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Mulher agredida por policial militar é de Corumbá: "não denunciei antes porque não tinha prova"

Leonardo Cabral em 23 de Novembro de 2020

Reprodução/Vídeo

Empresária foi agredida com socos e tapas pelo tenente da PM

Mulher que aparece apanhando de um policial militar, dentro do quartel da PM, na cidade de Bonito, é empresária de Corumbá. Ela tem 44 anos, é esposa de policial militar e preferiu não se identificar por medo de represália.

A vítima contou ao Diário Corumbaense que denunciou o caso na Corregedoria da corporação, em Campo Grande, após as imagens serem divulgadas. Ela disse que se surpreendeu com o vídeo divulgado depois de quase dois meses do ocorrido.

“Depois de tudo o que aconteceu, um sobrinho que estava também em Bonito, foi até à Delegacia pedir as imagens, porém, foi dito à ele, que as câmeras não gravavam nada e estavam de 'enfeite' apenas e sem provas não teria como denunciar o fato”, contou. 

A empresária relatou que estava na cidade de Bonito, porque havia ganhado a viagem de presente do marido, para celebrar o aniversário em setembro. “Eu peguei meus três filhos e fui para Bonito, numa sexta-feira, onde ficaria até domingo, mas o hotel onde ficaria, já tinha adiantado que não haveria vaga no sábado e que apenas poderia ficar hospedada na sexta e no domingo. Concordei e fui para a cidade. No sábado procurei uma pousada depois de um dia todo de passeio, para passar a noite com os meus filhos", mencionou ao se referir a uma adolescente de 17 anos na época, um menino de 6 anos, e a filha, de três anos, que é autista.

Ao chegar à pousada, foi bem recebida e se direcionou aos quartos, mas como a filha tem preferência por arroz e feijão, pediu indicação na própria pousada de um lugar para comprar comida.

“Fui indicada a ir num restaurante na frente. Fui até lá e pedi quatro pratos, isso por volta das 17h30, ainda tinha gente no local consumindo, inclusive um senhor que estava tomando cerveja. Paguei pela comida R$ 100,00 e voltei para a pousada, para tomar banho e dar banho na minha neném, já que daria tempo, pois a dona do restaurante tinha falado que me atenderia até às 18h30”, lembrou.

A empresária teria retornado no horário combinado, com a filha no colo, mas para sua surpresa, ao chegar no restaurante, foi informada que a comida não estava pronta e que não seria mais atendida.

“A dona do estabelecimento disse que não me atenderia, questionei, e ela começou a me empurrar sem se importar com a minha filha que estava no meu colo, dizendo para ir embora do restaurante, momento em que caí no chão e minha menina começou a entrar em desespero. Minha filha mais velha ao escutar a confusão veio rápido para pegar a neném e eu parti pra cima da dona do restaurante”, afirmou.

Depois da confusão, ela diz que as três retornaram para o quarto do hotel e que após alguns minutos, foi surpreendida pela equipe da Polícia Militar batendo na porta do quarto, sendo ela abordada pelo próprio PM que aparece nas imagens agredindo-a.

“Abri a porta e eles disseram para que saísse e fosse até o lado de fora. Eu ainda perguntei o que estava acontecendo, momento em que ele me puxou pelos cabelos, já foi me tirando da pousada e me levando até o camburão, onde a dona do restaurante também estava aguardando”, relembrou ressaltando que a proprietária do estabelecimento a ofendia, chamando-a de vagabunda e instigava os pm’s a prendê-la dizendo: “vocês não vão prender essa vagabunda que vem aprontar tudo isso na cidade, quando vocês vem comer de graça no meu restaurante eu não nego e agora vão deixar essa vagabunda fazer isso?”, disse textualmente a vítima.

Ao escutar os insultos, a empresária disse que mandou a dona do restaurante calar a boca e pediu para falar, sendo este momento negado pelos policiais. “Foi neste primeiro momento em que esse pm me deu um tapa e eu o empurrei, quando então, ele ordenou que os outros dois policiais me algemassem e me colocassem no camburão para ser levada até a Delegacia. Durante todo o trajeto ele me xingava e ainda dizia que eu estava ali para fazer programa e tinha levado minha filha também, a de 17 anos, para a mesma situação. Sofri de fato, pressão psicológica, sem contar que ainda tentei ligar para meu esposo e ele jogou meu telefone no chão e ficou quebrado”, falou. “Meus filhos vendo tudo isso acontecer e pedindo para que me soltassem", disse a empresária ao ressaltar que não se exaltou e nem fez ameaças. 

Agressão flagrada pela câmera

A vítima garante que durante todo o trajeto foi xingada e humilhada pelo tenente André Luiz Leonel, e ao chegar no quartel, também foi agredida verbalmente.

“Fui tirada do camburão e pedia para ligar para meu marido, mas sempre na negativa do policial. Fui colocada sentada, algemada, e o pm que me agrediu disse que acionaria o Conselho Tutelar, para levar meus filhos e me xingava de puta. Foi quando eu revidei dizendo que puta seria a senhora mãe dele. Nesse momento ele já me empurrou e me agrediu com socos e tapas, como mostra no vídeo e eu tentando chutá-lo, para me defender, pois estava sendo agredida.” 

As agressões, que aconteceram na presença de mais policiais que ficam apenas olhando a cena, só acaba quando uma policial interfere e coloca o agressor de um lado, segurando-o.

O caso ganhou muita repercussão e o Governo do Estado determinou o afastamento imediato do agressor e de outro policial militar envolvido diretamente no caso, ocorrido no dia 26 de setembro. O mesmo policial militar também acusado de agredir um rapaz no período das eleições municipais, em Bodoquena.

Silas Lima/Campo Grande News

Vítima denunciou oficialmente o caso à Corregedoria da PM nesta segunda-feira

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