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Assoreamento na margem do rio Paraguai ameaça porto de Corumbá

Nelson Urt, especial para o Diário Corumbaense em 10 de Agosto de 2020

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Segundo empresários, assoreamento é provocado por dejetos do tratamento de água

Nem é preciso ser estudioso para se perceber que hoje o Pantanal vive um desastre ambiental devido às queimadas provocadas pela ação humana. Basta olhar para o outro lado do rio Paraguai para se observar chamas e a cortina fumaça cobrindo e destruindo o bioma pantaneiro. Não bastasse tudo isso, há a questão do assoreamento, que praticamente destruiu um dos maiores rios da região, o Taquari, com prejuízo econômico para a pecuária calculado em mais de 1,2 bilhão de reais, segundo cálculos da Embrapa. A perda do território produtivo de Corumbá chega a 1,5 milhão de hectares.

A perda desse território é o maior dano provocado pelo assoreamento. Os dejetos acumulados sedimentam e elevam do leito do rio. Em menor escala, mas muito preocupante, o assoreamento nas margens do rio Paraguai começa a reduzir o espaço reservado aos barcos de pesca e turismo no Porto Geral de Corumbá.

A denúncia deste assoreamento, provocado por dejetos do tratamento de água da Saneul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul), foi entregue em janeiro deste ano à Procuradora do Ministério Público de Corumbá, Maria Olivia Passoni Junqueira, e aguarda solução.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Empresário Luiz Martins denunciou o problema ao Ministério Público Federal

A denúncia foi feita por empresários de turismo e pesca, entre eles, Luiz Martins, que tem entre outros empreendimentos na cidade um barco de turismo. No começo do ano, uma reunião entre representantes da Sanesul, Secretaria de Meio Ambiente de Corumbá, Ibama e MPF discutiu o assunto. No final, o MPF solicitou que a Sanesul desse uma resposta para o problema em 90 dias. E essa resposta não agradou em nada aos empresários.

“A resposta entregue ao MPF foi de que eles (Sanesul) não veem prejuízo porque, segundo eles, o lançamento (de dejetos) aqui é livre e está indo para o rio”, revelou o empresário Luiz Martins. “Estou questionando novamente que não é livre, porque está dentro de uma zona morta, que na cheia faz a decantação desse material atirado diretamente por uma boca de lobo aqui no porto, e continua assoreando”, acrescentou.

Conforme Martins afirmou ao Diário Corumbaense, toda a lavagem de filtro efetuada pela Sanesul, duas vezes ao dia, é jogada na galeria, e cai diretamente no porto. “Não é produto contaminante – vem uma terra lavada, vem o lodo, juntamente com sulfato de alumínio e barrilha, composto. Mas quando desce, provoca um canal, a pressão é muito grande. Quando chega na cheia, o lodo fica aqui e vai assentando”, disse. “Eu mesmo preciso fazer a dragagem antes de ligar o motor para conseguir sair com o barco, mas é um problema que atinge outros barcos e toda a cidade”, contou.

Martins discorda da posição da Sanesul de que “não existe prejuízo” para o porto.  “Eles (Sanesul) alegam que é livre, dejeto livre que vai embora no rio. De fato, é um rejeito do rio que foi tirado junto com a água e que está retornando para o rio. Só que está acabando com o porto de Corumbá. Nós vamos ficar sem porto”, alertou. “A lavagem do filtro ocorre às 10h30 e 16h30 e a quantidade de dejetos que vai no meio da água é muito grande”, afirmou o empresário.

Solução: um emissário

A solução imediata, para conter o assoreamento e impedir danos desproporcionais, segundo o empresário, é a construção de um emissário de 50 metros até o canal do rio, como já existe em outras saídas do porto, como na Prainha. “É a solução mais simples e viável”, apontou. “Durante a seca abre-se um canal e essa decomposição acaba indo para o rio, mas na cheia isso não ocorre, vai decompondo e sedimento aqui mesmo na margem, calculo em torno de 1 tonelada de material por dia”, frisou o empresário.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Solução é a construção de um emissário de 50 metros até o canal do rio, diz empresário

Há dez anos como pescadores e coletores de iscas vivas a bordo do barco Jerusalém, Adaildo Luís da Silva e Renildo Manoel Eloi estão preocupados com o assoreamento que avança e a cada dia tira espaço para atracarem no porto. “Vem um monte de terra junto com o esgoto”, contou  Adaildo. “Isso aqui não era assim há dez anos, tínhamos muito mais espaço, era bem diferente”, disse Renildo.

A paisagem do porto está mudando, conforme os pescadores. O problema pode ser observado durante esta seca no Pantanal, uma das maiores dos últimos anos. A sedimentação é visível entre os camalotes. Quando o rio está cheio, os camalotes sobem à superfície e dão a falsa impressão que flutuam sobre águas profundas na margem do rio. Engano. A sedimentação é logo abaixo e já atinge uma enorme área que suprime o local de atracamento dos barcos.

O Diário Corumbaense enviou via e-mail à Assessoria de Comunicação da Sanesul na quinta-feira, 06 de agosto, perguntas sobre como pretende solucionar a questão da erosão e assoreamento. Até a publicação da reportagem, nesta segunda-feira (10), não recebeu resposta da concessionária de água e esgoto. 

Comentários:

Alfredo Zamlutti ajunior: Qdo fui secretário de meio ambiente na gestão do falecido Ruiter Cunha, com poucos dias no cargo fiz essa solicitação para dragagem dessa área que era menor; falei sozinho; ninguém principalmente os empresários que agora reclamam me apoiou; o “pranto e livre”

LUIZ CARLOS DRESCH: Bom dia! Será interessante, aproveitar este período de estiagem e realizar uma limpeza da área assoreada, junto aos locais de atracação das embarcações de turismo. Quando da construção do cais/muro de arrimo, a Prefeitura fez um trabalho provisório (época de eleição), deixando a obra inacabada.

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