Fonte: Campo Grande News em 10 de Julho de 2026
Divulgação/Receita Federal

Amostras foram levadas pela Polícia Federal para Brasília
A apreensão ocorreu no dia 18 de junho, quando oito caminhões vindos da Bolívia foram alvo de fiscalização integrada e coordenada pela Receita Federal, após informações de uma investigação internacional apontarem a possibilidade de traficantes utilizarem madeira para ocultar cocaína líquida. Quatro veículos ficaram retidos em Corumbá e outros quatro em Cáceres.
Segundo o advogado que representa as transportadoras, Leandro Lobo, os testes químicos preliminares realizados pela Polícia Federal em Corumbá não detectaram a presença de entorpecentes. O defensor encaminhou à reportagem trecho do inquérito policial em que consta que "os resultados desses testes foram negativos para todas as amostras analisadas".
O documento afirma ainda que o resultado "contrasta com as informações preliminarmente repassadas acerca da possível presença de substância entorpecente", ressaltando, entretanto, que a natureza sólida da madeira exigia exames laboratoriais mais aprofundados.
No dia 26 de junho, um perito da Superintendência da Polícia Federal em Brasília esteve em Corumbá para coletar novas amostras. Desde então, conforme a defesa, ainda não houve divulgação do laudo definitivo.
O advogado sustenta que não há materialidade do crime até o momento e que a investigação permanece em fase preliminar. Segundo ele, além dos testes químicos iniciais, um cão farejador utilizado durante a fiscalização não indicou a presença de drogas.
Ele afirma ainda que quatro motoristas permanecem em Corumbá aguardando a conclusão da investigação e que os caminhões acumulam despesas diárias de aproximadamente R$ 600 cada no Porto Seco. De acordo com a defesa, o prejuízo já se aproxima de R$ 60 mil apenas com estadias.
"O que nós queremos é apenas a conclusão do laudo. Se houver droga, que sejam tomadas as medidas cabíveis. Mas, até agora, os exames preliminares deram negativo e não existe materialidade de crime", afirmou.
A defesa também sustenta que a madeira apreendida é de aroeira, espécie considerada extremamente densa, o que, segundo o advogado, dificultaria a impregnação de substâncias ilícitas.
A suspeita surgiu a partir de informações compartilhadas entre autoridades da Bolívia e dos Estados Unidos, segundo as quais organizações criminosas estariam utilizando madeira impregnada com cocaína líquida para transportar a droga até o Brasil. Nesse método, a substância é incorporada ao material, em vez de ser escondida em tabletes ou compartimentos.
Após a chegada ao destino, a droga pode ser recuperada por meio de processos químicos. Justamente por isso, a confirmação da presença de cocaína depende de exames laboratoriais mais complexos do que os realizados em apreensões convencionais, nas quais o entorpecente é localizado e pesado imediatamente.
A reportagem tentou contato com a Polícia Federal, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.
Exportações travadas
A apreensão das cargas em Corumbá também provocou reflexos no setor florestal boliviano. Segundo a Câmara Florestal Boliviana, as exportações de madeira caíram mais de 60% desde junho, em razão do reforço nas fiscalizações e da demora na liberação das cargas.
Conforme o portal boliviano Unitel, transportadoras enfrentam atrasos superiores a 20 dias para a conclusão de análises laboratoriais e a liberação das exportações. O veículo também informa que cerca de 60 contêineres de madeira estão retidos no porto de Arica, no Chile, um dos principais pontos de escoamento da produção boliviana.
10/08/2026 Último laudo da PF confirma que madeira apreendida não tinha cocaína
27/07/2026 PF investiga origem de informação falsa sobre cocaína em carga de madeira
23/07/2026 Receita Federal diz que reteve carga de madeira com base em alerta internacional
22/07/2026 Perícia da Polícia Federal não encontra droga em madeira retida na fronteira
21/06/2026 Operação integrada investiga suspeita de cocaína em madeira que pode ser recorde histórico no Brasil
No Diário Corumbaense, os comentários feitos são moderados. Observe as seguintes regras antes de expressar sua opinião:
Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião deste site. O Diário Corumbaense se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.