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Carro levado durante sequestro é recuperado na Bolívia; um foi preso e vítima relata momentos de terror

Leonardo Cabral em 06 de Janeiro de 2022

Anderson Gallo/ Diário Corumbaense

Carro está na sede da Dirpove, em Puerto Suárez

Foi recuperado pela Direção de Investigação e Prevenção ao Roubo de Veículos (Diprove), o veículo Tracker, de cor azul, pertencente à diretora-adjunta da Escola Municipal José de Souza Damy, Roseli Nery de Andrade Bento, de 57 anos, vítima de roubo e sequestro relâmpago, junto com colega de trabalho, Renyer da Silva Ovando, de 33 anos, no final da tarde de quarta-feira (05). Os dois estavam na escola quando foram rendidos por três ladrões armados.

O carro foi encontrado por volta das 10h30, desta quinta-feira, 06 de janeiro, em um campo de futebol abandonado, no bairro Conavi, local afastado da cidade fronteiriça de Puerto Suárez.

Ao Diário Corumbaense, o comandante da Diprove, Luis Eduardo Suárez López, disse que as buscas iniciaram assim que eles foram informados do fato por policiais civis de Corumbá. Os pontos de saída e entrada que dão acesso a região de fronteira e cidades próximas foram fechados.

Anderson Gallo/ Diário Corumbaense

Comandante da Diprove Luis Eduardo Suárez López

“O controle em cada estrada foi intensificado e, então, encontramos o veículo. Estava com as portas abertas e abandonado neste bairro, que fica afastado da cidade. Presumimos que os autores levariam o carro para outra região, mas como as vias foram fechadas, decidiram abandonar o veículo nessa área. Acionamos o laboratório especializado e identificamos o carro, que estava sem o GPS, foi retirado”, disse Luis Eduardo Suárez López que completou informando que “o carro será devolvido daqui uma semana, pois estamos na etapa ainda de investigação, na tentativa de chegarmos aos envolvidos”, frisou.

Um preso

A este Diário, o delegado de Polícia Civil, Luca Venditto, que esteve na sede da Diprove junto com a professora Roseli, revelou que um dos autores, identificado pelas iniciais R.M.S.S., de 20 anos, foi preso nesta quinta-feira. Ele tem passagem pela Polícia por roubo. 

“Ele foi preso na rua Monte Castelo, bairro Popular Velha quase em frente à sede de uma rádio. Não foi ouvido, mas em entrevista formal confessou participação no crime. Ele falou que receberia um dinheiro por conta do ‘serviço’. Estamos levantando mais elementos. Temos imagens de segurança que podem ajudar”, explicou o delegado.

Anderson Gallo/ Diário Corumbaense

Delegado Luca Venditto confirmou que um dos autores foi preso

Luca Venditto destacou a integração entre as autoridades dos dois países para combater este tipo de crime. “A nossa região é muito conhecida por ter esses crimes, como receptação, roubo e furto de veículos, então, a gente está cada vez mais deixando mais solido essa parceria com a Dirpove, e estamos tendo contato para ter essa troca de informação mais rápida e fazer com que esses crimes não fiquem sem resposta”, contou.

O roubo: “fecho meus olhos e vejo toda a cena ainda”

Roseli Nery e Renyer da Silva estavam cumprindo expediente administrativo; os alunos e professores estão de férias. O trio chegou, rendeu os dois na secretaria, amarrando-os e vendando-os. Um deles saiu para pegar o carro da diretora, um Chevrolet SL/Tracker, que estava estacionado fora da escola. Em seguida, eles entraram no prédio com o veículo e fugiram levando os dois servidores.

Roseli não se esquece da cena em que foi rendida junto com o colega. “No momento em que eles nos renderam, pensei que ia tomar um tiro. Os três estavam armados e muito nervosos. Fomos retirados da escola e levados para outra casa, não sabendo onde fica. Estávamos com as mãos amarradas e olhos vendados e a todo o momento eles falavam para gente abaixar a cabeça. Chegamos na casa, nos tiraram do carro e nos colocaram dentro de um banheiro. Ficamos lá por três horas e, eles estavam negociando o carro”, relembrou Roseli ao Diário Corumbaense.

Neste momento, ela disse que os ouvia negociarem o automóvel dela. “Falavam que não estava dando certo o negócio e estavam esperando que o contato deles aqui da Bolívia desse uma resposta positiva. Só que demorou, até que eles conseguiram negociar e aí, levaram a gente para outro carro e nos abandonaram numa ribanceira. Nisso, um rapaz do aplicativo passou e ouviu a gente gritando. Quando reencontrei minha família, foi um momento de muito alívio, de gratidão à equipe da Secretaria Municipal de Educação, amigos e familiares”, afirmou.

Anderson Gallo/ Diário Corumbaense

"O mais importante de tudo isso, é saber que estou viva e que a gente não sofreu nada", disse a professora

Perguntada pela reportagem sobre os ladrões, ela afirmou que desconfia que já vinha sendo vigiada. “Tenho certeza que eles estavam me vigiando faz horas, até mesmo pelo fato de um deles dizer a todo momento: ‘tia, nós já estávamos flagrando a senhora já tinha tempo. Estávamos observando a senhora’. O mais importante de tudo isso, é saber que estou viva e que a gente não sofreu nada. Só o psicológico está abalado, mas sobrevivemos. Rezei tanto. Momentos de terror, saber que está com armas apontadas na cabeça, é terrível”, resumiu.

Os ladrões ainda levaram aliança, corrente, documentos, cartões de crédito e celulares das vítimas. As investigações prosseguem em Corumbá e na Bolívia.

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