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MP boliviano manda prender ex-presidente Evo Morales por "terrorismo"

Leonardo Cabral em 29 de Julho de 2026

Leonardo Cabral/Arquivo Diário Corumbaense

Ex-presidente quando esteve na região de fronteira com Corumbá

O Ministério Público da Bolívia emitiu, nesta quarta-feira (29), um mandado de prisão contra o ex-presidente Juan Evo Morales Ayma. A medida faz parte de uma investigação criminal relacionada aos 53 dias de bloqueios de estradas registrados no país entre maio e junho deste ano.

Morales é investigado por supostos crimes de levante armado contra a segurança e a soberania do Estado, terrorismo, ataques contra a segurança dos transportes, associação criminosa, incitação pública ao crime e ataques contra a segurança dos serviços públicos.

O documento determina que o ex-presidente seja preso e levado para a Unidade Especializada de Polícia de Combate à Corrupção.

Segundo o mandado, a investigação teve início a partir de uma denúncia apresentada pelo Comitê Pró-Santa Cruz, representado por seu presidente, Stello Cochamanidis Garcés. Posteriormente, o processo recebeu uma segunda denúncia, do Ministério do Governo, representado pelo ministro Marco Antonio Oviedo Huerta.

Reprodução/Jornal El Deber

Ordem de prisão foi emitida nesta quarta-feira (29)

A ordem de prisão cita os artigos do Código Penal boliviano, dispositivos que tratam dos crimes atribuídos aos investigados. 

Os bloqueios

Em 1º de julho, o Comitê Pró-Santa Cruz apresentou uma denúncia criminal contra Evo Morales, o secretário-executivo da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, e o líder da Federação Camponesa Túpac Katari, Vicente Salazar.

Os três foram apontados pela entidade como principais instigadores dos bloqueios que atingiram diferentes regiões da Bolívia durante 53 dias.

Na ocasião, a equipe jurídica do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz afirmou que a denúncia era respaldada por seis solicitações formais do Ministério Público para acelerar a investigação e emitir os respectivos mandados de prisão.

Segundo os dirigentes civis, Morales teria promovido as mobilizações contra o governo do presidente Rodrigo Paz e defendido sua renúncia. Mario Argollo e Vicente Salazar, por sua vez, teriam liderado outros grupos envolvidos nas manifestações e nos bloqueios.

La Paz e Cochabamba foram os departamentos mais afetados durante os 53 dias de protestos. Em Santa Cruz, os bloqueios em regiões como San Julián, Guarayos e San Germán provocaram fortes impactos no setor produtivo, dificultando o transporte de mercadorias entre os departamentos.

Mesmo quando os produtores conseguiam retirar a produção das áreas afetadas, o transporte para outras regiões do país permanecia comprometido.

No período de maior intensidade dos protestos, a Bolívia chegou a registrar mais de 100 bloqueios de estradas. Também foram relatados confrontos, escassez de alimentos e outros mantimentos, falta de suprimentos, agitação social e novos protestos em diferentes regiões.

O Comitê Pró-Santa Cruz afirma que os bloqueios deixaram 22 mortos e provocaram milhões de dólares em prejuízos econômicos, além de danos significativos a diversos setores produtivos.

Evo Morales, que também é alvo de outro mandado por ter supostamente mantido relações com uma menor de idade, nega ter instado os apoiadores a exigirem a renúncia de Paz e diz que as mobilizações tinham como objetivo fazer com que o governo respondesse às demandas dos setores mobilizados. No entanto, em 24 de maio, ele escreveu na rede social X que o mandatário tinha apenas "dois caminhos" diante dos conflitos, "militarizar" o país ou convocar eleições nos 90 dias seguintes.

Até o momento, a única pessoa presa no âmbito da investigação é Vicente Salazar.

Com informações do jornal El Deber e Terra Notícias.

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