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Mesmo com tempo chuvoso, fronteira da Bolívia com Corumbá continua fechada

Leonardo Cabral em 08 de Novembro de 2019

Diário Corumbaense

Mesmo com tempo chuvoso, bloqueio na fronteira segue sem previsão de reabertura

Nem a chuva que cai na região pantaneira, nesta sexta-feira, 08 de novembro, desanimou os manifestantes na área de fronteira da Bolívia com Corumbá, que permanece fechada. Já são 17 dias sem tráfego de veículos entre os dois países. 

Sobre a situação, a presidente do Comitê Cívico Feminino de Puerto Quijarro, Rosário Hurtado de Gallardo, falou que a mobilização deve “apertar” um pouco mais. “Mesmo com a fronteira fechada estávamos deixando alguns carros passar. Agora não mais. Somente será permitida a passagem de ambulâncias e casos de extremamente urgência. Os pedestres continuam tendo livre acesso. A fronteira seguirá fechada até que tenhamos respostas dos Comitês Cívicos que estão na cidade de La Paz, para a entrega da carta de renúncia do presidente Evo Morales”, explicou  Rosário Hurtado ao Diário Corumbaense.

O comércio na região de fronteira permanece aberto até o meio-dia e na parte da tarde fecha as portas. Só na região que corresponde de Puerto Quijarro a Roboré, sete pontos de bloqueios na estrada Bioceânica permanecem. Em algumas áreas, os manifestantes colocaram montes de terras e pneus para impedir o tráfego de veículos tanto de passeio como do transporte pesado.

As saídas de ônibus de viagens também seguem suspensas e os terminais rodoviários de Puerto Quijarro e Puerto Suárez permanecem fechados. Clima de tensão toma conta em algumas cidades bolivianas, onde há registro de enfrentamentos entre os manifestantes favoráveis e contra a Evo Morales, eleito no último dia 20 de outubro para o quarto mandato. Os opositores afirmam que houve fraude no processo de apuração dos votos. 

A carta

A carta de renúncia deve ser entregue ao presidente Evo Morales, na próxima segunda-feira, pelo presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz de La Sierra, Luis Fernando Camacho, que afirmou não retornar para Santa Cruz de La Sierra até que a Bolívia seja livre. “Até que tenhamos um novo horizonte, esperança e liberdade para o nosso país”, declarou Camacho durante encontro com lideranças políticas em La Paz.

Já o presidente Evo Morales afirmou, mais uma vez, que o voto do povo está sendo desconhecido. “Antes, como eles olhavam para nós? Como eles nos tratavam? Com humilhação, opressão, discriminação contra o movimento indígena. Não apenas na colônia, mas na República e durante o modelo neoliberal. Havia um estado de impostores, com certeza eles sonham que vamos sair. Não é sobre Evo, mas é sobre o povo e este povo não vai sair”, disse o presidente boliviano. Com informações do jornal El Deber.

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