PUBLICIDADE

Polícia investiga se reportagens têm relação com assassinato de jornalista

Fonte: Campo Grande News em 13 de Fevereiro de 2020

Reprodução

Jornalista Léo Veras em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record

A Polícia Nacional do Paraguai suspeita de ligação da execução do jornalista brasiguaio Lourenço Veras, o Léo, a reportagens publicadas por ele nos últimos tempos retratando as ações do crime organizado na fronteira seca entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã (MS), cidade a 323 km de Campo Grande.

Ignacio Rodriguez Villalba, chefe da Polícia Nacional em Amambay, departamento (equivalente a estado) cuja capital é Pedro Juan Caballero, afirmou já ter “muitas informações” sobre os responsáveis pelo assassinato de Léo, ocorrido por volta de 20h de ontem na casa do jornalista. Ele foi morto por três pistoleiros encapuzados, a tiros de fuzil e pistola.

Sem revelar detalhes das investigações, Villalba disse que a morte está vinculada a publicações feitas pelo jornalista sobre o crime organizado na Linha Internacional. O policial afirmou também que está “fazendo tudo o que é possível” para esclarecer o crime.

Além das reportagens que publicava em seu site, o Porã News, em língua portuguesa, Léo Veras colaborava com meios de comunicação tanto brasileiros quanto da capital paraguaia, Assunção.

Em janeiro, ele foi entrevistado pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record. Em outra entrevista, em 2017, ao programa Tim Lopes, do jornalista Bob Fernandes, Léo Veras falou sobre a violência na região. O programa abordou a execução de outro jornalista da fronteira, Paulo Rocaro.

“Peço que não seja tão violenta a minha morte, que não seja com tantos disparos de fuzil. Se um pistoleiro quer te matar, ele vem na sua porta e quando você abrir, ele vai te dar um disparo. Espero que seja só um disparo, para não estragar tanto”, afirmou, sorrindo, na entrevista a Bob Fernandes.

Na noite de ontem, três pistoleiros encapuzados invadiram a casa de Léo Veras no Jardim Aurora, em Pedro Juan Caballero, e o mataram com pelo menos 12 tiros. O jornalista tentou correr, mas foi atingido nas costas e caiu no quintal da casa. Já no chão, levou o “tiro de misericórdia” na cabeça. Ele chegou a ser socorrido a um hospital particular, mas morreu quando era atendido.

O corpo de Léo Veras está sendo velado no salão de uma empresa funerária em Pedro Juan Caballero e vai ser enterrado no Cemitério Cristo Rei, em Ponta Porã. A família espera a chegada de um irmão dele, que mora em São Paulo.

PUBLICIDADE