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Nova cepa do coronavírus é detectada em Santa Cruz de la Sierra

Leonardo Cabral em 20 de Abril de 2021

Jorge Ibañez/ El Deber

Estudo realizado por dois laboratórios analisou 14 amostras de pacientes da cidade, das quais quatro foram positivas para a nova cepa

O que se suspeitava já está confirmado. Estudo de sequenciamento do genoma Sars-CoV2, realizado por dois laboratórios privados, confirma que a variante brasileira P1 do novo coronavírus, já circula em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. 

De acordo com informações do jornal El Deber, a pesquisa realizada pelos laboratórios de Biociências e o Instituto de Biologia Molecular e Biotecnologia da Universidad Mayor de San Andrés, analisou 14 amostras de pacientes, das quais quatro foram positivas para variante P1.

As coletas foram realizadas entre 04 de março e 02 de abril deste ano. Os testes positivos são de dois homens, de 76 anos e 31 anos, e duas mulheres, de 83 e 21 anos.

O estudo já é do conhecimento das autoridades regionais de saúde, que encaminharam a informação ao Ministério da Saúde, aguardando que esses resultados sejam validados junto com os estudos encomendados pelo órgão nacional a laboratórios do Brasil e da Argentina.

“Há estudos privados que começam a constatar a possibilidade de a variante P1 estar circulando na cidade há vários dias, queremos verificar com os estudos do Ministério da Saúde. Não esqueçamos que o Ministério da Saúde, que é o órgão regulador em nível nacional, é quem deve fornecer as informações oficiais e para isso são realizados estudos na Argentina e no Brasil. É necessária a validação (de estudos privados)”, disse o secretário de Saúde do Governo de Santa Cruz, Marcelo Ríos.

A autoridade sanitária destacou que, agora mais do que nunca, o uso de máscaras deve ser uma regra para a população, principalmente ao sair de casa, se estiver em locais sem ventilação ou onde há aglomeração.

“O mecanismo de transmissão é o mesmo da Covid-19, mas essa variante é mais contagiosa, então a população que não se cuida tem maior risco de se infectar. Com essa cepa, é necessário menos tempo de exposição para infectar, pois se antes em dez minutos de conversa e sem máscara podíamos nos infectar, agora em cinco minutos ou menos é o suficiente, portanto, precisamos fortalecer nossos mecanismos de contenção. A máscara deve ser obrigatória em locais fechados ou com muita gente”, insistiu Ríos.

O estudo também encontrou uma mutação presente nas variantes B.1.1.7 do Reino Unido e na variante B.1.3.5 da África do Sul, mas para poder corroborá-las é necessário um estudo de sequenciamento do genoma completo.

Da mesma forma, outras amostras apresentaram uma mutação que se encontra nas variantes B.1.1.7 e B.1.3.5, mas é necessário aprofundar com outro estudo.

Mais contagiosa

O gerente de Epidemiologia do Serviço Departamental de Saúde (Matriz), Carlos Alberto Hurtado, indicou que, devido ao comportamento que esta variante tem apresentado no Brasil, sabe-se que é mais agressiva e contagiosa que a original de Wuhan (China), descoberta no final de 2019.

De fato, uma investigação realizada pelo Instituto Brasileiro de Saúde Pública Fiocruz encontrou mutações na região espigão do vírus que serve para entrar e infectar células. Estudos mostraram que a variante P1 é até 2,5 vezes mais contagiosa do que o coronavírus original e tem maior resistência a anticorpos.

O gerente de Epidemiologia da Sede lembrou que Santa Cruz registra um aumento de casos, mas ainda não se pode dizer que seja por causa da nova variante, por isso considera que há tempo para controlar sua expansão.

De acordo com Hurtado, até o momento 37 pessoas apresentaram sintomas e sinais da nova cepa, que estão sendo monitorados e seis pacientes estão internados em diferentes unidades de saúde.

Puerto Quijarro fronteira com Corumbá

A Sede espera fortalecer o sistema de saúde e a vigilância epidemiológica. “Independentemente da variante, o mais importante é a contenção e evitar que as pessoas se exponham”, disse Hurtado, citando como exemplo o que aconteceu em Puerto Quijarro, onde, graças a um plano de contenção, possivelmente surgiu a variante P1.

“Quando ocorreu o surto, com seis casos e dois óbitos, foram retiradas amostras, foi feito atendimento médico domiciliar e as pessoas foram sensibilizadas para o cumprimento da biossegurança. Na semana em que ocorreu o surto, foram detectados 38 casos positivos e depois disso foram apenas três ”, lembrou Hurtado.

Segundo Hurtado, se os estudos do Ministério da Saúde confirmarem a presença da variante ou se houver aumento explosivo de casos, a Sede já tem um plano de contenção pronto, que inclui a adequação das salas de isolamento e a aplicação de mais exames detecção para reforçar a vigilância. Além disso, a expectativa é exigir o envio de mais vacinas para a região.

Com informações do jornal El Deber. 

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