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Operação desmonta plano de facção para executar 12 servidores em MS

Campo Grande News em 20 de Março de 2019

Henrique Kawaminami/CG News

Policiais do Batalhão de Choque dão apoio a operação no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande

A Operação Impetus (contra ataque), realizada pela Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado) nesta manhã (20), cumpre mandados no Presídio de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho em Campo Grande e na PED (Penitenciária Estadual de Dourados) para desmontar central de inteligência do PCC (Primeiro Comando da Capital) que planejava executar 12 servidores da segurança pública no Estado. Policiais do Batalhão de Choque dão apoio à operação. 

Cinco dos 20 alvos da ação já foram levados para prestar esclarecimentos na delegacia. Eles foram identificados como Augusto Macedo Ribeiro, o Abraão, Laudemir Costa dos Santos, o dentinho, Willyan Luiz de Figueiredo, o Daniel, Diego Duveza Lopes Nunes, o Pitbull, e Wantensir Sampatti Nazareth, o Inverno. O grupo, segundo a polícia, tinha a função de liderança e era responsável pela Central de Inteligência do PCC. Eles serão indiciados pelos crimes de ameaça e organização criminosa.

Conforme a delegada Ana Cláudia Medina, responsável pelas investigações, a central de inteligência do grupo criminoso foi montada de forma compartimentada e reservada dentro da própria facção. Presos com funções de liderança criminosa recrutaram internos integrantes do PCC distribuídos entre os presídios fechado, aberto, semiaberto e alguns simpatizantes, repassando-lhes a missão, chamada de "salve do quadro" para que levantassem de forma sigilosa dados pessoais e profissionais de servidores da segurança pública para executá-los.

Segundo as investigações, que começaram há 4 meses, a central de inteligência do crime organizado fazia levantamentos de dados dos mais variados que levassem a identificação e localização exata do servidores. Os presos encarregados pela inteligência da facção faziam pesquisas em redes sociais, fontes oficiais, como cadastros de dados publicados em páginas oficiais do Estado e publicações funcionais em diários oficiais. 

Os integrantes, então, encarcerados repassavam de forma sigilosa e reservada os dados produzidos para os comparsas foragidos ou em liberdade condicional a missão de continuar com os levantamentos de campo e acompanhar a rotina dos alvos tratados pela facção como “opressores da irmandade” e dos familiares deles.

Ação criminosa semelhante desarticulada pela Deco nesta manhã havia sido instalada em outros Estados, resultando na execução e morte de três servidores de presídios federais. 

"Dentinho"

Um dos alvos da Operação Impetus, deflagrada  em Campo Grande e Dourados já havia sido investigado em ação da Polícia Civil de São Paulo, por cooptar agentes penitenciários ao PCC (Primeiro Comando da Capital). É Laudemir Costa dos Santos, o Dentinho. Em julho de 2018, ele foi alvo da Operação Echelon, da Polícia Civil de SP. Ele seria responsável por comandar o cadastramento de integrantes do PCC, além de gerenciar situação dos inadimplentes ou indisciplinados da facção.

Naquela ocasião, a polícia havia apurado que um integrante do PCC, identificado como Sub Zero, passou por cima do "brecamento" que tinha, por dívida, para comprar drogas. Embora tenha sido advertido e suspenso, Sub Zero voltou a comprar drogas, violando a suspensão.

Sub Zero foi advertido e teve prorrogação de prazo para pagamento. Dentinho disse ao seu "padrinho", por telefone, que às 12h, quando as celas abrissem, iria falar com um agente penitenciário para "mixar" duas celas, sendo uma delas onde ele se encontrava, e depois fazer o mesmo com as restantes.

Segundo a Polícia Civil, "mixar" significa que o agente penitenciário iria deixar a cela aberta ou conceder algum privilégio que beneficiasse os presos naquele setor. "Eu já estou batizando dois agentes. Eles vão trazer pra mim aqui pra conversar com ele [Sub Zero]", teria afirmado Dentinho.

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