PUBLICIDADE

Projeto desenvolvido na escola Izabel Corrêa reforça importância da inclusão escolar

Leonardo Cabral em 06 de Novembro de 2019

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Projeto foi finalizado com contos de fada inclusivos

“Sou muita grata ao professor, Rennan. Hoje meu filho não é mais chamado de burro”. Esse foi o desabafo de Cristiane Pereira de Barros, mãe do estudante Daniel Alksander Barros Duarte, de 08 anos. O sentimento de gratidão começou quando teve início o projeto “Pensando de Forma Especial: Reflexões e Ações para Educação Inclusiva”.

Idealizado pelo professor - profissional de apoio, Rennan Andrade dos Santos, o projeto desenvolvido na Escola Municipal Izabel Corrêa de Oliveira, reforça a inclusão de alunos deficientes dentro da sala de aula e também diz não ao preconceito, que mesmo em pleno século 21, ainda persiste.

Rennan conta que o projeto foi criado após perceber dentro da sala de aula que havia a necessidade de promover a inclusão ao acompanhar dois alunos com deficiência. “Surgiu de uma indagação minha como profissional de apoio dentro da sala, quando percebi que alguns alunos tinham dificuldade de compreender o que era educação inclusiva. Resolvi promover o projeto para eles compreenderem tudo que cerca a educação inclusiva e não só a parte teórica, mas a prática também. Assim, envolvi as turmas do 3° ano A, B e C do ensino fundamental, fazendo com que eles compreendessem o que é a educação inclusiva na escola, as dificuldades que os alunos apresentam e o papel deles na inclusão dos colegas no espaço escolar”, explicou ao Diário Corumbaense.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Professor Rennan Andrade disse que projeto nasceu a partir da necessidade de explicar a inclusão para os alunos

Além dos alunos dos 3° ano da escola Izabel Corrêa de Oliveira, também participaram os estudantes da Extensão Creche, todos na faixa etária de 08 a 10 anos de idade, mostrando que eles podem, de alguma forma, se tornarem agentes multiplicadores de boas práticas na sociedade, ao trabalhar o tema, que foi articulado dentro do currículo de todas as disciplinas que os 75 alunos estudam em sua rotina escolar, sendo, portanto interdisciplinar no ano letivo de 2019.

As principais atividades e oficinas tiveram como eixo a percepção do tema à literatura infantil, a arte teatral, as atividades físicas, artísticas e tecnológicas. O projeto alcançou também a comunidade de duas formas, no intercâmbio da escola com a comunidade, promovendo visitas à biblioteca CEU Helô Urt, Instituto Federal de Mato Grosso do Sul – Campus de Corumbá, Apae – Corumbá e levando para a escola psicólogos, profissionais que atuam no CMADIJ, professores e funcionários. 

“Reforçar e mostrar essa vivência para os nossos alunos foi fundamental. Isso demonstra que eles serão sim, os nossos agentes multiplicadores, promovendo a discussão, vivência e conscientização da inclusão do aluno com deficiência no espaço escolar, provocando o conhecimento a respeito do tema por meio de ações, que levaram os estudantes a perceberem a importância da inclusão de alunos especiais na escola”, ressaltou o professor Rennan.

A diretora da escola, Ecila Iraci Antunes de Brito, destacou a importância do projeto e disse que com toda certeza, isso é fundamental não só para o conhecimento educacional, como para o familiar também. “Hoje, temos 26 alunos com deficiência na escola Izabel Corrêa. Todos eles são acompanhados por profissionais de apoio. E o projeto do professor Renan, só vem agregar e reforçar essa igualdade, que representa a comunidade escolar”, frisou a diretora.

Culminância

E para finalizar o projeto, foi realizada na última semana, na sede do Lions Club de Corumbá, uma apresentação de todos os alunos envolvidos.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Um dos contos trazia “Chapeuzinho da Cadeira de Rodas Vermelho"

Contos de fadas inclusivos foram encenados pelos pequenos, tendo como os protagonistas os alunos da própria escola, com deficiência, que viveram os personagens de Chapeuzinho da Cadeira de Rodas Vermelho; A Branca Cega de Neve; O Pequeno Polegar que não sabia caminhar. Os contos infantis fazem uma referência ao livro “Era uma vez um conto de fadas inclusivo” do autor Cristiano Refosco, que foi primordial durante o desenvolvimento do projeto com os alunos.

Os pais e profissionais de educação acompanharam as apresentações, bem como os convidados especiais da tarde, os alunos da Apae de Corumbá. Segundo a diretora pedagógica da instituição, Maria Estela Kerr de Souza, o projeto vem somar na luta da inclusão, mostrando para a sociedade que ela existe.

“A inclusão mostra que todos nós somos capazes, mostra para a rede regular que o aluno com deficiência está inserido, proporcionando uma sociedade justa e igualitária. Os alunos da escola Izabel foram conhecer o nosso espaço lá na Apae, que atualmente tem dois alunos com deficiência dentro do mercado de trabalho em Corumbá. Por isso é de extrema importância reforçar a inclusão em todas as formas”, destacou Maria Estela.

Gratidão

Extremamente agradecida e emocionada, Cristiane Pereira de Barros, mãe do aluno Daniel Alksander Barros Duarte, que tem autismo (transtorno neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal) e interpretou um príncipe em uma das peças. 

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Cristiane Pereira e o filho, Daniel Alksander, agradeceu a iniciativa do professor

Fortes, as palavras da mãe expressaram a gratidão pelo filho, hoje, se sentir incluso e acolhido por todos. “Antes chamavam meu filho de burro, ficavam rindo dele. Eu ficava chateada, indignada com as crianças, ainda mais com os pais que não explicavam para os próprios filhos que meu filho era deficiente e que isso não poderia acontecer”, relembrou a mãe a este Diário.

No entanto, ela afirma que com o projeto, foi possível perceber uma mudança de comportamento, não só na vida escolar, como também na vida pessoal. 

“O projeto veio em boa hora e ajudou a enxergar esses problemas de forma diferente. Antes ninguém brincava com ele e agora, é tão bom ver o meu filho sendo querido e com amigos de escola. É simplesmente maravilhoso e isso tudo devo ao projeto, ao professor Rennan e à equipe da direção da escola”, falou a mãe salientando que Daniel agora tem vontade de ir para a escola. “Antes ele chorava que não queria por causa do tratamento que recebia por parte dos colegas. Mas agora, ele chora para ir e isso me deixa satisfeita enquanto mãe e como ser humano”, completou.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Ana Cláudia disse que como mãe sempre procura orientar o filho

Acompanhando as apresentações, Ana Cláudia Oliveira Pereira, disse que o projeto é de extremo significado para a escola e principalmente para os alunos.

“Temos que viver na sociedade respeitando as diferenças e o próximo. É assim que procuro educar meu filho que tem esse complemento na escola. Mostrar para ele que todos nós somos seres humanos e que apesar das diferenças no comportamento seja ele qual for, o respeito tem que existir e também ajudar o próximo sempre. O projeto diz muito daquilo que recebi na educação dos meus pais e busco repassar isso para os meus filhos também”, falou Ana Cláudia. 

“Consideramos assim, que o objetivo final desse projeto não é provar resultados, mas sim formar atitudes e ações conscientes a longo prazo, pensando na formação humana, intelectual e científica de cada aluno. Quando pensamos sobre a educação inclusiva, refletimos quem somos, o mundo onde vivemos, colocamo-nos a refletir sobre a definição de deficiente e eficiente, entendemos e aceitamos nossas peculiaridades e respeitamos as diferenças dos outros”, finalizou o professor Rennan.

Comentários:

Eumari Aparecida de Freitas : Faz 11 anos que meu filho Pedro está na escola, 11 anos de luta, posso dizer concerteza que em todo esse tempo somente 2 professoras ajudaram meu filho. Sinto uma revolta muito grande pois foi chamado por inúmeras vezes de "tongo " "retardado " e se fosse pelos alunos eu até entenderia, mas foi a professora quem chamou. Pedro tem um problema mental leve e um certo grau de autismo , tem suas dificuldades mas é um menino meigo, obediente, nunca brigou na escola. Infelizmente eu não acredito na inclusão, somente quem tem uma criança especial sabe o que eu tô falando.Indignação é o que estou sentindo hoje, meu filho sofre bullying todos os dias, a sociedade quer pessoas perfeitas. Inclusão é utopia.

Neide Oliveira : Dentre milhares de escolas, são raras aquelas que trabalham a inclusão. Os professores não sabem o que fazer, não orientam os outros alunos sobre respeito e amor ao próximo. Menos ainda os pais das outras crianças aceitam e ou querem aceitar. Minha filha tem síndrome de down; estudou desde a educação infantil na escola regular, por dez anos. Nunca foi convidada para uma festinha de aniversário ou para um cinema com os colegas da escola. Graças a Deus nossa família é unida e transborda amor por ela. A escola e a sociedade são hipócritas. Deus abençoe este professor Renan de Corumbá, por mais amor e atitudes como as dele.

Simone Weigert: Entendo perfeitamente essa mãe quando diz que só quem tem uma criança especial é que entende. Parece que quando encontramos uma mãe que tem um filho especial, falamos a mesma linguagem. Esse professor Rennan tem sentimento no olhar. Minha filha tem síndrome de down. Vou tentar outra escola, está difícil.

PUBLICIDADE