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Bolívia busca reduzir o volume de gás natural que exporta para o Brasil

Leonardo Cabral em 11 de Dezembro de 2019

Reprodução/ El Deber

Pelo contrato atual, Bolívia deve fornecer até 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia; Governo quer reduzir

A 21 dias de se encerrar o prazo do contrato de exportação de gás que a Bolívia tem com o Brasil, o Ministério dos Hidrocarbonetos, do Governo de Transição, realizará uma agenda estabelecendo novos parâmetros para a exportação. Atualmente, por contrato, o país deve enviar entre 24 e 31 milhões de metros cúbicos de gás por dia (MMm3 / d). No entanto, a administração atual planeja um novo parâmetro, de 18 e 24 (MMm3 / d).

O ministro de Hidrocarbonetos, Víctor Hugo Zamora, disse que é necessário baixar a oferta e demanda existente entre os dois países, que são fixadas em acordo comercial. Ele ressaltou que os atuais números fixados no contrato, “são números fabulosos”.

“Temos e necessitamos reduzir essa oferta e sermos realistas. Podemos cumprir até o envio de 24 MMm3/d e necessitamos gerar estabilidade, para que um dia não haja falta na demanda”, alertou. “Nesse sentido, a demanda entre 18 e 24 MMm3/d pode ser suficiente. Vamos trabalhar isso através do critério técnico que está sendo negociado”, completou.

Victor ainda revelou que do lado brasileiro, “existe uma boa intenção para estabelecer essas medidas para que haja normalidade nas demandas, nas nominações”.

Nos primeiros dias do governo de transição, o Ministério dos Hidrocarbonetos revelou que as reservas de gás atingiam 8,95 trilhões de pés cúbicos (TCF), um valor que não coincide com o certificado de 10,7 TCF a empresa canadense Sproule, encomendada pela administração anterior do estado YPFB.

Segundo Zamora, esse novo número permitirá negociar um volume real e evitar multas por violações. “Não negociaremos mais multas ou qualquer penalidade como aconteceu, pois se ofereceu mais do que tínhamos. Quando não há honestidade e transparência, não há negócio, se não um desastre ”, disse.

Prazos e preços

O ex-presidente da Câmara de Hidrocarbonetos e Energia da Bolívia (CBHE), Carlos Delius, afirmou que é importante abordar a realidade da produção.

No entanto, ele explicou que é importante saber se o governo negociará o fechamento do contrato anterior ou se procurará estabelecer um acordo comercial.

“Espero que eles se saiam bem, mas você precisa separar as coisas. Uma é o fechamento do contrato anterior. Quanto tempo entregamos, quais volumes temos pendentes; um ano, dois ou três”, disse.

Então, segundo Delius, é necessário saber qual é o plano nas políticas de hidrocarbonetos. Nesse sentido, o especialista Bernardo Prado afirmou que era preciso ser sincero com as cifras e pôr os pés na questão do gás.

Para o especialista, nas condições atuais, é impossível abastecer simultaneamente os dois mercados da Argentina e do Brasil, caso exija os volumes máximos estabelecidos no contrato. Como Delius, para Prado também é necessário ser sincero com os preços do recurso.

“Devemos dar sinais do que realmente podemos entregar. As coisas estavam mal administradas, politicamente, era bom dizer que exportamos 30 MMm3/d para o Brasil ou 27 MMm3/d para a Argentina. Tudo era manipulado”, revelou Bernardo Prado.

Por outro lado, o especialista afirmou que é necessário conhecer o progresso do governo anterior nas negociações de um adendo com o Brasil. "É precisa ver o avançado", explicou Prado. Ele ainda afirma que o Brasil não vai mais querer negociar um preço para o gás indexado ao do petróleo.

Freddy Castrillo, secretário de Hidrocarbonetos e Energia de Tarija, um dos principais produtores de gás, explicou que é necessário que o governo obtenha um adendo de pelo menos um ano para garantir, ou, se possível, obter mais. Mas ele observou o menor volume levantado pelo governo. Para Castrillo, é urgentemente necessária uma nova certificação de reservas. Com informações do jornal El Deber. 

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