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Fronteira segue fechada e parte da Polícia Boliviana declara apoio aos manifestantes

Leonardo Cabral em 09 de Novembro de 2019

Diário Corumbaense

Fronteira permanece fechada e manifestação ganha apoio de alguns policiais que estão aquartelados

Completando 18 dias de greve geral na Bolívia, ainda não há determinação para o fim da mobilização que envolve praticamente todas as cidades bolivianas. O protesto realizado por lideranças políticas contrárias ao presidente Evo Morales, exige a renúncia do chefe de Estado boliviano, reeleito nas eleições presidenciais de 20 de outubro para o quarto mandato.

A fronteira das cidades de Arroyo Concepción, Puerto Quijarro e Puerto Suárez com Corumbá, permanece bloqueada neste sábado, 09 de novembro. Apenas a circulação de pedestres e casos de extrema urgência, como a passagem de ambulâncias, são permitidos. 

Após o transporte pesado ter declarado apoio aos manifestantes, na noite de ontem, em algumas cidades, o comando da Polícia Boliviana também anunciou apoio à mobilização. Mas, em algumas regiões, manifestantes contrários e favoráveis ao atual governo, entraram em conflito.

Já na região de fronteira, conforme a imprensa local do lado boliviano, moradores das cidades fronteiriças se deslocaram até a unidade policial em Puerto Suárez, para saber o posicionamento do órgão. Em uma entrevista, um policial que recebeu a imprensa, afirmou que o comando da região também estava "junto ao povo". 

Policiais amotinados

Em Santa Cruz de La Sierra, na manhã deste sábado (09), policiais de diferentes unidades chegaram de caravana ao Comando Departamental para reforçar o motim da instituição Verde-Oliva que começou na noite de sexta-feira (08). Enquanto isso, a população fora do prédio exigia a saída do comandante Igor Echegaray.

Reprodução El Deber

Na manhã de hoje (09), policiais nas ruas de Santa Cruz de La Sierra, mostrando apoio aos protestos

Um contingente de policiais, com bandeiras da Bolívia e de Santa Cruz saíram para o terraço do Comando, dando um sinal de que essa região se junta ao motim policial instalado em vários departamentos desde ontem.

Na noite passada, o ministro da Defesa, Javier Zavaleta, descartou completamente as operações militares nas ruas, enquanto o ministro de governo, Carlos Romero, defendeu um diálogo para resolver o tumulto que se estende por todo o país.

Os policiais amotinados de Cochabamba, região onde o manifesto por parte da Polícia teve início, pedem reajuste salarial e aposentadorias  no mesmo posto das Forças Armadas (FFAA) e que sua independência política seja garantida para não ser um instrumento de nenhum governo.

Evo Morales

O presidente Evo Morales falou no final da noite desta sexta-feira, quase madrugada de sábado, pelas redes  sociais, sobre a delicada situação que o país está passando e que se agravou depois que a Polícia de Cochabamba, em primeira instância, entre outras regiões (incluindo Santa Cruz, Chuquisaca e Beni) se rebelaram, garantindo assim, o apoio aos manifestantes que exigem a sua renúncia.

"Irmãs e irmãos, nossa democracia está em risco devido ao golpe de estado lançado por grupos violentos que prejudicam a ordem constitucional", disse a primeira parte do pronunciamento feito por Morales que complementa dizendo que denunciou a situação para a comunidade internacional. O país está passando por uma grande revolta social depois que grande parte da sociedade pede a anulação das eleições realizadas em 20 de outubro.

Evo Morales convocou suas bases para enfrentar a situação. "Peço ao nosso povo que cuide pacificamente da democracia e da CPE para preservar a paz e a vida como bens supremos acima de qualquer interesse político", pediu durante as manifestações que ocorriam nas ruas do país.

Em resposta ao pronunciamento do presidente, Luis Fernando Camacho, o líder cívico e hoje o principal oponente de Morales, respondeu: "O golpe de estado ocorreu em 21 de fevereiro de 2016", ao se referir ao Referendo que rejeitou a possibilidade de Morales se candidatar a um novo mandato. No entanto, um ano depois, o presidente conseguiu a liberação do Tribunal Constitucional para disputar a reeleição indefinidamente.

Com informações do jornal El Deber.

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