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Projeto de escola estadual leva aluna para maior feira de ciências do mundo nos EUA

Portal de Notícias do Governo de MS em 01 de Abril de 2019

Filha de uma diarista e de um mecânico eletricista, Thailleny Dantas Rezende, de 16 anos, soube aproveitar a oportunidade oferecida pelos professores na Escola Estadual Teotônio Vilela, em Campo Grande, para dar passos importantes no mundo da ciência. A estudante do 3º ano ganhou três premiações na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e está com as malas prontas para participar, nos Estados Unidos, da maior feira de ciências do mundo para alunos do ensino médio.

Saul Schramm/Governo do Estado

Estudo de aluna mostra como planta invasora prejudica árvores nativas e hortaliças em MS

Será a primeira viagem internacional de Thailleny, que sonha em se tornar bióloga: “Só tinha viajado para São Paulo e Paraná e graças à pesquisa viajei para outros lugares do Brasil. Viajar para os Estados Unidos é uma oportunidade única. Minha família não teria condições de pagar uma viagem como essa”. A Intel ISEF (sigla em inglês para Feira Internacional de Ciência e Engenharia) será realizada no período de 11 a 17 de maio em Phoenix, no estado americano do Arizona.

Thailenny estuda os impactos causados à flora do Cerrado sul-mato-grossense pela Leucena (Leucaena Leucocephala) – uma planta exótica do México introduzida no Brasil. Na escola estadual, os estudos sobre o assunto começaram em 2015, quando alguns alunos mostraram curiosidade por plantas exóticas e nativas e começaram a pesquisar sobre o tema.

O professor de Biologia Vagner Cleber de Almeida conta que o tema foi parar no Clube de Ciências – um projeto dentro da escola realizado no contra turno das aulas em que os estudantes fazem pesquisas sob a coordenação de professores e mediante autorização dos pais. “O Clube de Ciências é uma forma de conseguir prender a atenção dos alunos e incentivar o aprendizado”, explica. Ele é o coordenador pedagógico do projeto sobre a Leucena, feito pela aluna Thailenny, mas que já contou com o trabalho de outros estudantes.

Nas etapas iniciais, os alunos fizeram um levantamento florístico que constatou a presença expressiva da espécie em parques e na beira de córregos de Campo Grande. Eles também verificaram que outras espécies, inclusive nativas, tinham a presença inibida pela Leucena.

Veneno

Thailenny estudou de que forma isso acontece. É a chamada alelopatia. A planta libera substâncias químicas que afetam árvores e hortaliças: “Encontramos agricultores que identificaram prejuízos na plantação de alface; embaúbas que tiveram o desenvolvimento prejudicado, com porte menor e menos folhas; e até pé de guavira que não crescia como devia por estar próximo a Leucenas”. Abundante em Mato Grosso do Sul, a guavira é uma fruta do cerrado conhecida pela sua resistência.

Nativa do México, a Leucena chegou ao Brasil trazida por pecuaristas. A folha era usada para alimentar o gado. Mas por conta da grande produção de sementes e capacidade de dispersão, a planta acabou se espalhando por várias regiões. O resultado da pesquisa da Escola Estadual Teotônio Vilela serve como alerta ambiental e sócio-econômico para controlar o avanço da presença da planta exótica no cerrado.

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