Projeto mostra a estudantes processo de construção da viola de cocho

Ricardo Albertoni em 14 de Agosto de 2018

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Atividade é ministrada pelo mestre-artesão Sebastião de Souza Brandão

Alunos do ensino fundamental da Escola Municipal Cássio Leite de Barros, no bairro Nova Corumbá, participam esta semana de uma oficina de produção de viola de cocho. A atividade, ministrada pelo mestre-artesão e cururueiro Sebastião de Souza Brandão, atendeu convite da professora Leidiane Garcia, licenciada em Música pela UFMS.

A professora é reconhecida por desenvolver na instituição de ensino projetos relacionados à educação musical. Em 2014, com o projeto “Série Concertos na Escola – Vivência e Prática Musical” foi selecionada para participar de um concurso nacional. Foi aí que surgiu o primeiro contato das crianças com o instrumento genuinamente pantaneiro.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

A professora Leidiane Garcia é reconhecida por desenvolver na instituição de ensino projetos relacionados à educação musical

“Desde então, esse processo de educação patrimonial vem sendo desenvolvido ano a ano. Em 2014 também foi criado o grupo vocal e de percussão do Siriri e de dança do Siriri, formado por alunos da escola. É uma atividade que completa 5 anos e ao longo do tempo fomos inscrevendo os projetos desenvolvidos com eles em premiações nacionais e também a nível municipal, divulgando as atividades que a gente desenvolve dentro da escola relacionadas a música e a questão do patrimônio”, explicou Leidiane ao Diário Corumbaense.

A oficina faz parte de atividades alusivas ao mês do folclore, comemorado no dia 22 de agosto. Além da oficina, o grupo Vocal, de Percussão e de Dança do Siriri, formado pelos próprios alunos, se apresentará na semana que vem. É o resultado do “Projeto Piloto – Música e Patrimônio”, desenvolvido este ano. Durante os trabalhos, as crianças tiveram acesso direto à teoria musical tradicional, a não convencional para a leitura e execução da viola com base em notação musical, partitura ou adaptações, ou seja, um contato direto com o instrumento e a cultura local.

Além disso, alunos que se destacaram na compreensão das aulas teóricas e práticas de música recebem gratuitamente aulas particulares de violão e viola de cocho nos finais de semana. Ministradas pela professora Leidiane, as aulas têm como foco a formação de uma “nype”, um grupo de cordas para tocar junto ao Grupo Vocal e de Percussão do Siriri.

“A ideia é fazer uma homenagem pensando no mês do folclore, não só no dia. Eu costumo dizer que a cultura popular deve ser vivenciada durante o ano, não só em uma data específica. Para que as crianças comecem não só conhecer, mas respeitar a cultura local que em geral parece ser tão distante, sendo que e a gente mora em uma localidade em que a cultura é viva”, destacou Leidiane.

Anderson Gallo / Diário Corumbaense

Entre uma explicação e outra, o mestre-artesão e cururueiro compartilha curiosidade com os alunos

Semente

Todo o processo de construção da viola de cocho é descrito com detalhes durante a oficina e entre uma explicação e outra, o mestre-artesão e cururueiro Sebastião Brandão, de 74 anos compartilha uma curiosidade com os alunos.

“Achei interessante como ele afina a viola. Tenho vontade de aprender a tocar, eu me encanto pelo instrumento. A professora já faz trabalhos com a gente sobre a viola, então, temos um certo conhecimento. É importante conhecer mais sobre a história da região”, disse Wender Araújo da Silva, de 09 anos, aluno do 4º ano.

“Eu gosto de música e participei da apresentação. Achei interessante e gosto de saber mais sobre a nossa cultura”, disse José Vitor Brandão de Almeida, 10 anos, que integra o Grupo de Dança do Siriri.

Para Sebastião Brandão, é gratificante poder repassar às novas gerações os ensinamentos adquiridos ao longo de toda uma vida. “Graças a profissionais como a professora Leidiane, que faz esse trabalho, repassar esses ensinamentos significa plantar uma semente. Hoje é difícil uma pessoa seguir. Pra dizer a verdade tem até muitos adolescentes e adultos que não conhecem a nossa cultura, acham que são outras músicas. Pra mim, isso é uma grande satisfação, posso estar fazendo o que for, mas se receber um convite como esse, atendo com prazer”, contou.

Como apoio à ação, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) realizou o transporte dos materiais utilizados na oficina e a locomoção do ministrante.

Comentários:

beneditocglima: Parabéns à genial iniciativa,posto que a Viola de Cocho faz parte do nossopatrimônio Cultural.Melhor ainda, em sendo essa Oficina na SEMANA DO PATRIMÔNIO,parabéns a Leidiane Garcia e também à Escola. Ninguém ama aquilo que não conhece,portanto iniciativa super legal.

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