A Aflams pela valorização da mulher

Coluna Coisas da Língua, com Rosangela Villa (*) em 10 de Maio de 2019

Caros leitores

No dia 30 de abril, na Assembleia Legislativa do Estado, a sociedade sul-mato-grossense foi agraciada com a sessão de instalação da Academia Feminina de Letras e Artes de Mato Grosso do Sul. Nesse contexto, as mulheres ampliaram sua participação no processo criativo e na composição do mundo, rompendo com estereótipos e marcações de gênero. A entidade visa promover e incentivar a mulher na atuação das mais diversas áreas culturais, dentre as quais, na Educação, na literatura, na dança, nas artes visuais, no artesanato, na pesquisa, no teatro, na pintura e em outros espaços em que lhe seja possível a livre criação. Como fundadora da Cadeira 6, jurei apoiar, difundir e promover as produções e as manifestações culturais no e do Estado, e a difusão, a promoção e a proteção da nossa Língua Portuguesa. E assim será! O evento foi tão importante do ponto de vista de seus nobres objetivos, que o próprio governador deixou todos os seus afazeres para prestigiá-lo.

E, como apoiador desse divisor de águas na cultura do Estado, parabenizou o grupo por ter apresentado vários projetos à Secretaria de Cultura do estado, um dia após a nossa visita a ele. Com a finalidade de reconhecer e incentivar a atuação da mulher em todos os campos culturais, visando sobretudo ao aprimoramento e a preservação da língua Pátria e riquezas culturais da região, estimulando novos talentos; prestar atendimento sociocultural inserindo o indivíduo na prática da cidadania, a AFLAMS surge como uma força positiva e abrangente nessa missão. São 40 mulheres que a compõem, acadêmicas reconhecidamente proativas em suas áreas de atuação, com ampla aceitação na comunidade e com poder de articulação e de agregar pessoas aos seus projetos sociais e culturais.

Pergunta-se, todavia, o que é uma Academia e por que os seus membros são chamados de imortais? Na verdade, quando um cidadão ou cidadã contribui de forma significativa a favor de uma coletividade dentro da sua área de atuação, essa pessoa é credenciada pela Academia a ter a sua produção intelectual imortalizada para preservação e difusão, mesmo após a sua morte, daí o princípio da imortalidade acadêmica, é esse legado que se tornará perpétuo, eterno, imortal.  Em se tratando da Academia Brasileira de Letras, a entidade cultural foi inaugurada por Machado de Assis, em 1897, e surgiu da vontade de escritores e intelectuais brasileiros que desejaram criar uma academia nacional nos moldes da Academia Francesa, tendo como objetivo o cultivo da língua e da literatura nacionais.

A entidade é composta de 40 membros efetivos e perpétuos, e de 20 sócios correspondentes estrangeiros. A AFLAMS tem como pilar 40 mulheres que se consagraram acadêmicas pelas obras que realizam em seu setor, sua presidente é a poetisa e ativista cultural Delasnieve Daspet, nascida em Porto Murtinho. A estrutura da academia prevê assessorias nas seguintes áreas: Literária, Música, Arte Visual, Teatro, Canto, Dança, Artesanato, Folclore, Científica e Cinema, com coordenadorias para o  interior, sendo eu, a coordenadora para Corumbá, junto com a Acadêmica Sonia Maria Ruas Rolon.

Assim, com o amor nato que tenho pela região e com o juramento amalgamado em minha mente, coloco-me à disposição da sociedade corumbaense e ladarense e dos correspondentes setores abrangidos pelos nossos objetivos para prestar-lhes o apoio que desejarem. Conclamo as mulheres locais a liberarem a artista que existe dentro de cada uma e a produzirem sem medo de críticas ou preconceitos. Vamos caminhar juntas, e, quem sabe, definir com a população, representada pelo Conselho de Cultura, um calendário cultural permanente para Corumbá. Vida longa à AFLAMS! 

(*) Rosangela Villa é professora associada da UFMS e colaboradora do Diário Corumbaense.