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Painel inédito revela perfil e diversidade dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul

Da Redação em 19 de Abril de 2026

Matheus Carvalho/SEC

Oriundas de MS, são oito etnias indígenas, entre elas a terena

Quem são e como vivem os povos originários de Mato Grosso do Sul passa, a partir de agora, a ser respondido com mais precisão. O Estado lançou o Painel Povos Originários, ferramenta que reúne dados sobre população, território, etnias e condições de vida, com o objetivo de orientar políticas públicas mais eficazes.

De acordo com os dados consolidados, Mato Grosso do Sul abriga a terceira maior população indígena do país, com 116.469 pessoas — o equivalente a 6,9% do total nacional. Mais da metade dessa população (59%) vive em terras indígenas. O perfil demográfico é predominantemente jovem, concentrado na faixa entre 15 e 29 anos, com leve maioria feminina.

O levantamento também evidencia a diversidade cultural presente no Estado. Ao todo, são identificadas 139 etnias e 48 línguas indígenas, um número que amplia a compreensão sobre a presença indígena e rompe com visões homogêneas. Oficialmente, no entanto, a Funai reconhece oito povos originários em Mato Grosso do Sul: Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Guató, Ofaié e Atikum.

Segundo os organizadores, a diferença entre os números reflete o papel do Estado como polo de referência, especialmente nas áreas de saúde e educação, o que atrai indígenas de diferentes regiões do Brasil.

A plataforma foi desenvolvida pelo Observatório da Cidadania em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e a UFMS. O sistema reúne indicadores que vão desde natalidade e envelhecimento até educação, moradia e distribuição populacional nos 79 municípios sul-mato-grossenses.

Para o coordenador do Observatório, professor Samuel Leite de Oliveira, a iniciativa contribui para dar visibilidade às populações indígenas e subsidiar ações públicas mais direcionadas. Já o secretário estadual da Cidadania, José Francisco Sarmento, destaca que o acesso a dados qualificados representa um avanço na gestão pública. Segundo ele, a ausência de informações no passado dificultava a elaboração de políticas adequadas às necessidades reais dessas comunidades.

Matheus Carvalho/SEC

Secretário da Cidadania, José Francisco Sarmento, exemplifica Observatório como uma "lupa" trazendo indicadores para políticas públicas

A construção do painel também marca uma mudança em relação ao passado recente. De acordo com técnicos envolvidos, antes da sistematização dos dados era comum recorrer diretamente às lideranças indígenas para obter informações básicas sobre as comunidades, o que dificultava a construção de diagnósticos mais amplos.

Para representantes indígenas que atuam na gestão pública, o acesso a esses números fortalece tanto a formulação de políticas quanto a reivindicação de direitos. A disponibilidade de dados permite dimensionar demandas em áreas como educação, trabalho e produção agrícola, ampliando o diálogo com o poder público.

Disponível gratuitamente ao público, o Painel Povos Originários é o oitavo instrumento divulgado pelo Observatório da Cidadania e pode ser acessado online. A expectativa é que a ferramenta contribua para tornar mais visível a realidade dos povos indígenas no Estado e apoiar decisões baseadas em evidências.

Para visualizar o conteúdo completo, acesse: https://observatoriodacidadania.ufms.br/

Com informações da Agência de Comunicação da Secom MS.

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