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Com visitas suspensas, aumentam apreensões de ilícitos nos presídios de MS

Leonardo Cabral em 13 de Agosto de 2020

Anderson Gallo/ Arquivo Diário Corumbaense

Em Corumbá, maconha lidera as apreensões, segundo a Agepen

Em Corumbá, conforme apurado pelo Diário Corumbaense, no primeiro semestre do ano foram interceptados 4 quilos e 721 gramas de entorpecentes no Estabelecimento Penal. Isso representa cerca de 6% das apreensões de todo o Estado, que somaram 79,3 kg de entorpecentes nos seis primeiros meses de 2020.

É o que revela o balanço que integra o relatório da Diretoria de Operações da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) referente a apreensões com visitantes e de materiais arremessados pelas muralhas dos presídios. O relatório ainda informa que triplicou o número de interceptações de materiais ilícitos nas unidades prisionais de Mato Grosso do Sul. 

Em Corumbá, conforme a Agepen, do total de droga apreendida, a maioria maconha, 99% foram arremessados pela muralha do presídio. Já em relação ao Estado, 97% foram arremessados e apreendidos pelos policiais penais e militares que dão apoio na segurança dos presídios. 

No mesmo período de 2019, o número chegou a 24,5 kg de drogas apreendidas em todo os estabelecimentos penais de Mato Grosso do Sul. Também, em todo o ano passado, os agentes interceptaram 821 aparelhos de celulares, impedindo que esse meio de comunicação chegasse em poder dos presos. Os dados apontam, ainda, que, somente nos primeiros seis meses deste ano, já foram interceptados 381 celulares pelos policiais penais entre arremessos pelo muro e com visitantes em presídios masculinos e femininos do estado.

Os números não incluem as apreensões realizadas em julho e nem os dados de apreensões realizadas já nas áreas de convívio dos internos, considerado outro trabalho intenso realizado pelos policiais penais que, rotineiramente, realizam inspeções para retirar dos detentos materiais proibidos.

Nesse contexto de interceptações, a camuflagem é um detalhe que chama a atenção dos servidores que, conseguem apreender os materiais ilícitos antes de chegar nas mãos dos custodiados.

Entre as maneiras inusitadas que criminosos utilizam para esconder drogas, celulares e outros ilícitos estão invólucros  dentro de sabonetes, creme dental, colchão, sapatos, sabão em pó, entre outros pertences entregues por familiares. No caso dos arremessos, algumas das estratégias são disfarçar os materiais encampando-os com grama, dentro de canos de PVC ou mesmo em garrafas pets.

Em Corumbá, até “pipas voadoras” e pessoas arremessando entorpecentes para dentro do presídio, foram flagradas pelos agentes e policiais militares que fazem rondas pelo prédio. O último registro, foi o de uma idosa, presa em flagrante por tentar enviar droga, para o filho, misturada em carne seca.

Presídios com apreensões no MS

Representando 52% das apreensões de todo o estado, no Estabelecimento Penal “Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC) – presídio de Segurança Máxima da capital – os servidores interceptaram mais de 41,3 quilos de entorpecentes neste ano, quantidade 250% superior a do ano passado.

Divulgação/Agepen

Drogas chegam através de alimentos ou são arremessadas para dentro dos presídios na tentativa de chegar às mãos dos detentos

Já a apreensão de celulares subiu cerca de 50%, passando de 187 para 279 aparelhos recolhidos pelos policiais penais antes de chegar em poder dos custodiados.

Em Dourados, o maior presídio do estado realizou a apreensão de 9,8 quilos de entorpecentes, entre substância análoga à maconha e cocaína entre janeiro e junho deste ano. Quantidade três vezes maior em relação ao mesmo período do ano passado, que ficou na faixa dos 3,2 quilos.

Controles

Para a efetividade das operações nas unidades penais de todo o estado, a Agepen conta com o sistema de videomonitoramento em pontos estratégicos, contribuindo com o trabalho de vigilância dos servidores e o acompanhamento em tempo real de toda a movimentação dentro da unidade, assim como, nas proximidades, o que tem facilitado a identificação de arremessos externos de materiais proibidos.

Outro aparelhamento importante é a inspeção por meio do escanner corporal, para todos que entram nos estabelecimentos penais; bem como, o detector de metais e o aparelho de raio-x em esteira para vistoria de objetos levados. Além de garantir maior segurança durante as atividades, possibilitam uma inspeção mais minuciosa e precisa de pessoas e materiais.

Com a suspensão das visitas desde março, por conta da pandemia da covid-19, as apreensões com familiares este ano tem se concentrado, desde então, em meio a pertences que são levados para entrega aos internos, apesar de terem sido registradas pessoas que utilizaram o próprio corpo para esconder ilícitos até a data da suspensão das visitas presenciais.

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