Deteriorado e sob riscos, prédio do ILA clama por revitalização

Nelson Urt, especial para o Diário Corumbaense em 21 de Setembro de 2018

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Casa de Cultura Luiz de Albuquerque é um dos prédios históricos mais importantes de Corumbá

Corumbá, aos 240 anos, é uma cidade com o privilégio de possuir três museus e uma seleção de prédios históricos mais que centenários, tombados ou não, que lhe atribuem uma característica única em Mato Grosso do Sul. É uma cidade cercada por sua história.

 

O Museu de História do Pantanal (Muhpan), o Espaço de Memória Casa do Dr. Gabi, o Museu Regional do Pantanal e a Casa de Cultura Luiz de Albuquerque (ILA) compõem o quarteto de relíquias que a cidade resguarda, com muito esforço e dificuldades,ao longo de três séculos. Só o prédio do ILA soma 147 anos.

 

A pergunta que surge é a seguinte: todos esses prédios estão conservados e protegidos? A situação está sob controle? A resposta é não. Nenhum desses prédios está conservado e protegido como deveria, embora muitos deles estejam amparados pelas leis de preservação do patrimônio ou se situem na área de entorno do Casario do Porto, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Tanto que o incêndio que dilacerou grande parte dos 20 milhões de itens do rico acerco do Museu Nacional, há duas semanas, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, soou como um grito de alerta no meio da comunidade cultural, acadêmica, científica e educacional de Corumbá.

 

Mais por prevenção do que por coincidência, a sede da Defesa Civil está instalada numa sala ao lado da Biblioteca Municipal Lobivar Matos e um andar abaixo do Museu Regional do Pantanal, no prédio do ILA. É como se o poder público reconhecesse que aquele local se transformou em um barril de pólvora, com erosões que avançam implacáveis no ritmo do tempo, minando as resistências do prédio construído em 1871, final do século XIX, para abrigar o Grupo Escolar Luiz de Albuquerque, e que nunca passou por uma reforma efetiva.

 

O mofo provocado por infiltrações, a deterioração da madeira no piso e no teto e a erosão nos telhados são os principais problemas no prédio. “Implantamos um projeto contra incêndio, espalhamos 32 extintores nos vários compartimentos,fizemos reparos na fiação para evitar curtos elétricos, retiramos grande quantidade de entulho e material inflamável”, informou ao Diário Corumbaense o tenente Isaque do Nascimento, chefe da Agência Municipal de Proteção e Defesa Civil de Corumbá.

 

O tenente lembrou ainda que a menos de 50 metros do prédio existe um hidrante, para caso de incêndio. Por outro lado, o prédio permanece vazio durante boa parte da noite e madrugada, já que não conta com a proteção de integrante da Guarda Municipal, responsável pela ronda apenas no entorno. Censores que detectam chamas e liberam automaticamente jatos de água, nem pensar.

 

Incluído na lista de dez obras a serem revitalizadas com recursos do PAC das Cidades Históricas, no qual Corumbá foi contemplada, o ILA está na fila de espera.Aguarda a sua vez. Já foram revitalizados a Praça da República e o Jardim da Independência, agora a Igreja Matriz da Candelária passa pela restauração, mas os próximos da lista são o prédio da antiga Prefeitura, na rua 13 de Junho, e o Hotel Internacional (Royal) na rua Frei Mariano. Não se sabe exatamente quais critérios colocaram o prédio do ILA em sexto lugar nessa escala.

 

A última intervenção no ILA ocorreu em 2014 e contemplou os telhados, que estavam desabando – mas as telhas continuam caindo. De lá para cá foram feitos reparos emergenciais para evitar principalmente os riscos de incêndio, já que existe uma enorme quantidade de material inflamável. “Podemos fazer apenas manutenção,mas nenhuma intervenção que modifique o projeto original porque se agirmos assim perdemos o projeto do PAC Cidades Históricas”, informou a gerente do Patrimônio Histórico do município, Joanita Ametlla.


Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Biblioteca tem acervo de livros, jornais e fotos antigas da cidade

 

Biblioteca abriga acervo de 16 mil livros

 

O piso e o teto de madeira bastam para colocar o prédio em alerta, mas além disso, a estrutura abriga a Biblioteca Municipal Lobivar Matos, com 16 mil livros e 12 mil jornais catalogados, além de 2 mil fotos da cidade antiga, segundo o funcionário Paulo Ferro, historiador da Fundação de Cultura e do Patrimônio Histórico de Corumbá.  “Estamos aguardando as reformas, mas nosso sonho é que a biblioteca volte ao seu antigo lugar, no prédio da rua Delamare”, afirmou Ferro.

 

O sonho do servidor reflete a vontade do Conselho Municipal de Cultura, que reúne conselheiros ligados ao poder público e às comunidades. A decisão de solicitara mudança já foi aprovada em reunião. “Formalizaremos um pedido à Prefeitura de Corumbá para transferir a Biblioteca Lobivar Matos de volta à sua antiga casa,no prédio do Espaço Educacional da rua Delamare”, afirmou a presidente do Conselho, a jornalista Lívia Gaertner. “O prédio foi construído para abrigar abiblioteca e, por questões administrativas, ao longo do tempo, recebeu outras unidades públicas municipais, estaduais e por último foi sede do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul)”, acrescentou.

 

Por sua vez, o diretor-presidente da Fundação de Cultura e do Patrimônio Histórico de Corumbá, Joilson da Silva Cruz, disse que montou um projeto para retirada da Biblioteca Lobivar Matos do prédio, mas sem transferi-la para a rua Delamare. “Aquele prédio está ocupado pela Educação do Estado e do Município e tem a questão da acessibilidade, das escadarias”, destacou. “Estamos procurando um prédio à altura da biblioteca, vamos alugar”, concluiu.


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