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Incêndios na Bolívia e no Pantanal provocam “corredor” de fumaça em Corumbá

Leonardo Cabral em 21 de Agosto de 2019

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Pelo quarto dia seguido, Corumbá ficou coberta por camada de fumaça

Decretado desastre departamental na região da Chiquitania, mais precisamente na cidade boliviana de Roboré, localizada cerca de 250 km da fronteira com Corumbá. A área que engloba cidades como El Carmen Rivero Torrez, San Rafael, San Ignácio de Velasco San Matías, El Porton (ponto turístico) entre outros povoados, está sendo consumida pelas chamas.

Devido a situação considerada gravíssima, nesta quarta-feira (21), após protestos da população de Roboré, que pede por ajuda internacional, o presidente Evo Morales, anunciou a contratação dos serviços do Supertanker, um dos aviões destinados a apagar os maiores incêndios do mundo. 

Na Chiquitania há o registro de cerca de 471.000 hectares consumidos pelo fogo em matas e pastos, causando até a suspensão das aulas escolares. "Instruí o ministro da Economia a contratar o avião Supertanker para nos ajudar a apagar o fogo que afeta essa região da Bolívia", disse o presidente ao confirmar que a medida foi aprovada em uma reunião do gabinete.

Enviada por Yamara Rayza ao Diário Corumbaense

Cerca de 471.000 hectares já foram consumidos pelo fogo em matas e pastos em Roboré

O Supertanker 747-400, é um boeing adaptado para transportar aproximadamente 75.000 litros de água, pode operar em qualquer lugar do mundo e tem um alcance de voo de 13 horas.

A corumbaense Yamara Rayza, que vive há quase seis meses no povoado de Águas Callientes, distante 32 km de Roboré, disse que a situação é muito crítica. O fogo que atinge a vegetação, também matou animais que habitam a região.

“A situação é assustadora. Eu mesma fiquei desesperada com o fogo que quase invadiu o hotel onde trabalho e moro. A qualidade do ar está insuportável. Há fumaça por toda a parte. O fogo está por toda parte, inclusive às margens da estrada Bioceânica (via que liga o o Brasil e a Bolívia). As equipes tentam apagar as chamas, mas não é suficiente, o desespero toma conta de todos”, falou ao Diário Corumbaense Yamara Rayza.

Em Corumbá

A situação na Bolívia também vem ajudando a afetar a qualidade do ar em Corumbá. Apesar dos 250 km que separam a fronteira, a cidade pantaneira pelo quarto dia consecutivo ficou coberta por densa camada de fumaça.

Porém, no Pantanal e na área urbana, focos de incêndio são registrados diariamente. Às margens da BR-262, as chamas consomem a mata chegando aos acostamentos e dificultando a visibilidade dos motoristas que utilizam a via.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nas últimas 48h, Corumbá registrou 141 focos de incêndio. Nos primeiros 21 dias de agosto, o município já soma 976 focos de queimadas. De janeiro até agora, a Cidade Branca é a segunda do Brasil em número de focos, com 2.193, ficando atrás apenas de Altamira no Pará, que tem 2.354 focos.

Ao Diário Corumbaense, o gerente estadual do PrevFogo, Bruno Águeda, informou que os brigadistas estão na Estrada Parque há quatro dias combatendo focos de incêndio e que até o momento mais de 2 mil hectares já foram queimados.

Ainda conforme ele, há registro de fogo também na altura do Morro do Chapéu, onde uma equipe se deslocou para atender a demanda naquela localidade. Incêndios às margens da BR-262 também já foram combatidos pela equipe do PrevFogo em Corumbá.

Não chove em Corumbá desde 26 de junho, quando foram registrados 5,6 milímetros de precipitação. A umidade do ar tem ficado abaixo dos 20%, enquanto o recomendável para a Saúde é 60%. 

Divulgação PrevFogo

Brigadistas, na região da Estrada Parque, combatem incêndio que começou há quatro dias

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