Campo Grande News em 26 de Setembro de 2026
Reprodução/Luiz Donizete

Hoffman D'Ávila passou por audiência de custódia por cerca de 30 minutos na manhã deste sábado
A audiência foi acompanhada pelos advogados Amilton Ferreira e José Roberto Rosa, que atuam na defesa de Hoffman. Durante a sessão, que apenas analisa se houve alguma ilegalidade no momento da prisão, o delegado afirmou que sofre de problemas cardíacos e de ansiedade.
Amilton afirmou à reportagem que os defensores tiveram acesso aos autos na noite de sexta-feira (25), mas ainda não conseguiram analisar os documentos e devem entrar com o pedido de revogação da prisão na próxima semana. O delegado foi encaminhado para a sede da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul).
Outros presos
Além de Hoffman, também passaram por audiência neste sábado os investigadores Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos e Marcos André Santos Chaves. Todos são alvos de mandado de prisão na Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Todos os envolvidos, incluindo o investigador Roberto Palmeira, tiveram o afastamento compulsório publicado no Diário Oficial do Estado na manhã de sexta-feira (25). Os servidores tiveram as carteiras funcionais, armas de fogo e bens do patrimônio público recolhidos.
Além disso, a publicação determina a suspensão imediata de senhas e logins de acesso aos sistemas de dados da instituição policial (como o Sigo e Infoseg) e o cancelamento de férias programadas enquanto perdurar a prisão.
A operação
A ação cumpriu 64 ordens judiciais, sendo 24 de prisão preventiva, duas de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. As investigações começaram no final de 2025 após suspeitas de que parte expressiva das cargas de entorpecentes interceptadas em operações acabava "desaparecendo" dos depósitos ou sendo substituída antes da incineração oficial.
Durante as buscas, as equipes estiveram na casa do delegado Hoffman, apontado como líder do esquema, no entanto, ele não foi encontrado. No final da tarde de quinta-feira, o servidor se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil.
A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) informou que todos os servidores afastados responderão a processos administrativos disciplinares na Corregedoria, que podem culminar na demissão do serviço público, independentemente do andamento das ações penais na Justiça.
Em nota, a pasta também afirmou que os servidores já eram monitorados e investigados internamente, inclusive o ex-policial Paulo Augusto Torres Galvão Florindo, demitido em agosto após prisão por envolvimento em esquema de desvio de muambas. Conhecido como "Paraíba", ele acabou absolvido pela Justiça Federal, mas foi alvo da operação do Gaeco.
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