Para cumprir ordem do STF, Giroto e Amorim voltarão à cela 17 de presídio

Campo Grande News em 08 de Maio de 2018

A cela 17 do Centro de Triagem, no complexo penitenciário de Campo Grande, vai receber, novamente, o empresário João Amorim e o ex-deputado federal Edson Giroto, além de mais duas pessoas alvo da Operação Lama Asfáltica, que tiveram ordem de prisão expedida depois de decisão do Supremo Tribunal Federal. 

O Supremo atendeu reclamação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para quem a liberdade concedida em março aos envolvidos nas investigações significam desrespeito à justiça.

Segundo apurou a reportagem do Campo Grande News, a apresentação à Polícia Federal foi negociada para esta tarde. A informação é de que quatro dos presos vão para o Centro de Triagem, mas ao todo são 8 envolvidos, entre eles 4 mulheres.

Para os outros, ainda não há informação sobre o teor da ordem do Supremo. Antes de ser transferidos para o presídio, os atingidos pelos mandados de prisão vão passar pelo exame de corpo de delito, praxe quando alguém vai para a cadeia.

As ordens para prisões foram confirmadas à reportagem por advogados ligados ao caso. Além disso, a Polícia Federal confirmou, cedo, que estava com os mandados de prisão para serem cumpridos, e que os envolvidos poderiam se apresentar.

Na ocasião anterior em que houve prisão no caso, dois meses atrás, Amorim e Giroto preferiram se apresentar. O ex-deputado Giroto chegou a agredir uma jornalista antes de entrar no prédio.

A reportagem apurou que o STF (Supremo Tribunal Federal), em nova reviravolta, decretou as prisões de Giroto, Amorim, Elza Cristina Araújo dos Santos (secretária de Amorim), Flávio Henrique Garcia Schrocchio (cunhado de Giroto), Raquel Rosana Giroto (mulher de Giroto à época), Ana Paula Amorim (filha do empresário João Amorim), do ex-deputado estadual Wilson Roberto Mariano e da filha dele, Mariane Mariano de Oliveira.

Todos são investigados na operação Lama Asfáltica, que já realizou cinco fases para apurar desvio de dinheiro em obras públicas.

Na manhã de hoje, foi intensa a movimentação na residência de João Amorim, no Jardim Bela Vista. O empresário chegou a ser visto saindo de carro. A irmã dele, a deputada estadual Antonieta Trad (MDB), também foi vista chegando ao local. O STF ainda não disponibilizou a decisão. Na Justiça Federal, a informação é que o como o caso corre em sigilo, nada poderia ser informado.

Cronologia

No último mês de março, o Supremo derrubou a liminar que mantinha os oito alvos da operação Lama Asfáltica em liberdade. As prisões aconteceram no dia 9 de março. Mas, no dia 19, o TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) mandou soltar todos.

Inconformada, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entrou com um reclamação no STF. Ela alegou que a decisão do Tribunal Regional Federal foi “desrespeitosa” em sua autoridade. Para a procuradora, a justificativa do tribunal de que os réus “não oferecem perigo a ordem pública” vai contra a decisão da Primeira Turma do Supremo, que foi “categórica” ao dizer que os investigados “traziam severos riscos” à ordem, pela extrema gravidade de suas ações.

Ela pediu as prisões e foi atendida. Conforme as últimas movimentações do processo, a decisão foi informadas ontem (dia 7) ao TRF 3 e à 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande.

Fazendas de Lama

As oito prisões são relativas à fase Fazendas de Lama, realizada em 10 de maio de 2016. A liberdade veio no dia 24 de junho daquele ano, quando o ministro Marco Aurélio, do STF, considerou que não havia elemento concreto para justificar a prisão e concedeu liminar em pedido de habeas corpus. O Supremo retomou o julgamento no mês de março, resultando na queda da liminar e retorno à prisão.

 

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