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Região de fronteira entra no segundo dia de protesto por mais recursos para combater o coronavírus

Leonardo Cabral em 03 de Junho de 2020

Jornalista Pikinho Mejia

Segue bloqueio na fronteira nesta quarta-feita (03)

A região de fronteira da Bolívia com o Brasil entrou hoje no segundo dia de protestos, seguindo determinação da Associação dos Municípios de Santa Cruz (Amdecruz), que iniciou bloqueios de estradas no departamento como forma de pressionar o governo federal a aumentar os recursos econômicos para que os municípios continuem com ações de combate e prevenção à covid-19.

Por conta disso, o território boliviano em Arroyo Concépcion, que fica próximo à ponte da linha internacional entre os dois países, está bloqueada com montes de terra. O transporte pesado, que estava liberado mesmo com o fechamento das fronteiras decretado pelos dois países há pouco mais de dois meses, não está podendo passar.

Além disso, na estrada Bioceânica, manifestantes também estão concentrados em diversos pontos. No antigo pedágio entre as cidades de Puerto Quijarro e Puerto Suárez, também há impedimento no tráfego entre os dois municípios. 

Jornalista Pikinho Mejia

Bioceânica também registra pontos de bloqueios entre as cidades de Puerto Quijarro e Puerto Suárez

Em relação às demandas e protestos dos municípios que integram o departamento de Santa Cruz, o ministro da Economia, José Luis Parada, em declaração ao jornal El Deber, considerou exagerada a medida dos bloqueios e garantiu que os prefeitos dispõem de recursos que correspondem a saldos de outros itens e que não foram utilizados na luta contra pandemia de coronavírus.

Em resposta, o presidente da Federação das Associações Municipais da Bolívia (FAM-Bolívia), Álvaro Ruiz, rebateu a versão de Parada e destacou que o governo nacional, que também possui recursos, recorreu a empréstimos. "Nós, que temos menos recursos, não podemos combater a pandemia com o pouco que temos", afirmou.

Os municípios associados, que dentre suas demandas também solicitam a devolução de 12% dos recursos do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos (IDH), afirmam que não têm mais dinheiro para pagar salários, comprar remédios, equipamentos de biossegurança e pagar pelo custos logísticos, elementos vitais para continuar na luta contra a covid-19.

Os pontos de bloqueio, como ontem, continuam em Cotoca, San Javier, Roboré, Pailón, San Matías, San Ignacio, Camiri, entre outras cidades que apoiam a medida, como as de Puerto Suárez e Puerto Quijarro, fronteira com Corumbá, promovida por Amdecruz, liderada pelo prefeito de San Ignácio, Moisés Salces.

Inicialmente, o protesto é de 48h, mas pode ser estendido. 

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