Da Redação em 13 de Novembro de 2025
Cerca de duzentas pessoas, entre acadêmicos, escritores e admiradores da obra de Manoel, acompanharam a conferência — presencialmente e também on-line. Participaram representantes da UFRJ, UNIRIO, USP, UFGD e Universidade do Pampa, além de convidados de Mato Grosso do Sul, como o jornalista e escritor Bosco Martins, autor de “Diálogos do Ócio” (Editora UFMS), e as gestoras do Museu Casa-Quintal Manoel de Barros, Valéria Arruda e Raylla Mirela.
Organizado pelo professor e pesquisador Elton Luiz Leite de Souza, mestre em Filosofia e Comunicação e Cultura (UFRJ/UNIRIO), o encontro buscou compreender as nuances da “simplicidade erudita” e da “potência do pensamento” de Manoel de Barros — um poeta que reinventou a infância e desinventou o mundo.
“Na ponta do meu lápis só tem nascimento”, lembrava Elton, citando o verso que inspirou o debate sobre a força criadora do autor de O Livro das Ignorãças.
Divulgação

Bosco Martins e Raylla Mirela, gestora do Museu Casa-Quintal Manoel de Barros, representaram MS no debate nacional sobre o poeta
“A escrita de Bosco transcende o formato de uma biografia. É o estudo mais revelador já feito sobre o universo poético de Manoel de Barros — um mergulho em sua linguagem, suas paisagens e suas invenções”, afirmou o pesquisador.
Um dos momentos comoventes do evento foi a leitura, por Bosco Martins, do trecho “Nequinho”, em que o autor retrata a convivência entre Manoel e Stella Barros, companheira do poeta por mais de seis décadas.
Bosco destacou o papel essencial de Stella como “a alma gêmea e o esteio do poeta”. “Ela foi o norte, a crítica e a inspiração de Manoel. Foi ela quem lhe deu chão e asas”, disse, emocionado.
Durante a apresentação, diversos participantes on-line reagiram com emojis de corações e palmas exibidos no telão do auditório, refletindo o clima de emoção e reverência.
Valéria Arruda, do Museu Casa-Quintal, também destacou a importância de Stella: “Ela era a força silenciosa por trás da poesia. Manoel só podia ser livre porque Stella lhe dava esse espaço. Eles se amavam em respeito e admiração mútua.”
A conferência reforçou a visão de que Manoel de Barros foi um criador de uma linguagem ecológica, integradora e universal. Para o pesquisador Écio Pisetta, sua poesia “rejeita o lugar comum e aprende o desaprender”.
Arquivo pessoal

Stella Barros com o poeta e Bosco na residência transformada em Museu-Casa Quintal Manoel de Barros
Manoel de Barros via a infância como estado permanente de liberdade e poesia. Em suas palavras, “a liberdade a gente aprende com as crianças”. Essa leveza e despretensão, segundo o professor Nilton dos Anjos, “fazem de Manoel um santo remédio — e sua dependência não causa nenhum dano”.
O evento terminou com a lembrança do próprio Elton Leite sobre uma carta escrita à mão que lhe permitiu dialogar com o poeta. “Manoel não atendia telefone e não gostava de cartas datilografadas. Ele preferia o gesto humano, o toque da palavra viva”, recordou.
A homenagem reafirmou que Manoel de Barros continua vivo nas suas invenções, nos seus neologismos e na ternura de quem enxerga grandeza nas pequenas coisas.
Um poeta que, ao desinventar o mundo, nos ensinou que o essencial está no “criançamento” das palavras — e no olhar que sabe reaprender a ver.
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