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Não foi a primeira vez que pai “sumiu” com filho, diz delegada

Leonardo Cabral em 19 de Fevereiro de 2021

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Coletiva de imprensa aconteceu na manhã desta sexta-feira e delegada disse que pai segue preso

Essa não foi a primeira vez que Fernando Souza Pereira, pai de Fernando Henrique Santos Pereira, de 11 anos, “desapareceu” com o garoto. Há cerca de quatro anos, ele “armou” a mesma situação, mantendo o menino na casa da avó, após uma separação. Ele disse à mulher, Cristiane Santos Lima Pereira, que o filho teria sumido, conforme a delegada responsável pela investigação, Tatiana Zingier e Silva, em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (19) na Delegacia Regional de Polícia Civil de Corumbá. 

“Em conversa com a mãe, durante depoimento, ela contou que o casal havia brigado e o filho ficou com o pai. Posteriormente, ele entrou em contato com a mãe, dizendo que a criança teria sumido e que  estava indo registrar o boletim de ocorrência na Delegacia, na época. Porém, quando chegou lá, ele se encontrou com ela e disse que não iria mais registrar o BO, pois já estava tudo resolvido. Ele fez o filho mentir para a mãe que tinha fugido, se perdido, mas depois que os ânimos se acalmaram, o garoto, então, contou pra mãe que tinha sido um plano do pai para reatar e, eles, voltarem a ser uma família outra vez”, revelou a delegada.

Por essa linha de investigação, Tatiana Zingier acredita que ele também armou tudo dessa vez, para que, possivelmente, a mulher reatasse o casamento. Ela mencionou que o que chama a atenção é a frieza como ele se manteve durante todo o período em que supostamente o filho estava desaparecido.

“Soube do caso pelas redes sociais. Entrei em contato pelos telefones que já haviam sido divulgados, pois não se espera 24h para realizar buscas a pessoa desaparecida, ainda mais se tratando de uma criança e pelo fato de estarmos em uma área de fronteira. No entanto, em nenhum momento, em contato com o pai, ele apresentou ser suspeito, ao contrário, estava na busca pelo filho, porém, sempre com a desculpa de querer se encontrar com a mãe da criança, que tem uma medida protetiva devido a casos de agressões físicas”, disse a delegada. “Ele mobilizou uma cidade inteira, a família dele toda e afirmou em depoimento que fez isso porque havia negligência por parte da mãe com o filho. Ele ainda revelou que não pegou a criança, e, sim, o menino apareceu em sua casa, à noite, porém, não acreditamos nessa versão. Brincou com toda uma comunidade e disse que se sente arrependido pelo que fez e que só não contou a verdade antes, porque percebeu que a situação havia tomado grande proporção e estava com medo da reação das pessoas”, completou.

A delegada também disse que durante depoimento do pai, antes de revelar que estava com o filho, ele afirmou que não mantinha contato com a criança desde a separação da ex-mulher, há cerca de um mês. “Ao ser ouvido, ele tinha dito primeiro que não mantinha contato com o filho desde que se separou da mãe. Porém, quando veio à Delegacia para saber informações do paradeiro do filho, os investigadores chegaram e me informaram que o Fernando (pai) estava colocando créditos de celular em um telefone que pertence a um amigo do filho. Ao saber, eu o indaguei e ele confirmou que estava em contato com a criança três dias antes do sumiço. Foi então, que ao ser perguntado novamente, ele de forma calma, revelou que estava com o filho e o mantinha na casa de uma irmã dele, onde estava deitado em um colchão dormindo na companhia de outra criança”, falou Zingier.

Em meio a toda a turbulência, Fernando ainda chegou a pedir para Cristiane a certidão de nascimento e a carteira de vacinação do filho. “Ele já tem a carteira de identidade da criança e o CPF, conforme a mãe contou e durante as buscas, ele ainda pediu esses outros documentos, que nos leva a crer, que poderia fugir com o menino, ainda mais por estarmos localizados em uma área de fronteira”, pontuou a delegada.

Fernando Souza Pereira segue preso e será indiciado pelo crime de sequestro e descumprimento de medida protetiva.

Moradores da casa

Já em relação aos moradores da casa onde a criança foi achada, no bairro Popular Nova, parte alta da cidade, a delegada informou que ainda não há certeza da participação deles, que são parentes de Fernando.

“A gente não tem certeza sobre a participação e sobre real conhecimento que essas pessoas tinham sobre o caso. Porque, como o Fernando é uma pessoa fria e manipuladora, tanto é que ele manipulou uma cidade inteira, a gente não consegue afirmar categoricamente que essas pessoas, familiares dele, tinham conhecimento total do fato, mas se achar que existe elemento suficiente para imputar a participação deles nesse crime específico de sequestro, eles serão indiciados também”, explicou a delegada frisando que durante as buscas estiveram empenhados policiais da Delegacia Regional da Polícia Civil, do 1º Distrito Policial, da Delegacia da Mulher e também da Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude. 

“Juntamos forças para encontrar a criança, mas na verdade ela estava sendo mantida em casa e fechada, proibida de sair, porque o pai estava com medo das reações da mãe. Tudo que ele queria era conversar pessoalmente com ela. É muito assustador. Ele é muito frio, joga com as pessoas para que alcance aquilo que ele quer”, finalizou Tatiana Zingier.

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