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Para Elano, economia de Corumbá está na contramão e transporte público precisa ser "arrojado"

Da Redação em 13 de Setembro de 2016

Pela terceira vez disputando eleição para a Prefeitura de Corumbá, o candidato do PPS, Elano de Almeida, 62, acredita que suas propostas – calcadas fundamentalmente na conscientização da sociedade do poder que ela tem – podem ser o diferencial nas eleições deste ano e levá-lo a exercer, a partir de 1º de janeiro de 2017, a chefia do Executivo Municipal. Divorciado e pai de cinco filhos, o empresário quer ser prefeito de sua terra natal para ter a oportunidade de “fazer algo” pela cidade.

“Sempre que me convidavam para ser candidato eu negava, dizia que não queria me envolver com a política. Meu pai, aos 80 anos, disse que eu deveria me preocupar mais com a política, porque quando tivesse 80 anos, igual a ele, podia me arrepender por não ter feito nada por nossa cidade, nasci em Corumbá, na carvoaria do Cedral, aprendi a ler e escrever porque minha mãe me alfabetizou, não tinha escola rural lá. Construí toda minha vida aqui, todo o meu patrimônio aqui, com minha empresa de 32 anos. Agora, por opção, pretendo desativar a Holanda e Saldanha, porque sendo prefeito de Corumbá não posso estar com uma empresa ativa. Fui empresário durante 32 anos com a mesma empresa e com sucesso possível, dentro do país. Agora, candidato a prefeito deixo de ser empresário e passo a ser político”, afirmou.

Elano foi o primeiro candidato da série de entrevistas do Diário Corumbaense com os três postulantes à Prefeitura de Corumbá. Nesta série, o Diário abordou exatos 11 tópicos de seus respectivos programas de governo. Confira as propostas de Elano de Almeida.

EDUCAÇÃO

“Além de engenheiro de formação, sou psicanalista. A psicanálise nos informa também que a criança de zero a 8 anos, armazena no seu arcabouço mental, as informações que alicerçam o caráter do homem adulto. Isso nos preocupa bastante porque nossos filhos estão sendo formados para serem competentes e ganharem dinheiro, isso não é tudo. É preciso formar pessoas de bem, antes de ganhar dinheiro e ser competentes, precisam ser pessoas de bem. Caso contrário, essa pessoa competente chega num alto cargo e causa um dano enorme à sociedade. Para formar homens de bem, precisamos investir mais na educação infantil, criança de zero a oito anos na escola, em escolas confortáveis, agradáveis, que a criança queira ir porque é um ambiente agradável. Nessa escola, falarmos dos valores maiores da humanidade, ética, moral, não matar, não roubar, não mentir, ter carinho pelas pessoas independente de cor, credo. Valorizar o ser humano, dar para essas crianças valores dignos de uma sociedade humana, evoluída e certamente, quando chegar sua juventude enfrentarão melhor as dificuldades próprias da adolescência e vai evitar grande parte que caminhem pelo lado das drogas, ambição, porque foi bem alicerçada sua infância. Lembro sempre que não nascem bandidos com 22 anos, dando tiros e matando alguém. Nascem todos bebês e aí a responsabilidade é do Poder Público, que permite que essas crianças cresçam numa situação de desequilíbrio e aos 15, 16 anos, estão agredindo, fazendo coisas erradas e aí querem prender. Há os que defendam a pena de morte. É um absurdo isso. É o nosso filho que  cresceu, que não educamos na infância, que não cuidamos dele, não demos amor ou atenção e desamparado passa a acreditar nos valores da violência, agressão, poder financeiro. Temos também que valorizar os professores, o professor é uma extensão de seu lar, você entrega seu filho para ser educado por um profissional que não está sendo valorizado, marginalizado como professor. Ele não está bem com ele mesmo, está sendo explorado por um Poder Público que está desatento a essa questão. Temos de valorizar muito os professores, capacitá-los ainda nessa equação mais do psiquismo infantil, para que consigam alimentar as mentes infantis com a beleza que é ser humano. De ser uma pessoa de bem.”

SAÚDE PÚBLICA

“A saúde é uma questão de gestão. Acredito que o melhor plano de saúde não deveria ser cuidar do doente, mas evitar que as pessoas adoeçam. Quanto menos pessoas adoecerem, mais eficiente vai ser a nossa saúde. É focar, de uma forma bem objetiva, na questão do atendimento à saúde básica antecedendo a situação de doenças graves. Nessa atenção básica, se for bastante atuante, vamos ter uma resolução muito maior do que esperar a pessoa adoecer e depois atendê-la, já num grau de alta complexidade que não é coerente. É atendermos antes. O governo precisa de uma parceria com os profissionais da medicina, e que seja de respeito, de percepções das questões. Traçar um plano conjunto com a participação de todos esses profissionais. Há várias formas de motivar uma categoria. O trabalho assim é muito mais intenso, eficiente e alcança a população de forma muito mais resolutiva. Médicos e todos os profissionais da saúde precisam se sentir corresponsáveis pela solução do problema da saúde de Corumbá. Não foi o prefeito Elano que resolveu, fomos nós. O prefeito Elano seria só o agente político para a realização daqueles programas traçados em conjunto. Existirá uma corresponsabilidade da prefeitura e dos profissionais de saúde. Vejo também o trabalho dos assistentes sociais, que têm uma atuação fantástica, que muitas vezes não é visto. Ali, diria que está uma grande possibilidade de minimizar os danos da saúde no município.”

Fotos: Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Elano vê problemas de gestão na saúde, que precisa ter atenção básica fortalecida

 TURISMO

“Temos uma das cidades mais belas do Mato Grosso do Sul. Observamos que a natureza foi pródiga com Corumbá, somos felizes por ter esse patrimônio. Porém, nossa cidade é muito mal cuidada, não se preparou para receber turista. Na cidade se vê um notório descaso da administração pública em qualquer canto. É lixo, falta de calçadas, é uma população empobrecida em suas oportunidades, que não consegue recursos. Do turismo, diria que precisamos preparar nossa casa para receber o turista para que não seja dessa forma. O projeto que temos, a Rota do Desenvolvimento, propõe um arrojado investimento em infraestrutura. Cada proposta nossa, está ligada a uma equação de fomento econômico, ou seja, quando falamos de urbanizar o morro, criar uma orla em volta do morro, vamos evitar a favelização. Essa orla em volta do morro, com pistas para bicicletas e skate, não vai passar carros nem motos, mas para o passeio das pessoas e com estações de música, ginástica, ginástica para a terceira idade, são vários pontos, com trilhas para turistas que nos visitem vejam que temos locais bonitos sim. Aqui dentro da cidade, temos uma reserva florestal, basta protegê-la. Quem vai ganhar dinheiro com esse fluxo, serão as pessoas que moram no entorno dessa morraria. O turismo deve ser voltado para as belezas naturais, esse que é o forte. Temos de construir isso, temos o rio Paraguai, temos o Passeio do Pescador, que propõe a urbanização de toda a margem do rio até o Marina Gattass, passando pela Cacimba da Saúde, Pousada do Cachimbo, captação da Sanesul, essa região toda onde você pode passar, andar de bicicleta, a cavalo, fazer uma caminhada. A água da Cacimba é limpa, pode-se ter um pequeno balneário. Precisamos investir nisso. Essa infraestrutura toda com o circuito pela estrada da Codrasa e que iria até o aterro de Forte Coimbra, retornando pelo Taquaral. Fazer uma trilha dessa para conhecer a área rural, ver pessoas laçando um bezerro, alguém fazendo doce, fazendo churrasco de chão. É isso que o turista quer ver, ele vem para ver o que nós temos. Podemos fazer um café da manhã numa fazenda, onde o turista coma um queijo, um doce, algum produto natural. O mel de abelha daqui é diferente, sem agrotóxico. Temos apelos fantásticos para criar o Circuito de Turismo, envolvendo essa área rural e essa população, que com nossos fazendeiros e assentados protegem essa região. Essa região precisa de visitação voltada a essa exploração do turismo. Nossos filhos saem daqui, vão a São Paulo para ir a um parque, totalmente construído. Mas, os filhos de cidadãos de São Paulo, Rio de Janeiro, exemplificando, eles não querem ver mais isso, já conhecem, querem atrativos.  É trazer essas famílias para conhecer as belezas de Corumbá.”

CULTURA

“A cultura conta nossa história, engrandece e estrutura toda nossa vida e faz parte de nossas raízes. Temos muitos artistas em Corumbá, pessoas que vivem da arte, mas isso não pode se tornar um emprego comum. O artista tem independência criativa, ele existe sozinho, dentro de um contexto próprio, é diferente do empregado que você paga para construir uma mesa, consertar um carro, por exemplo. Tem a criatividade dentro dele e para valorizar a cultura precisamos pegar esses nossos artistas, em todas as áreas, valorizar, fazer as nossas escolas, contar a nossa cultura, mostrar às nossas crianças de onde veio aquilo, a origem, quem é aquele artista, o que ele faz. Isso, para que a criança perceba que cultura é algo que precisa ser valorizado, é nossa história, origem e raiz. É uma conscientização e despertar, não há professor de cultura, o que tem é o artista e é ele que tem de ser exaltado, do tamanho que ele é, da forma que ele é e da essência que ele tem. O artista tem que ter o espaço para existir.”

ECONOMIA

“No nosso programa classificamos que Economia forte é povo rico. Povo rico não é aquele que compra fazendas, aviões, iates. Povo rico é o que tem dinheiro no bolso para pagar suas contas e viver de forma digna. As equações financeiras de Corumbá estão na contramão da estruturação da sociedade. Veja bem, chegam 40 caminhões por dia, praticamente, de mercadoria de fora. Uma paçoquinha no supermercado não é daqui. Você compra e o dinheiro vai para outra cidade. Os produtos vêm de fora, nosso dinheiro vai para fora. Temos um programa chamado Incubadora de Empresas. Há muita gente nas ruas vendendo produtos e está há muito tempo fazendo isso. Se fazem há tanto tempo é porque o produto deles é bom, senão não estariam. Eles não têm apoio do Poder Público no sentido de que se tornem pequenos empresários e possam produzir e vender a mercadoria para os supermercados. Se potencializarmos, temos 1.400 famílias nos assentamentos, amparar e orientar para crescer, vamos produzir alimentos. A proposta é absorver o que foi produzido em Corumbá e como Poder Público intermediar essa negociação. Assim como é mais barato mandarmos alimentos para fora, do que trazer. Os caminhões daqui voltam vazios, nada é produzido em Corumbá além de cimento e minério. Podemos ter alimentos produzidos aqui e vender para fora, invertendo a equação. Produzindo mais, você tem mais emprego. Uma equação que peço que a população pense é que assistimos por 12 anos uma equação do asfalto, vem asfalto e vai dinheiro para fora. Por que não fazermos com concreto, qual seria a diferença? Temos aqui concreto na avenida Nossa Senhora da Candelária, há quase 20 anos. Se fizermos com concreto, vamos comprar areia aqui, comprar brita aqui, o cimento aqui, vamos fazer com que as pessoas daqui, caminhões para transportar tudo isso com motoristas daqui, equipes de carregar e descarregar, se o pneu fura precisa de borracheiro daqui, precisa de mecânico daqui. Pegou esse dinheiro, 10 milhões, por exemplo, e o distribui na cidade, através da linha do trabalho. É a única forma de resgatar a sociedade para uma vida mais equilibrada. Ela tem que ganhar dinheiro, montar uma equação em que o nosso dinheiro da administração pública e fazer com que parte desse dinheiro circule dentro da economia local, você fomente essa economia. Quando digo que está na contramão é por isso, não há essa preocupação.”

Elano diz que conscientização da população pode ser o diferencial nesta eleição

ESPORTE E LAZER

“Estudei no colégio Santa Teresa, colégio dos padres. Vendo as Olimpíadas pude rememorar que fazia esportes como lançamento de dardo, de disco, arremesso de peso, jogava handebol, basquete, futebol, vôlei, fazia salto em altura, corrida, natação. Esses esportes faziam parte do meu cotidiano, tínhamos a oportunidade de praticar todos eles. Ficávamos ansiosos, estudávamos, íamos para casa e tínhamos de fazer a tarefa para poder sair e voltar para a escola, onde faríamos esses esportes todos. Hoje temos poliesportivo, mas que não é poliesportivo. Só se joga futebol. Precisamos fomentar isso. Na impossibilidade de criar isso em todas as escolas, a proposta é criar centros poliesportivos de verdade, não só no nome, mas com todas as atividades e modalidades para que as escolas tenham acesso a esse poliesportivo. Estuda na escola e no poliesportivo participa de qualquer atividade esportiva. É encontrar dentro dessa juventude, as especificidades de cada um, com a possibilidade que se dediquem, também a um esporte específico. O custo  é menor, mas eficiente para dar o destino a esses jovens. Há muitos jovens nas ruas, temos que dar a eles oportunidades de esporte, cultura, lazer. Isso é fundamental. No lazer temos uma proposta na Rota do Desenvolvimento que é a Arena do Som, para que curtam o som numa área que não seja residencial. Temos de criar essa opção para eles, naquele espaço poderão ouvir, curtir seu som porque o ambiente está preparado para não incomodar a vizinhança.”

SEGURANÇA PÚBLICA

“Precisamos de uma ampla discussão sobre a segurança pública. Temos toda uma força policial, não importando sua identificação. São forças repressoras, fiscalizadoras e disciplinadoras. Tem que haver integração maior entre as forças e a população, que deve estar integrada a esse movimento da segurança, não pode estar ausente desse processo. Ela precisa ser inserida sabendo que vai ser protegida e também com o que pode colaborar para que isso aconteça. O modelo que propomos tem que nascer das forças sociais, da somatória de interesses da população que precisa da proteção e da polícia que deve proteger. Se os dois não se unirem e identificar a forma de um apoiar ao outro, dificilmente avançaremos. É preciso integração da polícia com a população, é o caminho.”

TRANSPORTE PÚBLICO

“Precisamos pensar de forma mais arrojada e futurista. As cidades que crescem têm problemas no transporte coletivo. Já temos há muitos anos essa reclamação. Temos uma proposta de um corredor de ônibus de 17 quilômetros por toda a cidade. Só trafegará ônibus e as estações serão sinalizadas com motivos turísticos do Pantanal, como Estação Arara, Onça-Pintada e vamos desenvolver os corredores de bicicletas. Hoje é um perigo andar de bicicleta aqui, direto ocorre acidente. Dentro da Humanização do Poder, o motorista tem que estar certo que seu veículo pode ser uma arma, que pode matar pedestre e ciclista. O motorista tem que cuidar do ciclista e do pedestre, tem que andar com prudência, com direção defensiva. Temos que humanizar isso. O transporte público quanto mais investimentos, mais teremos um trânsito esvaziado, quem tem carro deixará em casa. Com o corredor o ônibus chega no horário certo, é um corredor de ônibus, sem quebra-molas com sinaleiros programados e  cumprirá horário.”

LIMPEZA URBANA

“A população precisa ser envolvida. Esse envolvimento tem que ser uma conscientização da corresponsabilidade nessa limpeza e despertar as pessoas para uma cidade bela. Temos a cidade mais linda do Estado, mas está abandonada em todos os aspectos. É necessário que a gente traga uma empresa de fora para limpar nossa cidade? Não conseguiríamos fazer isso com a nossa população? Pequenos empresários não poderiam atuar? Podemos dividir a cidade em 10 setores e setorizar a limpeza, com pequenas empresas responsáveis por determinadas áreas. Dessa forma fomentaríamos essa distribuição de renda. Uma grande empresa tem um faturamento alto, paga seus funcionários e o restante do recurso se evade daqui de Corumbá. Se o dinheiro é de Corumbá, vamos pegar esse dinheiro e fomentar as pequenas empresas. Sei que depende de concorrência, de uma situação legal. É mais fácil despertar pequenas empresas para ganharem 100 mil por mês que uma grande vir de fora para ganhar 1 milhão.”

POLÍTICAS PARA JUVENTUDE

“Vejo uma juventude sem esperança, que não consegue enxergar um futuro em Corumbá porque não existem políticas. Você nasce em Corumbá, cresce, estuda um pouco e vai embora. Todos os nossos programas, como a Incubadora de Empresas, com a diversificação do ganhar e do produzir vão abrir espaço para nossa juventude. Ela também precisa ter seus espaços de lazer, treinar o esporte que desejar, sonhar em ser um campeão. Precisamos olhar par a juventude e entender que ela é o nosso futuro. Vamos criar a política do primeiro emprego, implantar e estimular as empresas a abrirem espaços também para o jovem aprendiz e para os estágios. A juventude se forma e fica mendigando estágios porque existe política, mas não existe a resposta empresarial para absorver. O Poder Público tem muita responsabilidade nisso.”

POLÍTICA LGBT

“Viemos de uma cultura machista extremamente danosa e que será sempre danosa, em qualquer época. Não podemos agredir as pessoas, não importa a opção que tenham, é uma pessoa e eu devo respeitar e garantir seus direitos. Ela tem o direito de ser e temos de respeitar. Todos somos livres para fazer o que quisermos. Estamos abertos a discutir todas as políticas, mas que não sejam sectárias e agressivas. No que está divergente, sendo injusto vamos discutir, debater e acertarmos. Somos pessoas.”

 

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