Agência Brasil em 19 de Maio de 2026
Reprodução/Folha Vitória

Vigilância dos pais é fundamental para evitar o aliciamento


"Isso é como se fosse já uma incubadora de algo que pode se tornar criminoso. Porque ele tenta muitas vezes trapacear no jogo, depois ele tenta piratear esse jogo e do piratear tenta monetizar e de monetizar precisa esconder esse dinheiro, ou seja, é um fluxo padrão até de uma fraude bancária. Só que num aspecto menor de jogos".
Além de vender os jogos, as plataformas também vendem acessórios ou habilidades virtuais que ajudam a avançar etapas e a melhorar a performance do personagem. Bruno Vilela, de 30 anos, costuma jogar em plataformas on-line e diz que é comum encontrar pessoas tentando trapacear.
"Dentro dos joguinhos existem muitos itens que têm valor monetário, né? Independente do jogo, hoje em dia os jogos utilizam disso para monetizar o próprio jogo, a própria a própria plataforma. Então as pessoas também descobriram jeitos de trapacear e roubar esses itens dentro do jogo, né? Tipo, através de programação mesmo e através de hackear as contas dos outros".
Sérgio Luiz Santos analisou o perfil atual dos criminosos virtuais no Brasil. São geralmente homens jovens, entre 18 e 30 anos, e que, apesar de terem familiaridade com o mundo virtual, não têm grande domínio da tecnologia. A especialidade, na verdade, é de convencimento.
"O golpista brasileiro não tinha nem conhecimento técnico. Ele é simplesmente um indivíduo que fazia o que a gente chama de engenharia social. Ele era muito bom na arte do engano. Hoje, ele já tem um conhecimento técnico, por exemplo, de fazer com que a sua vítima faça alguns comandos no celular que entregue o comando ali daquele aparelho pro golpista. Ou que faça instalar algum software malicioso dentro do computador e assim por diante. Eles estão evoluindo, mas ainda o conhecimento geral de um golpista é um conhecimento básico na área de tecnologia".
Segundo a pesquisa Game Brasil feita no ano passado, 37% das pessoas entre 16 e 30 anos no Brasil jogam on-line. Desse total, mais de 80% dizem que os jogos são a principal plataforma de entretenimento. Sérgio lembra que a vigilância dos pais é fundamental para evitar o aliciamento.
"Se os pais não tiverem ali monitorando os seus filhos, cuidando dos seus filhos, pode ser uma porta de entrada até de aliciamento porque alguns adultos se infiltram nesses jogos e tentam aliciar jovens para o crime".
Para denunciar violações aos direitos das crianças e adolescentes nas redes sociais, dá para ligar para a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos pelo Disque 100 ou no WhatsApp (61) 99611-0100. Também dá para denunciar em safernet.org.br.
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