PUBLICIDADE

Leia: Coisas Assim que Não Poderiam Acabar

Fonte: Por: Marco Aurélio Machado de Oliveira em 16 de Janeiro de 2013

Sábado pela manhã é uma festa. Mesmo que não ocorram reuniões regulares, como nos almoços de domingo, mesmo que as conversas sejam fracionadas, sábado, pela manhã, é da família e dos amigos, do abraço e da prestação de contas. Um espaço reservado à sanidade, uma suspensão na loucura da semana. Acredito que esse momento exista para preparar o que será o fim de semana e para reordenar o que a enfadonha semana suspendeu. Supermercados, farmácias, faxinas, manutenções de carro, roupas a serem lavadas, em todos os sentidos, sábado pela manhã exige alguns compromissos que são dele e com ele.

Não há período mais organizacional na vida do que o sábado pela manhã. Isso parece ser regra geral. Porém, em Corumbá há algumas coisas a mais nessa matinê tão especial. As crianças se esbaldam, e os bichos e plantas, também. Até mesmo a esperança, tão surrada, parece ter brilho próprio nos rápidos horários de sábado de manhã. Já vi diversas pessoas pedirem para que a chuva, outra bendição, caísse e amenizasse o vulcão nosso de cada dia, mas, nunca vi nem ouvi pedido assim numa manhã de sábado.

E, por falar no nosso calor, que me perdoem os ranzinzas, mas Corumbá deveria se orgulhar por ser dona de uma suprema presença do Astro-Rei, pois nossa cidade transpira cedo nos sábados pela manhã. Mas, não apenas o suor da semana, fatigado, acumulado no dia-a-dia do trabalho e dos estudos, dos amores e solidões. Há algo diferente que colocamos para fora nesses dias: a conversa guardada que esperava aquele encontro, o sorriso que se reuniu com o olhar prometido, a audição reparada. Nossa cidade possui suores incrivelmente saborosos.

E, quando a tarde se anuncia, imperiosa, é possível observar cálidos flagrantes de conversas de mais jovens com mais jovens e mais velhos com todas as idades. Amigos no bar, amigos nas sombras das calçadas, amigos por todas as partes. Mulheres que se ajeitam e homens que se preparam para a noite. Ela mesma, invasora de corações, chegará para ilustrar os verbos e gestos que fizeram a festa matinal. Corumbá não cessa de surpreender.

*Marco Aurélio Machado de Oliveira é professor universitário.

 

PUBLICIDADE