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CG: Polícia investiga bando que usava nome de deputado para aplicar golpes

Midiamax em 25 de Outubro de 2012

Menos de um mês após a imprensa divulgar que foi cortado o sinal telefônico ao redor do Presídio de Segurança Máxima, no Jardim Noroeste, a Polícia Civil descobriu uma quadrilha que está aplicando golpes em comércios de Campo Grande. A suspeita é de que toda a negociação seja feita por detentos da unidade, com o uso do telefone celular.

Segundo o delegado Miguel Said, foram aplicados no total quatro golpes neste mês, com prejuízo de mais de R$ 10 mil em cada um deles. "A pessoa ligava em um comércio pedindo o orçamento de produtos, como aconteceu em uma loja que vendia ar-condicionado. Na ocasião o orçamento foi de R$ 11.750, para cinco aparelhos de cinco mil btu´s e mais cinco de nove mil btu´s", explica o delegado Said, responsável pelas investigações.

Graziela Rezende/Midiamax

Parte da quadrilha, veículo apreendido e delegado Miguel Said, responsável pelo caso

O estelionatário então se utilizava de um "laranja" para efetuar depósitos no caixa eletrônico da agência bancária. "A pessoa colocava um envelope vazio, com o valor do orçamento e ligava na loja de volta, sempre no final do expediente bancário, quando não dava mais para conferir o dinheiro. Ela então pressionava o vendedor e este verificava o valor em conta sem confirmação, liberando para o golpista ir buscar os produtos na loja", afirma o delegado Said.

Os estelionatários iam pessoalmente à loja, para retirar os produtos. O detalhe é que em três dos quatro golpes eles se identificaram como sendo uma pessoa influente, o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB).

"Com certeza o comerciante ‘cresce o olho' ao verificar o CPF (Cadastro de Pessoa Física) de um cliente como esse, que seria um deputado federal do estado de São Paulo e não tomam a cautela necessária na venda", ressalta o delegado Wellington de Oliveira, que também acompanha o caso.

Dois deles já foram presos ontem (24) por homens da 1ª Delegacia de Polícia, sendo o mecânico Sérgio Palma da Silva, 33 anos e Paulo Henrique Leiva, 25 anos, vulgo ‘danoninho'. Na casa dele foram recuparados oito dos dez aparelhos. Em outro golpe, que ocorreu em um hotel da avenida Afonso Pena, a pessoa na ligação se identificou como sendo um gerente da Votorantim.

"Ele disse que estava trazendo um grupo de pessoas para Campo Grande e que precisava de um orçamento sobre a estadia. O valor cobrado foi de R$ 30 mil e mais uma vez o ‘laranja' fez o falso depósito de R$ 42 mil na conta do hotel", fala o delegado Said.

Como o valor foi maior, ele ligou pressionando, dizendo que o setor financeiro da empresa Votorantim tinha feito uma "confusão nos valores" e então exigiu o estorno de R$ 12 mil. Mais uma vez sem verificar o valor eles devolveram o dinheiro que nem chegaram a receber.

"É impossível uma pessoa depositar R$ 42 mil em um envelope de algum caixa eletrônico. São coisas que o comerciante deve pensar, não é só porque o valor aparece na conta que o depósito realmente foi feito. Este é um alerta importante ainda mais agora, nesta época de final de ano", avisa o delegado Said.

Nos outros dois comércios o golpe foi de R$ 10 mil em uma ótica, na qual eles levaram 30 relógios e em outra loja de produtos o prejuízo foi de R$ 10.250. O dono de uma Ranger branca, que teria emprestado o carro para os golpistas, também pode responder por receptação qualificada. A quadrilha continua sendo investigada.

 

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