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Cartórios de MS lançam plataforma que permite reconhecimento de paternidade pela internet

Rosana Nunes em 20 de Abril de 2026

Divulgação

Desde 2020, MS registrou mais de 19 mil crianças somente em nome da mãe

Os Cartórios de Registro Civil de Mato Grosso do Sul passaram a oferecer, de forma digital, o reconhecimento de paternidade. A novidade permite que pais reconheçam filhos pela internet e que mães iniciem o processo de investigação de paternidade on-line, ampliando o acesso a um direito fundamental para milhares de famílias.

A medida surge em um contexto preocupante. Mais de três mil crianças são registradas anualmente no estado sem o nome do pai. Desde 2020, cerca de 19,6 mil registros de nascimento foram feitos apenas com o nome da mãe em MS. Em todo o país, foram mais de 1 milhão de crianças.

Além do reconhecimento voluntário pela internet, a nova plataforma traz uma mudança significativa. Agora, a mãe pode indicar digitalmente o suposto pai da criança, iniciando o procedimento diretamente pelo sistema. A ferramenta identifica automaticamente os filhos vinculados à mãe que não possuem paternidade registrada. A partir disso, o pedido é encaminhado ao Cartório de Registro Civil, que dará continuidade ao processo com respaldo judicial.

O serviço está disponível por meio da plataforma oficial dos Cartórios de Registro Civil e permite que todo o procedimento seja realizado on-line, sem a necessidade de deslocamento até uma unidade física. A iniciativa busca reduzir a burocracia, facilitar o acesso e acelerar a regularização do vínculo familiar.

O reconhecimento de paternidade garante direitos essenciais, como identidade civil, acesso a benefícios sociais, herança, pensão alimentícia e inclusão em políticas públicas. Apesar disso, os dados indicam que o número de formalizações ainda não acompanha a demanda.

Segundo o presidente da Arpen/MS, Marcus Roza, a digitalização representa um avanço importante. “Com a plataforma digital de reconhecimento de paternidade, os cartórios tornam esse direito mais acessível e seguro, aproximando famílias da cidadania e garantindo dignidade a milhares de crianças”, afirmou.

Como funciona

O procedimento pode ser iniciado diretamente na plataforma on-line, tanto pelo pai quanto pela mãe. O processo segue as mesmas garantias jurídicas do atendimento presencial, incluindo a necessidade de consentimento das partes — como da mãe, no caso de filhos menores, ou do próprio filho, quando maior de idade.

Após a solicitação, o cartório responsável analisa a documentação e conduz o processo até a conclusão. Quando a mãe indica o suposto pai, o caso é encaminhado ao Judiciário para dar início à investigação de paternidade, conforme previsto em lei.

Com informações da assessoria de imprensa da Arpen/MS.

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