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Delegado e investigador presos em operação da Corregedoria são transferidos para Campo Grande

Leonardo Cabral em 29 de Março de 2019

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Delegado Fernando no momento em que foi preso pelos policiais na residência onde morava com a família

Foram transferidos para Campo Grande, o delegado da Polícia Civil, Fernando Araújo da Cruz Junior, titular da DAIJI (Delegacia de Atendimento à Infância, Juventude e do Idoso) e o policial civil, Emmanuel Contis, que tiveram prisão decretada pela Justiça a pedido da Corregedoria da Polícia Civil, que realizou operação em conjunto com a Delegacia de Homicídios e o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) na manhã desta sexta-feira, 29 de março, em Corumbá.

Conforme apurado pela reportagem, a prisão temporária dos dois servidores públicos da Polícia Civil é por envolvimento na morte do boliviano Alfredo Rangel Weber, 48 anos, na noite do dia 23 de fevereiro. O caso foi divulgado pelo Diário Corumbaense no dia seguinte. O estrangeiro foi morto a tiros dentro de uma ambulância, na rodovia Ramão Gomes, que vinha da cidade fronteiriça de Puerto Suárez para o Hospital de Corumbá. O delegado Fernando Araújo é o principal suspeito. Já o investigador Emmanuel, foi detido por supostamente dar suporte ao delegado.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Investigador Emmanuel Contis foi apontado por dar suporte ao delegado

Até então, o crime, apesar de ter ocorrido em território brasileiro, quase em frente ao cemitério Nelson Chamma, às margens da Ramão Gomes, não teria sido registrado no Brasil, porém, uma fonte oficial revelou a este Diário, que há sim um boletim de ocorrência relatando o homicídio e houve denúncia à Corregedoria, dando início às investigações. Alfredo foi morto na frente de sua filha, uma irmã, o motorista da ambulância e de um médico plantonista que o acompanhava.

Naquela noite de 23 de fevereiro, a vítima participava de uma festa em uma propriedade rural de Puerto Suárez, quando foi esfaqueada também pelo delegado, que teria vindo atrás da ambulância em uma caminhonete, interceptado a viatura e cometido o crime. O motorista da ambulância teria retornado rapidamente para o território boliviano com o corpo de Alfredo Rangel e os outros ocupantes.

Ainda conforme a fonte oficial, os dois servidores ficarão presos temporariamente por 30 dias, podendo o prazo se estender. Já a mulher presa durante a operação, esposa do delegado Fernando, permaneceu na Delegacia Regional de Corumbá, onde foi ouvida e logo em seguida seria liberada. Ela foi detida por desacato, conforme revelou a fonte a este Diário.

O crime

A história começou durante as eleições para presidente da associação de agropecuaristas na Bolívia, onde o sogro de Fernando, Asis Aguilera Petzold (o atual prefeito da cidade de El Carmen), concorria ao cargo.

Alfredo, que apesar do envolvimento com o narcotráfico, é conhecido como pecuarista na região, participou das eleições e foi para a festa de um amigo. No entanto, ao fim do dia, voltou ao local em que as votações aconteciam. Lá, encontrou a esposa de Fernando e a filha de Asis, Sílvia Aguilera, de 31 anos. Conforme as investigações, a mulher já foi casada com Odacir Santos Corrêa, ex-sócio de Alfredo, preso pela Policia Federal durante a Operação Nevada, em 2016.

Reprodução/ Clave 300

Ambulância onde o boliviano foi morto na noite de 23 de fevereiro

Ao ver a mulher, Alfredo teria cobrando dívidas do ex-marido e ameaçado os filhos dela de morte. Os dois discutiram e a confusão foi separada por Asis, que ao lado de Fernando, sentou-se em uma mesa para conversar com Alfredo. Se aproveitando do momento, o delegado teria levantado, se armado com uma faca e desferido pelo menos três golpes nas costas de Alfredo. O homem foi levado para um hospital local, mas devido a gravidade, acabou transferido para Corumbá.

A ambulância, então, saiu da cidade boliviana em sentido a fronteira brasileira. Já em território sul-mato-grossense foi fechada por uma caminhonete preta, cabine simples. O motorista desceu do veículo, foi até a ambulância, abriu a porta e atirou quatro vezes. Três tiros atingiram a cabeça da vítima, um deles o tórax. O motorista voltou com o corpo para o país vizinho. Principal suspeito do crime na Bolívia, Fernando também se tornou alvo da polícia brasileira.

Detalhes como o veículo usado pelo pistoleiro, do mesmo modelo do carro de Fernando, e até a arma, foram ligando as investigações ao delegado. Ele chegou a ser ouvido, mas afirmou ter entregue sua caminhonete numa dívida e que não se lembrava o nome da própria esposa.

Coação

Durante as investigação o motorista e o médico da ambulância também foram ouvidos. Um deles, no entanto, Sílvio Monteiro, se tornou alvo de falsas denúncias de sequestro. Convidado para prestar depoimento, Sílvio, que no dia dirigia a ambulância, levou a polícia uma carta narrando o que havia acontecido no dia do crime. No entanto, na noite do mesmo dia, voltou à delegacia pedindo para modificar o texto.

Sem ter como fazer isso, pediu para fazer um boletim de ocorrência de preservação. O caso foi registrado e no dia seguinte a defensoria pública de Puerto Suárez denunciou a Polícia Federal de Corumbá pelo sequestro de Sílvio, o que nunca aconteceu. A polícia, no entanto, encontrou ligações entre o motorista e a esposa de Fernando, o que leva a acreditar que toda a situação foi montada para despistar e atrapalhar as investigações que incriminavam o delegado. Com informações do site Campo Grande News

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