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Missa celebrada na Capela de São João ajuda a fomentar festejos ao santo

Leonardo Cabral em 29 de Outubro de 2019

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Missa é celebrada na capela de São João, na Ladeira Cunha e Cruz, região portuária de Corumbá

Todo dia 24 de cada mês, as portas da Capela São João, localizada na Ladeira Cunha e Cruz, por onde passam os andores com as imagens do santo nos festejos juninos do Banho de São João até as águas do rio Paraguai, se abrem para a celebração de uma missa. A iniciativa teve início desde a última festança, em junho.

A intenção é fazer com que seja frequente a presença da comunidade na capela, considerada “casa de São João” em Corumbá. O padre Júlio César Silva Mônaco, disse que as celebrações religiosas já aconteciam, mas que após uma reunião com a Fundação de Cultura e os festeiros, ficou decidido que a cada dia 24 de cada mês, uma missa é celebrada na capela. 

“A missa já era celebrada sob os cuidados do padre Fábio, porém, depois da festa, em junho, assumi a responsabilidade pela capela e pedi uma reunião com a Fundação de Cultura e os festeiros para que pudéssemos organizar a frequência deles aqui nessa comunidade. Como eles têm essa devoção especial e realizam esse grande evento, pedi para não ficarmos apenas em junho, mas no ano inteiro, proporcionando a todos que são devotos de São João Batista a participarem da celebração”, explicou o pároco Júlio César ao Diário Corumbaense.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Padre responsável pela capela, Júlio César Silva Mônaco

Ele ainda revelou que durante a reunião as “tarefas” foram divididas entre os participantes. “Dividimos com os festeiros a responsabilidade pela missa, eles têm a incumbência de convidar a população, ficando à frente da celebração a cada mês. Já tivemos a participação bem intensa aqui na capela. As Diretrizes da Ação Pastoral da Igreja do Brasil, aprovada pela Conferência dos Bispos este ano, definiu que uma devoção como essa, não fique somente no âmbito folclórico e festivo, mas que aconteça, através da igreja, a evangelização, como ocorre aqui na cidade, já que São João é o santo da igreja católica e aqueles que são devotos têm algo especial para com isso. Nós, enquanto igreja, devemos fazer com que essas pessoas tenham uma espiritualidade não somente lá na casa, onde rezam o terço, mas que venham à comunidade, porque essa capela foi construída para dar  atenção à eles”, frisou.

Festeiros aprovam iniciativa

A festeira e babalorixá, Janete Alves Tinoco, do bairro Maria Leite, já foi uma das responsáveis pela celebração. Há mais de 40 anos, ela mantém viva a tradição em homenagem a São João que tem como culminância o banho do santo das águas do rio Paraguai.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Festeira Janete Alves Tinoco, há foi responsável pela missa

“Comecei a devoção a São João há mais de 40 anos. Minha mãe fazia, eu participava, mas não tinha compromisso nenhum. Fui ter o compromisso depois que minha filha ficou doente, que eu pedi ao santo e ela ficou curada. Minha mãe falou: ‘Janete, peça para São João, peça que ele vai te ajudar’. Eu caí de joelho, pedi e ele me ajudou. Ela ficou bem e eu sempre faço a festa com muito carinho e amor”, contou dona Janete a este Diário.

Já em relação à missa, ela falou que a ideia é muito bem-vinda. “Meu pai (São João) é tudo na minha vida. Acho muito importante manter a porta da capela aberta para nós que somos responsáveis em fazer a festa. Aqui podemos vir pedir e agradecer as bênçãos ao santo”, afirmou a festeira.

Para o diretor-presidente da Fundação de Cultura, Joílson Silva da Cruz, a capela, considerada “caçulinha” na cidade, reafirmou a importância da reabertura das portas para os festeiros e também à comunidade em geral.

“A reabertura da capela está ligada justamente para que os festeiros façam o seu louvor ao santo, isso foi uma conversa com os festeiros e a diocese que nos cedeu o local. É emblemático, porque é por essa ladeira que passam os andores com as imagens de São João, que se ‘cruzam’ na noite do dia 23 para o dia 24 de junho, quando Corumbá revive esse momento ímpar, mantido há mais de um século em nossa região”, explicou Joílson.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Joilson da Cruz ressalta que missas ajudam a fomentar a tradição

Ele ainda ressaltou que a capela foi erguida graças a dedicação da eterna, Heloísa Urt, considerada a “mãe” da cultura corumbaense, falecida em 2011. “Foi na gestão dela, quando ficou à frente da Fundação de Cultura, que a capela ganhou vida, após muita luta. O terreno era da Prefeitura, que acabou cedendo para a Diocese”, mencionou.

Joílson ainda pontuou que com a celebração religiosa todo mês na capela, a intenção é também fomentar os festejos em homenagem a São João. “Com isso fomentamos ainda mais essa tradição, que não fica limitada apenas no mês de junho, mas o ano todo. Estamos preparando uma extensa programação para o Banho de São João de 2020, que deve começar já em janeiro até a chegada da data, envolvendo atividades aqui na capela. E ainda estamos esperando o tão aguardado registro de patrimônio imaterial cultural do Brasil”, reforçou Joílson.

A Capela

O projeto de implantação da capela de São João pela Prefeitura de Corumbá atendeu, na época, ao pedido feito por famílias festeiras e por devotos ao ex-prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (in memoriam). A obra teve como ponto de partida uma ação da Fundação de Cultura do Pantanal de Corumbá.

A restauração e ampliação do prédio tiveram projeto elaborado por uma arquiteta da Prefeitura. Foram aplicados R$ 110 mil na adequação física do espaço. A área restaurada e ampliada é de aproximadamente 150 metros quadrados e comporta 60 pessoas. O altar conta com imagens de São João Batista, de São Pedro e Nossa Senhora de Fátima.

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