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Com fronteira fechada, bolivianos vão às urnas nas Eleições Gerais

Leonardo Cabral em 20 de Outubro de 2019

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

A fronteira entre Corumbá e Bolívia deve ficar fechada até às 18h de hoje

A fronteira entre Corumbá e a Bolívia amanheceu fechada neste domingo, 20 de outubro, por causa das Eleições Gerais, que acontecem hoje, no país andino, para a escolha do presidente, vice-presidente, deputados e senadores, para mandato no período de 2020 a 2025.

O fluxo de pedestres é grande porque muitos bolivianos que moram no território brasileiro cruzam a ponte que limita os dois países para exercer o voto. Carros foram colocados na pista para impedir o tráfego entre Corumbá e as cidades de Puerto Quijarro, Puerto Suárez e Arroyo Concepción, sendo que em território boliviano, como previsto em lei, a circulação de veículos é proibida, apenas os autorizados podem trafegar.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Na escola de Arroyo Concepcíon, pouco mais de 4 mil bolivianos devem votar

Em um dos locais de votação, na escola UE La Frontera, em Arroyo Concepcíon, desde cedo o movimento de eleitores é intenso. Só nesse espaço educacional, conforme o Notário Eleitoral responsável pelo local de votação, Júlio Cesar Ângulo, há cerca de 4.180 eleitores aptos ao voto.

“Esse é um momento importante para nosso país, vamos eleger os nossos representantes para os próximos cinco anos. Os bolivianos têm a decisão de manter o mesmo presidente ou colocar como representante do povo um novo chefe de Estado, lembrando que aqui na Bolívia, conforme a lei, o tempo de votação é de 08h e o eleito pelo povo precisa ter 50% dos votos mais um ou 40% com diferença de dez pontos para o concorrente”, esclareceu Júlio ao Diário Corumbaense frisando ainda que mesmo em território boliviano, há brasileiros votando também. “Esses brasileiros foram habilitados pela Corte para ajudar a eleger os nossos representantes”, completou.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Aurélia Belis Valencia, de 65 anos, durante voto para presidente

Orgulhosa por poder estar exercendo o papel de cidadã, Aurélia Belis Valencia, de 65 anos, falou que enquanto puder, irá participar das Eleições. “Estou ciente que esse momento é importante, para que possamos eleger o melhor para o nosso país. Venho e faço a minha parte”, declarou.

Votação em Corumbá

Ao todo, de acordo com os dados do Padrón Electoral, 7.315.364 bolivianos vão às urnas tanto em território andino como em outros 33 países. Desse total, 231 estrangeiros, considerados “empadronados”, ou seja, cadastrados, votam na Escola Cyríaco Félix de Toledo, localizada na rua Major Gama, entre a Treze de Junho e Delamare, bem no Centro de Corumbá.

Como previsto, a votação teve início às 08h, com previsão de encerramento às 16h, conforme informou o cônsul da Bolívia, Armando Pacheco Gutierrez. Ele ainda ressaltou a este Diário, que desde às 07h30, já havia eleitores na fila aguardando para exercer sua cidadania e que o pleito segue de forma tranquila na região pantaneira.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Cônsul da Bolívia, Armando Pacheco Gutierrez, falou que votação segue até às 16h

“Aqui temos 231 bolivianos cadastrados e que têm o direito ao voto. Esse é um momento importante para o país e o povo boliviano, que está aqui ajudando a eleger os seus representantes, mesmo sabendo que os compatriotas que vivem fora do país têm o voto voluntário, não é obrigatório”, disse o cônsul da Bolívia.

Ele ainda ressalta que após o término da votação o resultado será enviado a La Paz, capital da Bolívia. “Imediatamente os cinco jurados revisam as atas juntamente com a Notaria Eleitoral. Logo depois, dos resultados apurados, é enviado ao sistema em La Paz para a computação geral”, explicou.

Morando em Corumbá desde os 11 anos de idade, a boliviana Carmen Seoane Moreno, que atualmente está com 78 anos de idade, disse que se sente privilegiada em exercer o papel de cidadã.

“O meu voto não é mais obrigatório e moro fora da Bolívia desde os 11 anos. Só por essas duas razões eu não tinha obrigação de estar aqui. Porém, meu compromisso enquanto boliviana, para com meu país, me faz vir exercer a cidadania. Espero que o povo possa eleger o melhor e que a Bolívia possa crescer sempre”, afirmou Carmen Seoane.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Carmen Seoane acompanhada da filha Sarlete (à esquerda) durante votação em Corumbá

A filha de dona Carmen, Sarlete da Conceição Seoane, que também vota em Corumbá, mencionou que o momento que a Bolívia vive é de extrema importância. “Estamos aqui ajudando a escolher pessoas que nos representem e que dada a confiança, honrem o compromisso de lutar por uma Bolívia cada vez melhor”, pediu.

A estimativa, conforme o Consulado Boliviano, cerca de 4 mil bolivianos moram em Corumbá, mas apenas 230 pessoas se cadastraram para votar aqui no município neste domingo. Boa parte atravessa a fronteira para votar na cidade de origem.

Em todo o Brasil, mais de 45 mil bolivianos estão aptos ao voto, segundo o Tribunal Supremo Eleitoral Boliviano. As eleições gerais também são realizadas em 33 cidades no exterior, onde existem residentes bolivianos. No exterior, 341.001 bolivianos foram cadastrados e, para isso, o TSE habilitou 165 locais de votação distribuídos em 33 países.

Pelo Brasil, há votação em Epitaciolândia (AC), Brasília, Rio de Janeiro, Cáceres (MT) e Guajará Mirim (RO), Corumbá, além de mais 15 locais em São Paulo.

Evo na disputa mais uma vez

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Na Bolívia são 08h de votação, conforme a Lei do país

E mais uma vez o atual presidente da Bolívia, Evo Morales, concorre ao pleito, após decisão do Tribunal Constitucional da Bolívia em novembro de 2017, aprovar a reeleição para presidente, apesar do resultado do referendo de 2016, quando os bolivianos votaram majoritariamente pelo “Não”, e Morales perdeu. No entanto, Evo recorreu ao Tribunal Constitucional, conseguindo autorização para ignorar a Constituição e ser candidato em 2019.

Conforme pesquisas eleitorais, Evo Morales aparece liderando as intenções de votos e pode ser eleito no primeiro turno. Pela lei eleitoral daquele país, o candidato precisa ter 50% dos votos mais um ou 40% com diferença de dez pontos para o concorrente.

Evo Morales vai em busca do seu quarto mandato e poderá se manter no poder do país vizinho por 19 anos, sendo consagrado o chefe de estado latino-americano que está há mais tempo no poder.

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