documentação deverá ser endereçada ao próprio Supremo no momento certo, em que nós tivermos mais elementos para avaliar. Observando que não houve nenhuma ilegalidade, então houve a manutenção da prisão preventiva, repetindo que essa manutenção não desrespeita nenhum grau de culpabilidade ou fator que comprometa a defesa da Celia”, explicou o advogado José Carlos mencionando que ela estava de forma legal em Corumbá e se apresentava frequentemente na Polícia Federal.

Reprodução

Celia foi presa na quinta e passou por audiência de custódia nesta sexta

Ele ainda ressaltou que aguarda mais informações sobre o processo que tramita na Bolívia, onde Celia, conforme a própria família, não é considerada foragida da Justiça. “Não temos informações e nem acesso em que grau está o processo na Bolívia. Estamos fazendo o acompanhamento a partir de ontem e hoje, possivelmente tenhamos mais novidades na semana que vem e que poderão trazer elementos que possam contribuir para resolver essa questão no Brasil”, falou frisando que por conta disso ainda não há uma linha de defesa para a boliviana.

Celia foi presa nesta quinta-feira (23) pela Polícia Federal de Corumbá onde vive desde dezembro de 2016 quando teve o pedido de refúgio aceito pela Justiça brasileira, após justificar que na Bolívia passou a ser perseguida após declarações sobre o acidente com o avião da Chapecoense em 2016.

Ela era controladora de voo da Aasana (Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea) da Bolívia e é acusada de ter fraudado plano de voo e deixado de observar os requisitos procedimentais mínimos para que ele fosse aprovado no dia 28 de novembro de 2016. O voo transportava a delegação do time da Chapecoense, que caiu na Colômbia, matando 71 pessoas.

No entanto, a ex-funcionária afirmou que o voo não deveria ter saído, pois, como inspetora, teria alertado, mas depois de uma ordem superior da Direção Geral de Aeronáutica Civil, o avião foi liberado para seguir viagem para a Colômbia.

O plano de voo do avião apresentado pela companhia LaMia no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, de onde partiu a aeronave, teria tido pelo menos quatro pontos questionados pela funcionária responsável por verificar o documento. Entre eles, a autonomia do voo, já que houve preocupação de que a quantidade de combustível não fosse suficiente para cumprir o trajeto até Medellín, onde a Chapecoense disputaria a primeira partida da final do Sul-americano de futebol.  

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