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"Pior do que viver com HIV é não saber que vive com o vírus", alerta infectologista

G1 em 01 de Dezembro de 2025

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Atualmente, 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo

Mais de 40 anos depois do primeiro caso de HIV no Brasil, o país vive um paradoxo: tem uma das maiores ofertas de tratamento e prevenção do mundo, mas ainda registra altos índices de infecção entre jovens e crescente diagnóstico tardio. No mundo, as reduções nos investimentos internacionais preocupam as autoridades.  

Enquanto a maior promessa em termos de medicação preventiva e injetável ainda não está disponível no SUS, o número de infectados aumenta e médicos alegam que a população tem menos medo do vírus. Já após o diagnóstico, a necessidade de ingestão diária de medicação oral representa um dos gargalos para o tratamento contínuo e ininterrupto.  

O Brasil apresentava, até 2025, mais de 1 milhão de pessoas identificadas com o vírus. Este ano, houve mais de 46 mil novos casos no país, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior.  Dados do Ministério da Saúde mostram que 70,7% dos casos notificados desde 2007 são em homens. Em 2023, a razão de sexos chegou ao maior nível da série histórica: 27 casos em homens para cada 10 em mulheres.    

A epidemia também segue concentrada entre os mais jovens: 23,2% dos casos acumulados foram registrados entre pessoas de 15 a 24 anos; em 2023, 40,3% dos casos entre homens ocorreram na faixa de 20 a 29 anos.  

A desigualdade racial também aparece de forma consistente. Em 2023, 63,2% das novas infecções foram entre pessoas negras (49,7% pardas e 13,5% pretas). Entre mulheres, o impacto é ainda maior: 64,2% das notificações ocorreram entre negras.  Para cumprir a meta global de eliminação da aids como problema de saúde pública até 2030, o país precisa acelerar estratégias de diagnóstico, tratamento e redução de novas infecções.  

Menor sensação de risco e aumento de infectados 

“O número de infectados vem aumentando porque as pessoas não veem risco em adquirir o HIV. E mesmo quem adquire acha que ninguém morre de Aids por causa dos medicamentos incomparavelmente melhores do que no passado”, afirma a infectologista Gisele Gosuen, da UNIFESP/EPM e Coorden adora do Comitê de Comorbidades da Sociedade Brasileira de Infectologia.   

A importância do diagnóstico precoce com o autoteste   

Gosuen destaca ainda a importância do teste rápido para o diagnóstico precoce e lamenta não ver muitas iniciativas que estimulem este teste ao longo do ano, assim como campanhas de conscientização sobre a infecção.     

“Paramos de falar de HIV/Aids e é como se a infecção não existisse mais. Você pode se deparar com uma pessoa bonita, aparentemente saudável e não imaginar que ela tenha o vírus”, diz.    

O autoteste é oferecido gratuitamente pelo SUS e pode ser comprado na farmácia. O indivíduo coleta a sua própria amostra de fluido oral ou sangue e o resultado sai em questão de minutos. 

O teste pode ser feito na unidade de saúde ou em casa. Nas unidades de saúde, os agentes orientam os pacientes sobre o tratamento após o resultado do autoteste, que pode ser feito em cabines individuais. Os pacientes têm garantidos a privacidade, o sigilo e a confidencialidade. 

“As pessoas precisam saber que podem morrer de aids, principalmente quando não sabem que têm o HIV. Pior do que uma pessoa viver com HIV é ela não saber que vive com o vírus. Porque aí ela só vai descobrir quando já estiver muito doente, com Aids avançada e muitas vezes a gente não consegue retroceder, iniciando o tratamento tardiamente”, destaca Gosuen.

Atualmente, quem é diagnosticado precocemente consegue viver com o vírus com qualidade de vida, assim como quem não tem o vírus, se seguir o tratamento com antiretrovirais diários administrados por vira oral, de forma adequada.   

Saiba mais

A Aids é uma doença causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV, na sigla em inglês), que invade e enfraquece o sistema imunológico, responsável por proteger o corpo contra doenças.    

O HIV atinge principalmente os linfócitos T CD4+, modificando o DNA dessas células e se replicando. O vírus destrói os linfócitos e continua a infecção em novas células.    

A transmissão pode ocorrer por meio de: relações sexuais sem proteção; compartilhamento de seringas contaminadas; ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, caso não sejam adotadas as medidas preventivas necessárias.    

A maneira mais eficaz de prevenir o HIV é a prevenção combinada, que utiliza várias abordagens simultâneas para atender diferentes necessidades e formas de transmissão.     

A PrEP é uma das principais formas de prevenção do HIV. Comprimidos são tomados (PrEP diária e sob demanda) antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV.   

Se você teve uma situação de risco, como sexo desprotegido ou uso compartilhado de seringas, faça o teste de HIV. Se a exposição ocorreu há menos de 72 horas, procure informações sobre a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP).

Dezembro Vermelho

1º de dezembro é o dia Mundial de Luta contra a Aids. Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1988, a data tem como principal objetivo alertar a sociedade sobre a proliferação do vírus HIV e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). A data marca o início da campanha global "Dezembro Vermelho", que busca:

  • Conscientizar sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
  • Combater o estigma, o preconceito e a discriminação contra as pessoas soropositivas.
  • Reforçar a importância do acesso universal aos medicamentos antirretrovirais, que permitem às pessoas com HIV viverem com qualidade de vida e reduzirem a transmissão.