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José de Souza Damy já desenvolve projeto da escola Cívico-Militar em Corumbá

Leonardo Cabral em 06 de Março de 2020

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Alunos vão pouco a pouco se "encaixando" no modelo do programa federal

Pontualidade e apresentação (uniforme). Essas são normas já estabelecidas dentro do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, implantado na Escola Municipal José de Souza Damy, localizada no bairro Cristo Redentor, parte alta de Corumbá.

A metodologia de trabalho teve início logo na abertura do ano letivo na instituição de ensino, única de Mato Grosso do Sul, pertencente à Rede Municipal,  contemplada pelo programa do Governo Federal, já que as outras unidades educacionais são da Rede Estadual. Ao todo, 54 escolas fazem parte do programa em todo o Brasil neste primeiro ano.

Conforme o professor Rooney dos Santos Souza, que também é representante da Secretaria Municipal de Educação junto à Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares do MEC,  a unidade José de Souza Damy foi escolhida por preencher os requisitos exigidos pelo programa. Ainda participaram da entrevista ao Diário Corumbaense, a professora Marcia Ivana do Amaral, diretora da escola; a professora Roseli Neri de Andrade Bento, diretora-adjunta e o professor Diego Rodrigues da Silva, coordenador pedagógico da escola no programa.

“Entre as exigências, a escola se encaixa em ter entre 500 a mil alunos matriculados regularmente no Ensino Fundamental; baixo índice no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), a questão da vulnerabilidade social e escolar, mostrada também através de uma pesquisa (região com altos índices de droga e criminalidade), por Corumbá estar localizada na faixa de fronteira. O mais importante para que a escola fosse escolhida foi a consulta à comunidade escolar, ou seja, pais, alunos e os profissionais da educação aprovaram o programa no Damy”, explicou Rooney dos Santos.

Outro ponto que contribuiu para que a escola fosse escolhida foi a condição de se ajustar no horário para funcionamento. “O programa visa atender alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, então no caso da escola Damy, nós tivemos a condição de ajustar os horários para que somente num período o funcionamento se dedicasse ao ensino fundamental II, que é o do 6° ao 9° ano, podendo assim, ser outro ‘peso’, para que fossemos escolhidos”, completou Rooney.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Equipe responsável pelo programa diz que foi possível sentir boa receptividade por parte dos alunos

O professor ainda frisou que o principal eixo trabalhado dentro do programa junto aos alunos são os valores sociais, familiares, que serão desenvolvidos com base no respeito, cidadania e o desempenho.

“O foco do programa é fazer com que a escola consiga desenvolver um ensino de qualidade, garantindo espaço seguro e tranquilo para o aluno, onde ele tenha um desempenho melhor e de alto nível. Neste processo, os principais problemas que serão combatidos é o baixo rendimento, desempenho escolar do aluno, combater a possibilidade do aluno ingressar no meio da violência, drogas, fazendo com que ele se dedique a um ambiente exclusivo aos estudos, aprendendo práticas para a vida social, pois a família estará envolvida, ela será coadjuvante”, mencionou o técnico da Secretaria de Educação.

A gestora da escola, Márcia Amaral, fez questão de reforçar que a decisão de ter o projeto na instituição não foi imposto, mas sim aceito por toda a comunidade escolar e acrescentou que esse trabalho deve refletir de forma positiva não só na escola, como também em toda a comunidade.

Ela também relatou que desde o primeiro dia de aula, já foi possível sentir uma receptividade por parte dos alunos em relação à adesão ao programa. “A equipe tem conscientizado como que vai ser o padrão de postura, hábitos, ou seja, temos a certeza de uma reeducação, como a pontualidade, o compromisso, respeito. Tudo isso já começa no horário de chegada. A própria caracterização, o uniforme que identifica que é o aluno da rede, aluno do programa, tudo está sendo gradativamente ensinado, e sentimos que eles estão abertos e receptivos com esse novo aprendizado. É possível ver que estão ansiosos para iniciarem a nova rotina escolar, bem como os pais e profissionais que aqui atuam”, disse.

Militares na escola

A partir de abril, entre oito e nove militares da Marinha do Brasil, entre eles, um oficial, já estarão presentes na escola. Porém, mesmo com eles na unidade, o programa não mudará o que o Município oferece dentro da grade curricular, apenas será acrescentada uma disciplina: “Valores”, que ficará sob responsabilidade dos militares, que serão monitores. Por conta da disciplina, quando ela for aplicada, a turma deverá ter o horário de saída estendido até às 17h50. 

Eles desenvolverão conteúdos relacionados ao civismo, cidadania, direitos, deveres, seguindo essa linha de pensamento, o horário de aula foi alterado, porém a grade curricular será a mesma das outras escolas. A disciplina Valores e algumas outras atividades que serão desenvolvidas com a Marinha e outras instituições, seguindo uma hierarquia, terá um oficial que será diretor junto com a gestora.

Entre as atividades, o militar terá o papel de monitorar desde a entrada do aluno, fazer a recepção, a organização do pátio, trabalhando a ordem disciplina, fazendo os atos cívicos diários, principalmente entoando o Hino à Bandeira, Hino Nacional, o da escola e o de Mato Grosso do Sul.

Já dentro da sala de aula, será um momento de troca de experiência entre os militares e estudantes, onde serão abordados assuntos como violência em casa e combate ao bullyng.  “Serão preparados para terem ciência do ocorrido, tendo também o melhor poder de decisão entre o certo e errado. Os miliares serão responsáveis por esses assuntos, já trabalhados pela equipe de professores no currículo escolar”, mencionou Rooney, reforçando que os militares chegam para somar e que os professores seguem com seu trabalho normalmente, não sendo afetados de maneira alguma. Os militares que atuarão junto aos alunos já tem algum trabalho ligado à educação, passando também por formação, assim, como a equipe do programa na escola participou em Brasília.

O professor Diego Rodrigues da Silva, coordenador pedagógico da escola no programa,  vai manter contato direto com os militares e também alunos. “Vamos atuar primeiro no trabalho de civismo, retomando essa ordem de valores, como agora, no dia 12 de março, ainda sem a presença dos militares, teremos um evento onde colocaremos em prática atividade voltada ao civismo em comemoração ao Dia Internacional da Mulher”, falou Diego informando que os todos os pais ou responsáveis pelos alunos deverão assinar um contrato, que explica os trabalhos que serão desenvolvidos com os estudantes. “Digo contrato, pois está inserido dentro do manual que é o regimento interno mostrando o que vai acontecer, por meio das ações realizadas”, disse ao reforçar que os pais devem ter a responsabilidade do acompanhamento nos estudos.

Ansiosos com a chegada dos militares

Os alunos do 6° ao 9° anos estão ansiosos com a chegada dos militares. Para eles, toda a transformação é vista como um futuro, ou seja, um planejamento de trabalho que irá contribuir na vida escolar, pessoal e profissional.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Kamily Arias da Silva, estudante do 8° ano, falou que está contente com as mudanças

Kamily Arias da Silva, aluna do 8° ano, e que frequenta a escola desde a 1ª série do ensino fundamental, disse que está contente com as mudanças, pois vê nelas, uma oportunidade de melhorar ainda mais. “Com o programa tenho certeza que iremos ter um aprendizado mais rígido e melhor. Vejo que isso é muito bom não só para mim, como para meus colegas e fiz questão de permanecer na escola, pedindo aos meus pais, assim que soube que ela seria cívico-militar”, revelou Kamily  a este Diário.

Com o mesmo pensamento, Ewerton Junior Lopez de Arruda, do 8° ano, falou que vai aproveitar cada oportunidade. “Já vim com calça, uniforme e tênis, segundo o que se pede. Espero poder aprender muito mais e poder levar esse aprendizado para casa também”, comentou.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Lorhan Moura pediu aos pais para ser transferido para a escola assim que soube que ela receberia o programa: "estou feliz"

Vindo de outra escola, Lorhan Moura Calonga, do 6° ano, afirmou que fez questão de se matricular na unidade assim que soube que iria ser uma escola cívico-militar.  “Pedi para meus pais e eles vieram fazer a minha matrícula. Estou muito feliz, pois vejo que será uma chance de aprender ainda mais e a presença dos militares vai melhorar o funcionamento da escola e o comportamento dos alunos”, destacou.

A Escola Cívico-Militar

O Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares é uma iniciativa do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Defesa, que apresenta um conceito de gestão nas áreas educacional, didático-pedagógica e administrativa com a participação do corpo docente da escola e apoio dos militares. A proposta é implantar 216 Escolas Cívico-Militares em todo o país, até 2023, sendo 54 por ano.

O modelo a ser implementado pelo Ministério da Educação tem o objetivo de melhorar o processo de ensino-aprendizagem nas escolas públicas e se baseia no alto nível dos colégios militares do Exército, das Polícias e dos Corpos de Bombeiros Militares.

Os militares atuarão no apoio à gestão escolar e à gestão educacional, enquanto professores e demais profissionais da educação continuarão responsáveis pelo trabalho didático-pedagógico. Participam da iniciativa,  militares da reserva das Forças Armadas, que serão chamados pelo Ministério da Defesa. Policiais e Bombeiros militares poderão atuar, caso seja assim definido pelos governos estaduais e do Distrito Federal.

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