Marlene Mourão lança obra que destaca legado de Frei Mariano em Corumbá

Ricardo Albertoni em 21 de Novembro de 2017

Na próxima quinta-feira (23), durante o Café Literário promovido pelo Sesc Corumbá, a artista plástica, escritora e poetisa, Marlene Mourão, conhecida como “Peninha” vai lançar o livro “Um Altar para as Valorosas Sandálias de Frei Mariano de Bagnaia”. O trabalho é baseado na obra “A História do Frei Mariano de Bagnaia”, de Frei Alfredo Sganzerla.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Artista quis desmistificar a figura rancorosa descrita por muitos ao longo dos anos, expondo a verdadeira história de Frei Mariano

Ao Diário Corumbaense, a artista explicou que procurou mostrar a trajetória de Frei Mariano através de ilustrações e relatos curtos, desmistificando a figura rancorosa descrita por muitos ao longo dos anos, e expondo sua verdadeira história, de um homem incompreendido, apaixonado por Corumbá, que durante sua passagem pela região deixou inúmeras benfeitorias. Segundo a lenda, o religioso teria rogado uma "praga" sobre a cidade que, só voltaria a prosperar quando alguém encontrasse as sandálias enterradas pelo frei, o que não aconteceu até os dias de hoje. 

“Para tornar mais fácil para o público, eu desenhei e contei a história, como um resumo do livro do Frei Alfredo Sganzerla. Como Frei Mariano é uma ilustre figura desconhecida e tem essa má fama de ter rogado praga em Corumbá, decidi desmistificar essa história e mostrar as inúmeras benfeitorias que ele fez para a região. A intenção é mostrar o que muita gente desconhece a bondade dele. Mostrar que não tem nada desse rancor que as pessoas espalham”, disse a artista.

Um dos fatores que indicam a grande contribuição e o legado deixado pelo Frei Mariano, são destacados no livro, além da vontade de retornar ao município, antes de sua morte, ocorrida no interior de São Paulo, em 1888. No livro, Marlene Mourão afirma que o trabalho, que não se trata de pesquisa científica, é “uma tentativa de resgate de uma figura desconhecida na terra que adotou para viver e desenvolver seu trabalho (...)  que de um modo ou de outro interferiu e contribuiu na manutenção, na construção ou reconstrução de Nossa Senhora do Carmo na região do Forte Coimbra;  São José de Coxim; Capela Santo Antônio de Campo Grande; Capela de Nioaque; Igreja Matriz de Miranda; Igreja Nossa Senhora dos Remédios, em Ladário e Matriz de Nossa Senhora da Candelária, em Corumbá”. Muitas construções realizadas com pouco ou nenhum apoio da alta sociedade.

O livro poderá ser adquirido durante o lançamento, nesta  quinta-feira (23), às 19h30, no Sesc Corumbá, onde a artista participará de um bate-papo e poderá autografar os exemplares. Também pode ser comprado pelo telefone (67) 99959-3758 ou no restaurante Rodeio, localizado na rua Treze de Junho, 760 – Centro. O valor do exemplar é R$ 15.

De acordo com a escritora, por ter recebido recursos do Fundo de Investimentos Culturais do Pantanal FIC/Pantanal, uma parte da publicação será destinada à Fundação de Cultura, enquanto outra, será distribuída em escolas e bibliotecas.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Peninha com a pequena Heloísa, neta de Helô Urt

Homenagem à Helô Urt

A artista afirma que conheceu a fundo a história através da amiga de décadas, Heloísa Urt, que faleceu no dia 23 de novembro de 2011. O lançamento vai acontecer na data em que completam seis anos da morte de Helô, a quem o livro é dedicado. A data foi instituída como Dia Municipal da Cultura em 2012 em homenagem à ativista cultural, pelo então prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (falecido no último dia 1º de novembro).

Com forte ligação à cultura da região, Heloísa Urt tinha grande interesse na história de Frei Mariano, tendo inclusive fundado em 2006 um bloco de carnaval que, incialmente, era composto basicamente por servidores públicos, mas acabou ganhando adeptos e se tornando tradicional na folia corumbaense.

Perfil da artista

Natural de Coxim, mas vive em Corumbá há mais de 46 anos, Marlene Terezinha Mourão, conhecida pelos amigos como “Peninha” é uma premiada e consagrada artista sul-mato-grossense. Como artista plástica já participou de diversas exposições pelo país e como escritora e poetisa, já publicou três livros: Azul dentro do banheiro (1976); Pacu era um peixe que vivia feliz nas águas do rio Paraguai (2002); Mariadadô (2012). Este último, uma coletânea de grande parte das publicações no jornal Diário Corumbaense, do qual a artista é colaboradora há 10 anos.

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