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Governo de Evo Morales diz que receberá carta de renúncia; fronteira segue fechada

Leonardo Cabral em 07 de Novembro de 2019

Diário Corumbaense

Pelo 16° dia, fronteira da Bolívia com Corumbá, está fechada

Aguardando determinações do presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz de La Sierra, Luis Fernando Camacho, que está na cidade de La Paz, para entregar a carta de renúncia ao presidente Evo Morales, a fronteira das cidades bolivianas de Arroyo Concepción, Puerto Quijarro e Puerto Suárez com Corumbá, segue fechada nesta quinta-feira, 07 de novembro. A mobilização entra no seu 16° dia de protestos tanto na faixa de fronteira entre os dois países, como em todo o território boliviano.

Ao Diário Corumbaense, a presidente do Comitê Cívico Feminino de Puerto Quijarro, Rosário Hurtado de Gallardo, falou que aguarda determinações dos Comitês Cívicos, que devem se reunir hoje, em La Paz.

“Vamos aguardar esse encontro das lideranças políticas, tanto de La Paz e da cidade El Alto, para saber se seguimos com as manifestações, é nossa luta pela democracia”, disse se referindo à chegada de Luis Fernando Camacho em La Paz, depois de uma tentativa frustrada no começo da semana.

Na região da província de German Busch, conforme, Rosário Hurtado, o setor de transporte pesado também se juntou aos manifestantes que estão concentrados na região da ponte que separa a Bolívia de Corumbá.

No local, montes de terra e entulho, caminhões e carros de passeios estão atravessados na ponte, impedindo o tráfego de veículos. A passagem apenas é liberada a pé e somente para casos de emergência, como ambulâncias. Além disso, empresas do governo estão paradas também, já que os trabalhadores são impedidos de entrar nos prédios.

Pontos de bloqueios na estrada Bioceânica, impedem a saída e chegada de ônibus de viagens nas cidades fronteiriças com Corumbá. Os terminais rodoviários de Puerto Quijarro e Puerto Suárez, onde o fluxo de passageiros é sempre intenso, estão fechados.  

Vice-presidente

O vice-presidente Álvaro García Linera, respondeu aos ataques ao governo, direcionado ao presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz de La Sierra, Luis Fernando Camacho, dizendo que a renúncia de Evo Morales, seria “enterrar a democracia”.

García Linera também se pronunciou sobre os confrontos violentos registrados nas últimas horas, que levaram à morte de um jovem em Cochabamba e ataques a prefeita de Vinto, em meio a protestos que denunciam “fraude” na eleição presidencial de 20 de outubro que garantiu o quarto mandato a Morales. 

“A mensagem é que não haja mais violência, que ninguém mais quer ver mortos ou agredidos.O governo está contendo e resistindo às agressões, não está mobilizando forças para enfrentar, simplesmente contém com paciência as provocações. O governo não está atacando e nem vai atacar, mas sim, irá proteger a democracia, os cidadãos. Se os perdedores não atacarem, o conflito termina, o ataque vem deles”, afirmou o vice-presidente boliviano.

García Linera antecipou que o governo receberá a carta de renúncia de Camacho como a de qualquer cidadão. “Se tivéssemos perdido, teríamos saído agradecendo o voto do povo. A auditoria estabelecerá se houve ou não fraude”, acrescentou, insistindo que sejam esperados os resultados da OEA (Organização dos Estados Americanos) responsável pela auditoria no processo de eleição. Com informações do jornal El Deber. 

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