Rosana Nunes em 24 de Maio de 2026
Maria Helena da Silva Andrade

Onça avistada no entorno da comunidade; foto enviada ao portal Campo Grande News
Segundo relatos da comunidade, os ataques a cães têm se tornado mais frequentes nos últimos anos, principalmente durante o período de cheia, quando a água reduz as áreas secas disponíveis para os animais silvestres. Moradores afirmam viver em estado de alerta.
O pesquisador de história, arqueologia e antropologia do povo guató, Jorge Eremites de Oliveira, professor da Universidade Federal de Pelotas, afirmou que a comunidade acompanha com preocupação o aumento da presença de onças nas proximidades das residências.
“A comunidade vive alarmada por conta dessa questão”, resumiu o pesquisador. Segundo ele, nos últimos seis a dez anos, moradores passaram a relatar maior frequência de onças perto das casas. “As onças já mataram mais de cem cachorros aqui”, afirmou em reportagem publicada pelo portal Campo Grande News neste domingo, 24 de maio.
Jorge relatou ainda episódios recentes de tensão entre os moradores. Em uma das situações, cães começaram a latir durante a noite e os moradores suspeitaram da presença de uma onça nas proximidades. Em outro caso, uma professora avistou o animal perto da comunidade.
A Barra do São Lourenço fica localizada na margem esquerda do rio Paraguai, próxima ao encontro com o rio São Lourenço, na divisa entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O acesso à região ocorre apenas por barco ou avião. Cerca de 30 famílias vivem no local.
O cacique da aldeia, Denir Marques da Silva, afirmou que os ataques a cães se intensificaram nos últimos anos e estimou que ao menos 20 animais foram mortos somente no ano passado. “A gente coloca os cachorros dentro de casa, faz barulho, usa lanterna para espantar, mas não tem muita coisa a fazer”, relatou ao Campo Grande News.
Segundo ele, a principal preocupação da comunidade é com as crianças. “A criança não tem muita noção do perigo. Nós, adultos, já estamos acostumados com a onça no Pantanal e sabemos que ela é perigosa”, afirmou.
Monitoramento
Também neste domingo, o Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário divulgou informações sobre o monitoramento da onça-pintada Corumbella, que foi levada da área urbana de Corumbá para a região da Serra do Amolar.
De acordo com o grupo, a onça segue sendo acompanhada remotamente por meio de rádio colar GPS e, até o momento, não houve aproximação do animal com comunidades da região.
Foto enviada ao Diário Corumbaense

Corumbella passando por avaliação clínica após a captura na área urbana de Corumbá
Segundo os dados obtidos por geolocalização, Corumbella apresenta bons sinais vitais e vem circulando por áreas do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, distante dezenas de quilômetros de comunidades.
O Grupo Técnico informou ainda que o acompanhamento vem sendo feito diariamente desde a soltura, justamente para dar suporte às comunidades locais e reunir informações para futuros estudos científicos.
Ainda conforme o GT, desde o dia 3 de maio, Corumbella não retornou para áreas habitadas e passou a se afastar gradativamente da presença humana. O monitoramento deverá continuar pelos próximos 12 meses.
A nota reforçou que a coexistência entre seres humanos e onças-pintadas é considerada fundamental para a conservação da biodiversidade do Pantanal, destacando que a espécie exerce papel importante no equilíbrio ambiental por ser um predador no topo da cadeia alimentar.
O Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário informou também que permanece à disposição das comunidades pantaneiras para ações de orientação, prevenção e convivência segura com a fauna silvestre.
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