PUBLICIDADE

"Fui tratado como bandido", diz torcedor do Corumbaense atingido por bala de borracha

Leonardo Cabral em 22 de Janeiro de 2019

Divulgação

Neilton foi ferido na nuca: "saí para ver o jogo e fui humilhado", disse

“Estava com meu filho de três anos no colo e não fui respeitado. Fui tratado como bandido”. É assim, que o torcedor do Corumbaense, Neilton Ibanez da Silva, de 29 anos, se sentiu após o jogo contra o Operário, no último domingo (20), que terminou em confusão. Ele foi atingido na nuca, por um tiro de borracha.

Em entrevista ao Diário Corumbaense, Neilton, que mora em Campo Grande desde 2011 e trabalha como vigilante, contou que depois do jogo, se preparava para sair do Estádio Morenão, com seu filho, mãe, padrasto e irmão, quando a confusão começou.

“Estávamos saindo do estádio quando uma lata foi jogada por integrantes da torcida do Operário em nossa direção, caindo bem próximo à gente, eu estava com meu filho no colo. Neste momento, a confusão teve início e os policiais começaram a disparar com arma de borracha e eu fui atingido na região da nuca”, lembrou Neilton.

Ele contou que mesmo durante a confusão generalizada, conseguiu ver o policial responsável pelo disparo. “Eu vi quem foi e então fui pedir o nome do militar, porém, ele foi para trás da viatura. Perguntei para outro policial, mas ele nem ao menos respondeu. Foi quando outro PM chegou já me ofendendo, dizendo que eu era vagabundo e que era para eu sair de lá. Porém, alguns segundos depois, eles me cercaram e começaram a desferir golpes de cassetete”, mencionou o torcedor que ainda estava com o filho no colo. “Eles não respeitaram meu filho, começaram a me bater mesmo ferido. Foi quando meu irmão e minha mãe pegaram meu filho, sendo que ela ainda foi empurrada pelos policiais e eu recebi voz de prisão seguindo para a Delegacia na viatura”, completou.

Já no Distrito Policial do bairro Piratininga, Neilton ainda relatou que pediu para fazer uma ligação para seu advogado, mas ao pegar o celular do bolso, um dos policiais tomou o aparelho. “Eu fui tentar ligar, mas ele acabou tirando o celular de mim. Como estava sangrando muito, eles me levaram para uma pia nos fundos e tentaram lavar o ferimento, mas não parava de sangrar até que fui levado para a UPA. Foi um momento de humilhação que passei, pois entrar algemado, com a roupa rasgada, sujo de sangue, foi bem difícil”, disse o torcedor que foi atendido e logo depois levado novamente para a Delegacia, onde foi ouvido e liberado às 23h.

“Eu apenas fui ao estádio com minha família e de lá sairia para trabalhar. Jamais imaginei passar por toda essa humilhação. Quero Justiça”, disse Neilton, que deve conversar com seu advogado ainda nesta terça-feira, dois dias após toda a confusão, para decidir que medidas vai tomar.

Procedimentos em andamento 

Em nota, a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), disse que o vice-presidente e coordenador de competições, Marco Antonio Tavares, solicitou ao Comandante da Polícia Militar, informações sobre a briga de torcedores após a vitória do Operário sobre o Corumbaense por 2 a 0.

“Solicitamos saber da Polícia Militar com detalhes, pois o fato ocorreu fora do estádio com a presença dos policiais. Enviamos a solicitação e esperamos receber o relatório para apurar os fatos”, disse Tavares.

Já a Polícia Militar, por meio de nota à coluna Jogo Aberto do site Campo Grande News, informou que foi necessária a atuação para “conter o tumulto causado pelas torcidas”. Militares do Batalhão de Operações de Choque e da Força Tática estavam do lado de fora do estádio. “Nesse sentido foi necessária a utilização de equipamentos e munições não letais” e diz ainda que “a liberação da torcida foi feita dentro dos padrões exigidos para o caso, sendo abertos os portões para uma e, após um tempo, para outra torcida”.

A PM afirmou, ainda, que não é obrigada a enviar nenhum documento à FFMS. “Não existe a exigibilidade de confecção de relatório à Federação de Futebol”, ressaltou na nota.

Não é a primeira vez

No ano passado, o Operário protagonizou cena lamentável durante o campeonato. Jogador espancou um gandula que comemorou gol do adversário durante jogo contra o Comercial.

Comentários:

Kelly Frajado: Muito triste isso , cheguei de ser ameaçada por estar gravando toda a confusão.

PUBLICIDADE