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Antes de novo leilão, União e Rumo acertam pendências da Malha Oeste

Campo Grande News em 13 de Agosto de 2026

Divulgação

Trilhos de trem da Rumo corta área rural de Mato Grosso do Sul

O governo federal abriu a etapa de acerto financeiro da concessão da Malha Oeste com a Rumo, enquanto mantém a ferrovia sob gestão temporária da empresa e prepara o novo leilão previsto para ocorrer até dezembro.

Portaria publicada nesta quinta-feira (13) pelo Ministério dos Transportes criou um grupo de trabalho que terá 20 dias, sem possibilidade de prorrogação, para definir como será feito o chamado encontro de contas entre a União e a concessionária.

O procedimento estava previsto no termo aditivo que prorrogou por mais 180 dias a concessão da ferrovia, que liga Mato Grosso do Sul a São Paulo. O acordo foi firmado no fim de junho para evitar que a malha ficasse sem responsável pela administração dos ativos enquanto o governo prepara a nova concessão.

Durante esse período, a Rumo não retomará a circulação de trens. A atuação da empresa está limitada à preservação da infraestrutura, com vigilância patrimonial, roçada, limpeza, monitoramento dos trilhos e apoio às fiscalizações da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

O custo estimado para manter a estrutura durante os seis meses adicionais é de R$ 26,9 milhões. Esse valor deverá entrar no encontro de contas com a União.

A portaria cita duas ações judiciais ajuizadas ainda em 2000 e determina que o grupo reúna elementos técnicos, regulatórios, econômico-financeiros e jurídicos relacionados à concessão. Isso abre espaço para que também sejam analisadas disputas antigas entre governo e concessionária.

A Rumo cobra na Justiça o reconhecimento de desequilíbrios econômicos do contrato, enquanto a União aponta passivos acumulados durante o período da concessão.

O grupo será formado pelo secretário-executivo do Ministério dos Transportes, pelo secretário nacional de Transporte Ferroviário e pelo diretor-geral da ANTT. Representantes da AGU (Advocacia-Geral da União), da concessionária e de outros órgãos poderão ser convidados para participar das discussões.

Na primeira etapa, o grupo deverá avaliar as modalidades possíveis para o encontro de contas e sugerir qual delas deve ser adotada. A proposta será encaminhada à autoridade competente, que dará a decisão final.

Reprodução

Depois disso, começa uma segunda fase, destinada a consolidar os valores, obrigações e demais elementos que efetivamente entrarão no acerto.

Os relatórios do grupo terão caráter técnico e consultivo. A portaria deixa claro que as conclusões não serão vinculantes, ou seja, não obrigam a autoridade responsável a seguir a recomendação apresentada.

A medida ocorre enquanto o Ministério dos Transportes mantém a previsão de publicar ainda neste semestre o edital da nova concessão e realizar o leilão até dezembro.

O modelo em discussão prevê cerca de R$ 29 bilhões em investimentos ao longo da futura concessão e tem como eixo principal os 1.625 quilômetros entre Corumbá e Mairinque (SP), em São Paulo.