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Empresa e Centro de Oncologia promovem ação com comunidade contra o câncer de mama

Leonardo Cabral em 21 de Outubro de 2019

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Médico do Centro de Oncologia de Corumbá, Rafael Moreira, durante sua palestra

Palavras de incentivo, reforçando a orientação e prevenção, marcaram evento realizado pela Votorantim Cimentos em parceria com o Centro de Oncologia de Corumbá, na última sexta-feira (18). O encontro foi alusivo ao movimento Outubro Rosa, uma campanha de conscientização que tem como objetivo principal alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, além do câncer de colo do útero.

O evento, que reuniu estudantes do 3° ano do Ensino Médio da Escola do Sesi, trabalhadoras da empresa e profissionais do Centro de Oncologia, aconteceu na sede da própria empresa. Moradoras dos bairros  localizados no entorno da fábrica, como Maria Leite e Universitário, também foram convidadas a participar da manhã de orientações.

Para a gerente da unidade Corumbá, Adriana Celestino de Souza, que também é a primeira mulher a dirigir uma fábrica de cimento da Votorantim no Brasil, o encontro partiu de uma necessidade de interação, reforçando ainda mais a prevenção e orientação contra o câncer.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

A gerente da fábrica, Adriana Celestino, reforçou importação das ações de prevenção

“É um assunto dentro desta unidade que é bem disseminado e resolvemos trazer esse evento para nos aproximar de nossas colaboradoras, que muitas vezes passam pelo problema e também da própria comunidade. A prevenção, seja ela em qualquer tipo de doença, faz a diferença, e a participação das estudantes, representa muito, já que elas serão multiplicadoras dessas orientações repassadas aqui pelos profissionais e de pessoas que venceram o câncer”, falou Adriana Celestino.

O médico oncologista, Rafael Arregui Silva Moreira, disse ao Diário Corumbaense que a ação dentro da empresa é de extrema importância, pois quanto mais informação sobre o câncer de mama ser disseminado, mais mulheres serão ajudadas.

“Com esse tipo de evento conseguimos a oportunidade de alertar as pessoas, principalmente as mulheres, no que diz respeito ao conhecimento e consequente diagnóstico da doença. É fundamental as mulheres participarem, é um processo, onde primeiro, a mulher tem que conhecer a sua mama, saber a diferença, essa alto consciência, a percepção dela própria auxilia muito o sistema de saúde a poder diagnosticar e tratar de forma mais precoce. Conhecendo seu corpo e percebendo algo diferente, o médico deve ser procurado”, explicou o médico.

Ele ainda revelou que o que mais impressiona em Corumbá, durante esses seis meses que atua no município, é o número alto de mulheres diagnosticadas com a doença em estado avançado.

“A grande culpa disso é a vergonha que mulheres com idade mais avançada têm de falar se há algo errado e acabam deixando de procurar o médico. Isso não pode acontecer. Se sentir algo de errado ou estranho no corpo, o médico deve ser informado de forma precoce também. O câncer de mama é um dos cânceres mais preveníveis. Já em relação às mais jovens, elas são mais atentas e buscam um médico rapidamente”, alertou Rafael Moreira.

Atenta às explicações, a dona de casa Neiva Santana de Lara, de 59 anos, moradora do bairro Universitário, disse que ao saber da ação resolveu participar, pois informações são sempre necessárias.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Moradora do Universitário, Neiva de Lara, falou que soube do evento na feira livre e resolveu participar

“Estava na feira livre que acontece aqui no bairro, quando uma senhora que vende remédios falou sobre o evento. Não pensei duas vezes e vim participar, pois com tantos casos de câncer e tantas outras doenças, precisamos ficar informadas sobre a prevenção e orientação. Ter pessoas capacitadas que estão aqui repassando essas informações é muito bom”, destacou Neiva que após assistir todas as explicações decidiu que vai em busca de um médico para fazer exames. “Temos que prevenir sempre”, completou a moradora.

Já a funcionária da empresa, Lidiana das Neves, que atua na área de serviços gerais, também destacou a ação realizada no local de serviço como fundamental. “Só buscamos um médico quando sentimos algo  grave. Nunca nos preocupamos em fazer exames gerais para saber como estamos. Sei que isso é errado e devemos com frequência estar indo ao médico e vou fazer isso, ainda mais pelas minhas filhas. Como vou cobrar delas se eu também não faço?”, falou Lidiana.

Enfermeira venceu o câncer de mama

Entre as palestrantes, também estava a enfermeira Andréia Nogueira dos Reis. Ela foi diagnosticada com câncer de mama em janeiro de 2017 após passar por quatro profissionais. A doença só foi confirmada dois meses depois de ela sentir algo estranho, enquanto apalpava a mama. Ao perceber o nódulo, procurou ajuda médica.

“Percebi que havia algo estranho na minha mama e fui procurar um profissional. Como enfermeira, nunca imaginei passar por essa situação, ainda mais pelo fato de atuar na área da saúde. Não imaginamos que pode acontecer com a gente. Busquei quatro profissionais e todos afirmaram que o nódulo era benigno depois de uma série de exames, como mamografia, ultrassom, enfim inúmeros procedimentos médicos. Mas aquilo ficou na minha cabeça e então, fui para Campo Grande, fazer exames com um oncologista, que pediu novos exames e também a biópsia. Três dias depois veio o diagnóstico revelando que eu estava com câncer de mama e já em estado um pouco avançado. Foi uma notícia impactante e desesperadora. Mas tive que me manter firme e forte”, relembrou Andréia a este Diário.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Enfermeira Andréia Nogueira travou luta contra o câncer de mama em 2017

A enfermeira menciona que a insistência dela foi fundamental até se chegar ao diagnóstico da doença. “Por isso que falo, a mulher tem que se apalpar e perceber algo errado em seu corpo, algo que não nasceu com ela e de repente surgiu, insista e vá em busca em ajuda médica. A prevenção é fundamental e necessária”, alertou.

Andréia travou a luta contra a doença durante os 12 meses de 2017. Entre sessões de quimioterapia, radioterapia e a mastectomia (retirada da mama) ela se diz orgulhosa por não ter desistido. A enfermeira sente que tem obrigação de contar incansavelmente a sua história, pois com isso quer ajudar muitas outras mulheres a terem essa coragem de lutar pela vida.

“Desde o momento que senti algo estranho até o diagnóstico, só pensava na minha família, no meu filho de seis anos. No primeiro momento em que se recebe a notícia, o pensamento é de morte. Mas com o tempo, a confiança é maior, pois você vê que outras pessoas venceram e com isso, a coragem vai aumentado e a confiança também. O psicológico da gente é 80% do tratamento. Você tem um problema, mas não está doente. É assim, que temos que pensar. Eu conto e repito a minha história todos os dias. Muita gente pensa que não é nada, que se algo apareceu vai sumir. Hoje, minha missão virou falar sobre isso, alertar as pessoas, não precisamos ter medo. Quem procura acha. O quanto antes a gente achar, a chance de tratamento e vitória é maior”, falou Andréia que está liberada do tratamento, mas faz exames a cada quatro meses. “Não tinha histórico na minha família, jamais pensei em passar pelo que passei. Agora a prevenção é fundamental. Mulheres se toquem. É preciso sempre estar atenta a tudo”, completou.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Rhanna Mickelly, estudante do Sesi, disse que a doença não escolhe idade e a prevenção é de extrema importância

Todas as palavras de incentivo também foram ouvidas com atenção pela estudante Rhanna Mickelly Moreno do Nascimento, que está no 3° Ano do Ensino Médio da Escola Sesi. Para ela, participar do evento junto com as colegas foi muito importante. 

“É evidente que o câncer de mama em mulheres é um grande problema e esse assunto deve ser mais trabalhado dentro das escolas. Acredito que todo mundo conheça alguém que enfrentou a doença. A questão de prevenção e orientação é muito importante ainda mais em mulheres mais novas, que têm a obrigação de conhecer o corpo desde cedo, tirando da cabeça a ideia de que por mais jovem, está livre da doença. O câncer não escolhe idade”, salientou a estudante.

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