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Fahd Jamil ainda era considerado o mais poderoso chefão do crime entre Ponta Porã e Pedro Juan

Campo Grande News em 19 de Abril de 2021

Amambay Ahora

Fahd Jamil Georges, o "Rei da Fronteira"

“El Padrino”, “Rei da Fronteira”, o “Chefe dos chefes”. Por cinco décadas, essas foram as palavras mais temidas na linha internacional entre o Paraguai e Mato Grosso do Sul, mais precisamente entre Pedro Juan Caballero, a capital de Amambay, e Ponta Porã (MS).

Esses são os apelidos mais conhecidos de Fahd Jamil Georges, o “Fuad”, o criminoso mais respeitado e poderoso da fronteira. Amigo de políticos importantes e acusado de comandar com mão de ferro o tráfico de drogas e de armas e a exploração de jogos de azar, Fahd se entregou hoje (19) à polícia sul-mato-grossense, em Campo Grande.

Fontes da fronteira ouvidas pelo Campo Grande News nesta segunda-feira não têm dúvida: a prisão de “Fuad” pode significar o fim de um reinado que durou quase 50 anos.

Facção criminosa mais poderosa da América do Sul na atualidade, o PCC (primeiro Comando da Capital) deve ganhar ainda mais terreno e comandar sozinha o fornecimento de maconha e cocaína na fronteira.

Todos os sucessores de Fahd já estão mortos e o filho, Flávio Correia Jamil Georges, o “Flavinho”, que poderia tocar os negócios, também é procurado pela polícia e jurado de morte na linha internacional.

Para quem conhece de perto os detalhes do submundo do crime, Fahd Jamil foi o mais engenhoso chefão que a fronteira teve. Com poder e habilidade, se manteve no topo. Primeiro no contrabando e depois no tráfico de drogas e de armas.

Em 40 anos, foi preso uma única vez, no Paraná, e solto logo em seguida. Mas o tempo passa para todo mundo e hoje, aos 79 anos de idade, Fahd (a pronúncia correta é Faad) está de volta à cadeia.

Enquanto boa parte dos “patrões” do crime ia para a cadeia ou para a cova, Jamil manteve seu reinado. “Nenhum teve vida tão longeva como ele nesse ramo na fronteira”, afirmou uma fonte de Ponta Porã.

Dois sucessores naturais de Fahd Jamil seriam o primo Luiz Henrique Rodrigues Georges, o “Tulu”, e o filho Daniel Alvarez Georges, o “Danielito”, mas os dois morreram.

Danielito desapareceu em maio de 2011. Em janeiro deste ano foi oficialmente declarado morto. Teria sido executado por desacerto entre a quadrilha. Tulu foi fuzilado em Ponta Porã em outubro de 2010 aos 44 anos de idade.

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