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Delegado planejava atentados para atrapalhar inquérito e investigador voltou para a cadeia

Campo Grande News em 29 de Maio de 2019

Anderson Gallo/Arquivo Diário Corumbaense

Operação conjunta prendeu delegado e investigador no dia 29 de março

O delegado Fernando Araújo e o investigador Emmanuel Nicolas Contis Leite foram presos preventivamente por atrapalharem as investigações sobre o assassinato do boliviano Alfredo Rangel Weber, 48 anos. Conversas pelo WhatsApp indicam que os dois planejavam ataques a bomba para intimidar a família da vítima e a equipe da Polícia Civil que os investigava, além de espalharem “fake news” sobre a morte.

A Justiça decidiu manter delegado e investigador presos por tempo indeterminado. Fernando já estava encarcerado por força de prisão temporária e Emmanuel havia sido colocado em liberdade depois de ser pego no fim de março deste ano, mas voltou para a cadeia na segunda-feira (27), dia em que foi publicada no Diário Oficial do Estado a revogação da portaria que o afastou do cargo compulsoriamente. A defesa do investigador informou que "vai continuar trabalhando para provar a inocência dele".

Com autorização judicial, a Polícia Civil interceptou conversas entre Fernando e Emmanuel. Num dos diálogos, o investigador diz ao delegado que tem um contato na Bolívia que estaria disposto a colocar granadas na frente das casas de parentes do boliviano assassinado e de testemunhas do crime. Essa pessoa, identificada pelo agente apenas como Mike, também venderia explosivos para que a dupla fizesse o mesmo no lado brasileiro.

Emmanuel dá ainda ideia para o delegado fazer ameaças às equipes da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio), do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) e da Corregedoria da Polícia Civil que trabalham na investigação contra Fernando. “Vamos metralhar”, disse o policial, se referindo ao hotel onde os investigadores estão hospedados em Corumbá.

Outra estratégia utilizada pela dupla, conforme consta na decisão judicial, foi espalhar “fake news” sobre o assassinato. O delegado enviou a Emmanuel montagens com fotos de várias pessoas e os dizeres “Os assassinos de Ganso”, apelido da vítima, e o agente ficou responsável por “viralizar” os “memes”.

Também nas conversas há indícios de que a caminhonete usada pelo delegado no dia do crime foi reformada antes de ser escondida por Fernando. O delegado conta ao ajudante que rebaixou o veículo, tirou a tinta da roda (deixou prata) e repôs o lacre da placa. “Acha que é muita mudança?”, pergunta o suspeito de assassinato a Emmanuel, que responde: “para caramba”.

Segundo a investigação, uma mulher também estava sendo usada para atrapalhar o trabalho da Corregedoria. A mando de Fernando Araújo, ela teria feito contato com investigadores da equipe para induzi-los a erro e perguntar detalhes da apuração.

O crime

Segundo as investigações, o delegado esfaqueou e matou a tiros Alfredo Rangel no dia 23 de fevereiro. A desavença entre os dois começou durante as eleições para presidente da associação de agropecuaristas na Bolívia. O sogro de Fernando, Asis Aguilera Petzold (o atual prefeito da cidade de El Carmen), concorria ao cargo.

Durante uma briga, o delegado teria dado três facadas no boliviano, que embora tivesse envolvimento com o narcotráfico, era pecuarista conhecido na região. Alfredo foi socorrido e era transferido para hospital de Corumbá, quando já em território sul-mato-grossense, a ambulância foi fechada por uma caminhonete preta. 

O motorista desse veículo desceu, abriu a porta da viatura de resgate e atirou quatro vezes. Três tiros atingiram a cabeça da vítima, um deles o tórax. Sem ter o que fazer, o motorista voltou com o corpo para o país vizinho. O autor dos disparos é o delegado Fernando, segundo investigações da Corregedoria da Polícia Civil. 

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