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Relembrando mudanças na ortografia do Português

Coluna Coisas da Língua, com Rosangela Villa (*) em 20 de Fevereiro de 2023

Caros leitores

Iniciamos 2023 com muita alegria e esperança de que este seja o ano de todos e para todos, e que, ao final do novo ciclo, possamos colher com satisfação os frutos de nossos projetos, investimentos e das boas sementes lançadas. Gratidão à equipe do Diário Corumbaense, em nome da Diretora Geral e Jornalista Rosana Nunes, pelo espaço de reflexão do nosso idioma, a maior e melhor herança que Portugal nos outorgou: a Língua Portuguesa.

Nessa esteira de orientações de uso da língua, compartilhamos o texto do professor Diogo Arrais, publicado em 31/01/2023, disponível em https://exame.com/carreira/por-do-sol-ou-por-do-sol-professor-de-portugues-explica/.

Durante a corrida no parque, vejo uma placa: 'Presença de quero-quero no jardim.' De imediato, reflito sobre o plural do substantivo composto e sobre a origem do termo jardim. De onde terá vindo o termo “jardim”? No consagrado estudo de Deonísio da Silva – autor pelo qual tenho grande apreço – há: 'do francês jardin; vindo do frâncico gart. O latim denominava hortus gardinus o espaço para cultivo de árvores frutíferas, legumes, verduras e flores, nas proximidades das residências. O étimo está presente no inglês garden e no alemão garten.'

Em consulta ao Aulete e ao Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, o plural de “quero-quero” é “quero-queros”. A lógica normativa está no fato de que termos repetidos deveriam ter o plural apenas no segundo elemento. Nem sempre é assim (o que causa confusão ao usuário da língua portuguesa), como no caso de “pula-pula”. Existem, pois, com o aval da Academia, “pula-pulas” e “pulas-pulas”.

Onomatopaicos (representações gráficas dos sons), compostos, hifenizados, seguem o princípio da pluralização do segundo elemento: pingue-pongues, tique-taques.

COMPOSTOS E O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

Os compostos com conectivos (como fim de semana) só possuirão hífen se estiverem ligados à Botânica (comigo-ninguém-pode) ou à Zoologia (carrapato-de-sapo). Assim sendo, inúmeros compostos com conectivos não fazem mais uso de hífen: pôr do sol, dia a dia, fim de semana, dona de casa, pé de moleque, disse me disse, ponto e vírgula.

Mesmo após considerações, alguns termos merecem nova atenção. Receberam tal grafia, de acordo com a Academia Brasileira de Letras, por consagração popular: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paraquedismo. É importante ainda notar algumas grafias: pontapé, corrimão, madressilva, para-lamas, para-brisa, girassol, passatempo.

Para casos mais específicos, procure adquirir a obra A Nova Ortografia, de Evanildo Bechara, e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.” Como também já referido por mim, anteriormente, neste mesmo espaço, em meados de 2016, sobre este mesmo assunto, na coluna publicada em 19/08/2016, com o título EMPREGO DE HÍFEN EM TOPÔNIMOS, ESPÉCIES BOTÂNICAS, ZOOLÓGICAS E OUTRAS PALAVRAS COMPOSTAS, que postula: Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento: couve-flor, erva-doce, bem-me-quer; onça-pintada, dentre outras.

No mais, desejo a todos nossos leitores um ótimo ano de 2023 e um feliz carnaval!