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Bispo que viveu em Corumbá pode ser beatificado e canonizado pelo Vaticano

Leonardo Cabral em 28 de Novembro de 2019

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Padre Abimael, da Comissão Arquidiocesana, está em Corumbá realizando a pesquisa sobre Dom Lustosa

Dom Antônio de Almeida Lustosa, bispo que atuou em Corumbá pelo período de quase dois anos e meio, entre os anos de 1929 a 1931, pode ser beatificado e canonizado pelo Vaticano. Dom Lustosa, como também é conhecido, realizou inúmeras ações na região pantaneira que estão sendo catalogados para o trabalho de pesquisa histórica.

O responsável pela coleta das informações é o padre Abimael Francisco do Nascimento, assessor teológico da Comissão Arquidiocesana de Apoio à Causa de Beatificação e Canonização de Dom Antônio de Almeida Lustosa, em Fortaleza. Há uma semana, o pároco vem levantando informações complementares sobre Dom Lustosa em Corumbá.

“É um trabalho a mando da arquidiocese de Fortaleza e da casa dos salesianos. A causa de beatificação está na segunda fase, a Romana, aos cuidados do padre Pierluigi Cameroni, depois de ter sido iniciada nas dioceses de Belém e Fortaleza e depois segue para a terceira e última etapa, quando Dom Antônio Lustosa poderá se tornar o primeiro bispo brasileiro a ser declarado Beato e posteriormente Santo”, explicou ao Diário Corumbaense o padre Abimael.

O religioso ressalta que todo o processo começou com a fama de santidade, em Belém do Pará e Fortaleza. Nessas igrejas, Dom Lustosa adquiriu fama de santidade e quando ele morreu as pessoas começaram a rezar, a pedir graças e essas reações de pedidos, com o comportamento das pessoas fez com que as igrejas abrissem o processo, que hoje, está na fase da Positio, que é o estágio anterior ao reconhecimento das virtudes, isto é, ao título de Venerável.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

A administração e paixão pelas causas sociais são as marcas do apostolado do bispo

“Os documentos em todas as dioceses e locais por onde viveu Dom Lustosa, a catequese, a administração e paixão pelas causas sociais são as marcas do apostolado dele, um literata simples e acessível que se prontificava a atender quem necessitasse do diálogo e da recepção amiga dele. Especificamente aqui na cidade, as pesquisas revelam que ele tinha a preocupação com a catequese e também em aumentar o número de escolas católicas, pois não tinha tanto a presença do estado, e a maneira que ele achou para alfabetizar pessoas, foi a promoção de escolas católicas especialmente com irmãs e padres da família salesiana. Trabalhou com promoção à Saúde, com aprimoramento à construção de hospitais, recursos para obras sociais, além de reabrir o trabalho diocesano aqui, que, na época estava sem padres, não tinha seminaristas, foi então que logo em sua chegada, ele abriu em 1929 o seminário e criou um fundo de sustentação do seminário diante da dificuldade de formar padres nessa época”, mencionou o assessor teológico. 

Segundo o padre Abimael, é uma grande graça reconhecer o trabalho de Dom Lustosa aqui nessa região do país. “Ganham a população, os fiéis, por terem essa referência, esse modelo de santidade, de pessoa virtuosa, que não separava a dimensão espiritual das necessidades da saúde, educação. Lutava pela alfabetização, já que o índice de analfabetismo era altíssimo, conforme revelam os documentos já vistoriados. Ele era modelo de pessoa, de fé, de cidadão, que deve servir de exemplo, elevar a autoestima e encorajar as pessoas a levantarem bandeiras iguais ou semelhantes a ele”, frisou.

Pesquisa

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

As ações de Dom Lustosa em Corumbá, servem para complementar a pesquisa feita pelo padre Abimael

Os passos dados por Dom Lustosa em Corumbá servem para complementar a pesquisa feita pelo assessor jurídico, que chegou na última segunda-feira (25) e segue na cidade até esta sexta-feira (29). Depois, ele retorna para Fortaleza, onde irá preparar o relatório para enviar à Roma. "Estamos vistoriando tudo, Livro Tombo, documentos, livros de despachos da Cúria, correspondências de Dom Lustosa, enviadas na época de sua permanência na cidade, para autoridades eclesiásticas, civis, militares, todas essas relações que ele estabelecia como bispo em todo o estado de Mato Grosso na época”, disse ressaltando que ele respondia pelo bispado de toda essa região, única diocese em todo território do então MT.

De Beato a Canonização

Antigamente somente o Papa podia promover uma causa de canonização, mas hoje em dia, os bispos têm autoridade para isso. Portanto em qualquer diocese do mundo pode-se iniciar uma causa de canonização. Para cada causa é escolhido pelo bispo um postulador, espécie de advogado, que tem a tarefa de investigar detalhadamente a vida do candidato para conhecer sua fama de santidade.

O primeiro processo é o das virtudes ou martírio. Este é o passo mais demorado porque o postulador deve investigar minuciosamente a vida da pessoa. Em se tratando de um mártir, devem ser estudadas as circunstâncias que envolveram sua morte para comprovar se houve realmente o martírio. Ao terminar este processo, a pessoa é considerada Venerável.

O segundo processo é o milagre da beatificação. Para se tornar beato é necessário comprovar um milagre ocorrido por sua intercessão. No caso dos mártires, não é necessária a comprovação de milagre. Irmã Lindalva, por exemplo, passou a ser Venerável em 16 de dezembro de 2006, quando o decreto do seu martírio como serva de Deus foi promulgado. Agora é aguardada a cerimônia da beatificação, já que ela é dispensada de milagre.

O terceiro e último processo é o milagre para a canonização. Este tem que ter ocorrido após a beatificação. Comprovado este milagre o beato é canonizado e o novo Santo passa a ser cultuado universalmente.

Divulgação

Dom Antônio de Almeida Lustosa, bispo que atuou em Corumbá de 1929 a 1931

Na atual fase do processo de canonização ainda não existe a declaração de milagre realizado pela intercessão de Dom Lustosa, mas há pelo menos cinco sendo analisados, com o caso de uma monja da cidade de Fortaleza que ao sair de uma consulta médica, recebeu a notícia de emergência para uma cirurgia. Ela rezou e pediu a intercessão do “Santo e Sábio”, e já são mais de 15 anos de saúde restabelecida sem a necessidade da cirurgia.

“A gente espera que esse espaço de tempo não seja muito longo e seja breve, pois concluído esse processo, com estimativa até fevereiro, ocorre então, a leitura dos peritos em Roma, cardeais, especialistas que irão analisar todo o material que estamos preparando e essa leitura vai de um ano a um uno e meio. Nesse espaço de tempo estaremos fazendo a captação de possíveis milagres. Daí a importância de Corumbá, Belém do Pará, Uberaba, Fortaleza nos unirmos e rezarmos pedindo graças, sinais por interseção, para que possamos catalogar e remeter a Roma como foi solicitado”, disse o padre Abimael a este Diário.

História de Dom Lustosa

Antônio de Almeida Lustosa nasceu no dia 11 de fevereiro de 1886 em São João del Rei, Minas Gerais. Estudou no colégio salesiano Dom Bosco, de onde nasceu sua vocação religiosa. Foi ordenado sacerdote aos 26 anos e logo escolhido como mestre dos noviços. Em 1925 foi convidado a aceitar a nomeação de Bispo de Uberaba MG. Sua ordenação episcopal aconteceu no mesmo dia de nossa Senhora de Lourdes, dia 11 de fevereiro, dia, também, do seu nascimento. Ocupou-se dos marginalizados, fazendo sua a urgência da justiça social. Depois de nem mesmo quatro anos, foi transferido para Corumbá e depois foi nomeado Arcebispo de Belém do Pará. Em 1941 foi transferido para a importante sede de Fortaleza, capital do Ceará.

É conhecido como o bispo da justiça social. Fundou ambulatórios, hospitais, escolas populares gratuitas e círculos operários e além de outras atividades sociais. A fim de assistir as famílias do campo, funda a Congregação das Josefinas, atualmente presentes em vários estados do Brasil. Dom Lustosa foi, como Dom Bosco, um escritor de grande qualidade, nos mais variados temas: teologia, filosofia, espiritualidade, hagiografia, literatura, geologia e botânica, além de um grande artista: são seus os vitrais da catedral de Fortaleza.

Em 1963, depois de 38 anos de atividade episcopal, retirou-se para casa salesiana de Carpina onde passou seus últimos anos de vida vindo a falecer em 14 de agosto de 1974. Seus restos mortais repousam na catedral de Fortaleza. Em 1999 sua causa de beatificação foi iniciada na diocese de Fortaleza. E hoje é conhecido como Servo de Deus, Dom Antônio Lustosa.

Colaborou Thiago Godoy, coordenador da Pastoral da Comunicação da Diocese de Corumbá. 

Comentários:

Marcus Vinicius Araujo: O Diário Corumbaense abre espaço para revelar a vida de humildade e santidade de seu Bispo d. Lustosa, cujo episcopado durante dois anos - 1929 a 1931 - deixou registros valiosos de sua ação pastoral junto aos corumbaenses que tiveram o privilégio de conviver e conhecer o Servo de Deus Dom Antônio de Almeida Lustosa.

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